Portugal
Cândido Costa avisa que há profissionais em risco de ficar meio ano sem receber
2020-04-22 16:30:00
Antigo jogador e treinador alerta para o "flagelo" que está a assolar o Campeonato de Portugal

A paragem do Campeonato de Portugal, devido à pandemia de covid-19, está na origem do maior "flagelo" do futebol português, de acordo com as contas ontem feitas por Cândido Costa.

O antigo jogador do FC Porto, que no final da carreira viveu também "uma experiência" como treinador no Campeonato de Portugal, alertou que a situação vivida pelos profissionais do terceiro escalão são "a maior preocupação" no atual estado do futebol português.

Em declarações no programa 'Minha Casa - Tua Casa', Cândido Costa frisou que há centenas de jogadores, treinadores e outros profissionais do futebol em risco de ficarem meio ano sem rendimentos.

Numa equipa do Campeonato de Portugal "o jogador mais importante da equipa ganha 1400 euros", estando a média salarial "entre os 500 e os 700 euros, se tanto".

A isto acresce a condição de só receberem "dez meses" e não 12 (ou 14, contando com subsídios de férias e de natal).

"O março ainda não estaria pago quando isto nos abalou a todos, depois abril e maio... Já são três meses de forma sôfrega, depois são junho e julho de férias, que não têm remuneração. São cinco a seis meses", explicou.

Cândido Costa lembrou que há centenas de profissionais "a viver só do futebol" no Campeonato de Portugal.

"O flagelo está a vir daí", até porque, "com maior ou menor dificuldades", os clubes das ligas profissionais "vão acabar por dar a volta".

O agora comentador realçou ainda a importância dos clubes do Campeonato de Portugal no lançamento de jovens futebolistas e no recrutamento de "bons jogadores" estrangeiros.

Num olhar mais genérico sobre o futebol português, Cândido Costa manifestou "algumas dúvidas" sobre as verdadeiras intenções por detrás da "necessidade sôfrega" de se reatarem as competições, insinuando que o regresso do "negócio do futebol" se tem sobreposto ao interesse desportivo.

"Uma tem-se imposto à outra, o que aflige e assusta é o negócio do futebol", concluiu Cândido Costa.