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Portugal

“Jaime Pacheco sempre nos disse que um dia íamos ser campeões”

RedaçãoPor Redação17/05/20214 Mins Leitura
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Capitão Litos lembra papel do treinador que se sagrou campeão no Boavista

A caminhada triunfal do Boavista rumo ao único título de campeão da I Liga, conquistado há 20 anos, deveu-se à “mentalidade de trabalho abnegada”, vincou o ex-internacional português e capitão axadrezado Litos.

“Não esquecer que, dois anos antes, ficámos em segundo lugar. Éramos uma instituição que já apertava os calcanhares aos grandes, com vários jogadores de muita experiência internacional e três ou quatro da seleção principal de Portugal. Sabíamos das nossas capacidades e metíamos tudo isso em prática”, contou à agência Lusa o ex-defesa.

Em 18 de maio de 2001, os axadrezados venceram o já despromovido Desportivo das Aves (3-0) e confirmaram o título a uma jornada do final, imitando o feito do Belenenses, que, 55 anos antes, se tinha intrometido na hegemonia de Benfica, FC Porto e Sporting.

“É uma realidade que os grandes têm orçamentos superiores aos outros clubes, mas já tínhamos essa mentalidade traçada e costumo dizer que não são os nomes que jogam. Não se notavam muito essas diferenças em campo, onde tínhamos um núcleo duro de jovens jogadores, com grande afluência da formação, mística e referência”, rememorou.

Depois de cinco Taças de Portugal e três Supertaças, o Boavista lograva erguer o maior troféu do futebol nacional em 117 anos de história, ao contrariar todas as previsões com 23 vitórias, oito empates e três derrotas, num total de 63 golos marcados e 22 sofridos.

“Todo o staff era altamente profissional, não só em termos de plantel, como também na parte administrativa. Já éramos um clube altamente organizado dentro e fora do campo e isso transmitia uma grande confiança aos jogadores de que, mais cedo ou mais tarde, iríamos ter a grande recompensa por todo o trabalho desenvolvido”, apontou Litos.

O ex-central natural de Paranhos reconhece como “decisiva” a assunção da candidatura ao título à 26.ª jornada, quando as panteras empataram na visita ao Marítimo (1-1), com Bakero a anular perto do fim o golo do boliviano Erwin Sánchez antes do intervalo.

“Acresceu mais responsabilidade e tensão para ganharmos os jogos ao domingo. Aquela equipa era uma verdadeira família e já se relacionava há dois ou três anos. Conhecíamo-nos uns aos outros, tínhamos identidade e fio de jogo e sabíamos o que queríamos, o nosso valor e a forma como o Jaime Pacheco punha as suas ideias”, enquadrou.

Carlos Manuel de Oliveira Magalhães, conhecido no futebol por Litos, salienta a identificação do plantel com os “métodos de trabalho” do treinador nascido em Paredes, que chegou ao Bessa em dezembro de 1997, depois de uma passagem por Guimarães.

“Éramos em campo aquilo que era o Jaime Pacheco como treinador: trabalho, trabalho, trabalho. Foi um prémio mais do que merecido para uma pessoa altamente profissional, honesta e, acima de tudo, com grande paixão pelo futebol. Sempre nos disse que um dia íamos ser campeões. Foi um sonho realizado que me torna muito orgulhoso”, valorizou.

O ex-defesa formou-se no Boavista e evoluiu como sénior por Campomaiorense, Estoril-Praia e Rio Ave, antes de efetivar o regresso ao clube portuense em 1995/96, pelo qual conquistou uma Taça de Portugal (1996/97) e uma Supertaça (1997) antes da I Liga.

“O Boavista começou a ser respeitado desde os tempos do ‘mister’ Manuel José [entre 1991 e 1996], que, antes desta geração, já incutia um clube a incomodar os grandes. Depois, o título foi um prémio para a família Loureiro, a começar pelo major Valentim [presidente de 1978 a 1997], que fez muito e trabalhou com grande empenho”, analisou.

Nesse campeonato celebrado sob liderança de João Loureiro, que tinha rendido no cargo o seu pai, Litos foi o atleta mais utilizado, com cinco golos e 2.970 minutos disputados durante 33 rondas, a maioria ao lado de Pedro Emanuel, outro jovem formado no Bessa.

“A realidade agora é diferente, mas no futebol temos de ter recursos humanos altamente qualificados. O clube descurou um bom bocado a formação, tendo em conta que o êxito nesses anos todos baseou-se nesse enorme trabalho. Isso agora não existe e penso que é uma grande lacuna que o Boavista tem, mas só respondo pela minha época”, assumiu.

Ao invés de Pedro Emanuel e de outros nomes da ‘cantera’ ‘axadrezada’, como Jorge Silva, Petit ou Martelinho, o central, então com 27 anos, fechou o ciclo no Bessa e rumou aos espanhóis do Málaga no verão de 2001, a troco de quase quatro milhões de euros.

“Fico feliz por ter representado o Boavista 16 anos, da formação à primeira equipa, e conquistado títulos. Ser campeão pelo Boavista não é para qualquer um. Enalteço com certa saudade aquela grande família de verdadeiros soldados dentro e fora do campo”, concluiu Litos, que se despediu dos relvados em 2007/08, ao serviço da Académica.

Boavista Campeão Litos
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