Portugal
"Fico chocado ao ver pessoas do Benfica a celebrarem um momento que é negro"
2021-07-09 18:55:00
Braz Frade critica a “guerrilha” que se começa a instalar na sequência da detenção de Vieira

A detenção de Luís Filipe Vieira, na quarta-feira, tem marcado a atualidade do Benfica. Nas primeiras reações, SAD e clube garantiram estar em condições de assegurar a gestão diária na ausência do presidente. Entretanto, o próprio Vieira anunciou a suspensão de funções, levando a Direção do Benfica a reunir de emergência para “deliberar próximos passos”.

Ao mesmo tempo, a oposição interna a Vieira, encabeçada pelos candidatos derrotados nas eleições de outubro de 2020 (outra polémica recente, devido ao anúncio da recontagem dos votos oito meses depois do ato), reapareceu em força, lembrando as críticas que tinham feito anteriormente a Vieira.

Ainda na sequência da detenção do presidente, muitos ex-dirigentes do Benfica têm vindo a público defender a necessidade da realização de eleições antecipadas, para clarificar devidamente a situação diretiva. Foram os casos de Ribeiro e Castro e Gaspar Ramos, antigos vice-presidentes.

Mas também há outros ex-dirigentes, também com passagem pela vice-presidência, a apelar à continuidade – pelo menos nesta fase inicial da Operação Cartão Vermelho – dos atuais responsáveis do Benfica. João Braz Frade explica que o clube precisa de paz para enfrentar os jogos complicados de agosto, mas não esconde uma certa revolta pela forma como algumas figuras públicas do Benfica se têm pronunciado sobre a atualidade das águias.

“Tive sempre boa relação com Luís Filipe Vieira e com Domingos Soares de Oliveira. Não vou fingir que não os conheço, não contem comigo para isso. Não estive sempre de acordo com ele, tivemos imensas discordâncias, mas dávamo-nos bem. E fiquei chocado, triste e desapontado”, começou por afirmar.

“Mais desapontado ainda quando olhava para as redes sociais e via pessoas do Benfica a celebrarem um momento que é negro na história do clube. Todos nós estamos desapontados e tristes com isto tudo. E preocupados também”, acrescentou.

Feito este desabafo, em declarações na CMTV, Braz Frade lembrou que o Benfica vai começar a temporada 2021/22 com a missão de se qualificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Na ótica deste ex-dirigente, o ambiente de “guerrilha” e uma eventual luta pelo poder só vão prejudicar as aspirações desportivas dos encarnados.

“Acho que agora é um tempo de paz e sossego. Devemos apoiar quem lá está para resolver os problemas que são imediatos. A equipa está a tentar apurar-se para a Liga dos Campeões e começa o campeonato dentro de pouco tempo, o Benfica não se pode dar ao luxo de que o caos se instale”, sustentou.

Uma solução que Braz Frade explicou ser temporária, pois a “legitimidade” da Direção só poderá ser recuperada com uma nova Assembleia Geral e, eventualmente, eleições antecipadas: “É importante que as pessoas se acalmem e dêem suporte a quem lá está. Estes dirigentes são razoáveis e saberão o momento em que devem pedir uma Assembleia Geral para terem a legitimidade absoluta”.

Face à ausência de Vieira, os restantes elementos da Direção e da administração da SAD saberão conduzir todos os processos relativos à definição do plantel para 2021/22. “Acredito que nenhum processo parou. A SAD tem um CEO, Domingos Soares de Oliveira, que está em funções plenas e no clube escolheram Rui Costa para coordenar as coisas. Os processos de decisão é que não são os mesmos, o que era decidido sozinho pelo presidente deve ser agora decidido em conjunto”, finalizou João Braz Frade.