Guardião finlandês do Eintracht Frankfurt é elogiado pela estabilidade e qualidade entre os postes por quem o conhece
Lukas Hrádecký. É este o nome do guarda-redes que o Benfica escolheu para fazer esquecer a saída de Ederson, segundo revela a imprensa desportiva portuguesa desta terça-feira. Se com o brasileiro, que saiu neste defeso para o Manchester City, os encarnados tinham um guarda-redes que se destacava, entre outros coisas, pelo forte pontapé, agora poderão garantir o titular da baliza da seleção finlandesa, que, em contrapartida, garante uns braços bem grandes para tapar a baliza das águias. “Tem os braços mais longos que alguma vez vi”, refere ao Bancada quem o conhece bem, atestando a qualidade do guardião, de 27 anos, que pode estar perto de deixar os alemães do Eintracht Frankfurt para rumar à Luz.
“É por essa característica de ter uns braços enormes que é um guarda-redes muito bom entre os postes, a defender remates e no um para um”, garante-nos Sten Grytbust, guardião internacional norueguês, que também é amigo pessoal de Hrádecký, sobre os famosos reflexos do guardião finlandês de origem eslovaca. “É um guarda-redes muito estável. Demonstrou isso, mesmo estando a jogar na Bundesliga”, assegura Grybust, que se cruzou com o alvo encarnado no futebol dinamarquês, onde ainda está ao serviço do Odense BK, juntamente com o defesa português João Pereira.
Em 2012/13 Hrádecký foi eleito o melhor guarda-redes do campeonato dinamarquês, numa temporada em que ajudou o Esbjerg fB a terminar no quarto posto do campeonato, sofrendo apenas 29 golos em 33 jogos disputados. Isto depois de o clube ter vencido a segunda divisão na época anterior. Mas o sucesso não se ficou pelo campeonato e o guardião ajudou o Esbjerg fB a conquistar a Taça da Dinamarca, depois de um percurso em que superou o desempate através dos penáltis em duas ocasiões. É aqui que começa a especialidade do número um finlandês em travar remates da marca dos onze metros. Mas já lá iremos, mais à frente.
Nessa mesma temporada, que já era a quinta ao serviço do modesto clube dinamarquês e a da verdadeira afirmação, Hrádecký conseguiu que a sua equipa travasse o gigante Brondby IF sempre que se cruzaram. Foram cinco jogos sem uma única derrota. No campeonato registou dois empates fora de casa e um triunfo em casa – o campeonato era disputado a três voltas. Nas meias-finais da Taça foram dois empates, com triunfo depois no prolongamento. Na primeira mão defendeu um penálti… Ainda não é agora que lá vamos, calma.
Como diz o ditado popular: “quando não os consegues vencer junta-te e eles”. Talvez tenha sido por isso que o Brondby IF, que na época anterior tinha ficado bem atrás, no nono posto, decidiu apostar no jovem guardião em ascensão para 2013/14. Mesmo sem ter conseguido ajudar o Brondby a quebrar o “enguiço” frente à anterior equipa – só ao terceiro encontro surgiu um triunfo para a equipa amarela e azul – Hrádecký estabeleceu-se como titular absoluto e foi totalista no campeonato em duas épocas consecutivas. Foi por essa altura que fez as delícias dos fãs com uma exibição impressionante num particular frente ao Liverpool.
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Ainda inicia a temporada 2015/16 na Dinamarca, ajudando o clube a chegar ao playoff da Liga Europa, depois de uma terceira eliminatória sofrida frente ao Omonia Nicósia. Nesses dois encontros cruzou-se com os portugueses Nuno Assis e Renato Margaça, este último agora internacional cipriota. “Pareceu-me ser muito bom guarda-redes”, confidencia-nos Margaça. Após um nulo na primeira mão, em Chipre registou-se um empate a dois golos, que deu a passagem aos nórdicos. Hrádecký foi expulso no oitavo minuto de compensação, mas o resultado já estava feito. E o médio formado no FC Alverca atribui-lhe “responsabilidade” pelo desfecho da eliminatória. “Tem boa presença na baliza e também é forte a sair aos cruzamentos. É calmo e transmite confiança”, descreve Renato Margaça, de 32 anos.
Esse foi o último encontro de Lukas Hrádecký no Brondby, saindo depois para o Eintracht Frankfurt a troco de 2,5 milhões de euros. Foi chegar, ver e vencer. Foi logo titular na primeira jornada da Bundesliga e realizou todos os minutos dessa temporada. Não falhou um único jogo, sofrendo 52 golos em 34 encontros. O Frankfurt terminou no 16.º posto e foi obrigado a jogar o playoff de despromoção. Depois de um empate caseiro (1-1), Hrádecký manteve a baliza inviolada na segunda mão no terreno do FC Nuremberga – algo que só havia acontecido em mais oito ocasiões nessa época, mas duas delas na receção a Bayern Munique e Borussia Dortmund – e ajudou ao triunfo por 1-0, que valeu a permanência.
Após uma época de estreia complicada em termos coletivos, na última temporada tudo correu melhor para o guardião que é filho de pais eslovacos, voltando a ser titular absoluto – só falhou a 18.º jornada por castigo, depois de ter protagonizado uma das expulsões mais rápidas da história do campeonato alemão, após ver vermelho direto logo aos três minutos. No entanto, desta vez com um registo bem mais eficiente. Em 33 encontros sofreu 40 golos, manteve a baliza a zeros em dez ocasiões e foi importante para o décimo primeiro posto final do Eintracht na Bundesliga, graças a defesas para a posteridade.
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Mas o melhor estava guardado para a Taça da Alemanha. E, agora sim, vamos frisar a questão dos penáltis. Hrádecký foi decisivo para conduzir o Frankfurt, onde foi colega de equipa do atual avançado benfiquista Seferovic, à final da Taça, embora nem tudo tenha sido fácil até lá chegar. Na primeira eliminatória o clube da Bundesliga suou para bater o modesto FC Magdeburgo, do terceiro escalão. A vitória surgiu apenas no desempate por penáltis, com o guardião finlandês a defender dois remates e a ver outro ir ao poste. Na segunda fase mais um triunfo nos penáltis, desta vez frente ao FC Ingolstadt, onde viu dois remates saírem por cima da sua baliza.
A história não acaba aqui. Ainda há mais, pois na meia-final o Frankfurt superou o Borussia Mönchengladbach novamente através dos remates da marca dos onze metros. Mais dois penáltis defendidos para Hrádecký. Esta odisseia à la Diego Alves só não teve um final feliz – por outro lado, até foi um desfecho bem agridoce – porque na final frente ao Borussia Dortmund foi de penálti que Dembelé marcou o golo do triunfo por 2-1. A falta que originou o castigo máximo foi cometida pelo gigante finlandês, de 1,90 metros. E, desta vez, não o defendeu.
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Mas recuemos alguns anos, e viajemos até ao final da década passada, quando o alvo encarnado, que também já foi associado ao SSC Nápoles neste defeso e que está avaliado em 4,5 milhões de euros, embora possa ser transferido por um valor abaixo devido ao aproximar do final do contrato, estava a começar a despontar na Finlândia. Formado no TPS Turku, Hrádecký integrou o plantel principal com apenas 18 anos, em 2008. Nessa altura cruzou-se por lá como Kiko Zarabi, central argelino que mais tarde se haveria de estabelecer em Portugal, onde atua agora ao serviço do SC Covilhã. “Hrádecký? Para o Benfica? Era bom!” É assim que começa a nossa conversa com o defesa.
Apesar das dificuldades que tinha na altura para comunicar com os colegas, Zarabi lembra-se bem do jovem guardião a quem já todos previam um futuro risonho. “Quando lá estava ainda não falava muito bem inglês e ele era miúdo. Ainda não estava a jogar a titular, mas, mesmo assim, já era internacional [pelas camadas jovens] e todos diziam que ele ia ser bom guarda-redes. Desde novo que mostrou qualidades. Era alto e magrinho”, relembra o jogador argelino, de 33 anos, ao Bancada. E o próprio Zarabi confirma a apetência do ex-colega para os penáltis. “Especialista em penáltis? Sim, sim. É verdade”, assevera. Por fim, explica-nos que não tem seguido atentamente a carreira do guarda-redes, mas acredita que este “tenha melhorado”, deixando ainda uma certeza: “Se o Benfica vai atrás dele é porque sabe bem do seu valor, com antecedência”.
A indefinição na baliza do Benfica após a saída de Ederson pode ter aberto, agora, a porta da Luz a Lukas Hrádecký, ele que já soma 38 internacionalizações pela Finlândia. Curiosamente, até já na seleção mostrou a habilidade em travar penáltis, defendendo um apontado pelo islandês Gylfi Sigurdsson, em outubro passado, num jogo da qualificação para o Mundial’2018, onde a Finlândia nem está a ter um trajeto feliz, uma vez que só somou um ponto em seis jogos. Mas já que começámos por falar das qualidades técnicas de Ederson com os pés e que agora chegámos à carreira internacional de Hrádecký, eis uma prova de que nem só com as mãos o guardião do Eintracht Frankfurt gosta de brilhar, dando assim razão àqueles não lhe veem pontos fracos.
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