Com a saída de André Silva, e os regressos de Marega e, provavelmente, Aboubakar, o ataque do FC Porto ganha novo rosto
Com a saída consumada de André Silva para o AC Milan, as hipóteses aventadas de Aboubakar e Marega regressarem ao Dragão para integrarem o plantel para 2017/18, pelo menos o último está certo na pré-temporada, sugerem a possibilidade de estar a nascer um novo ataque do FC Porto, um ataque onde predominarão características como a velocidade, a profundidade e o poder físico, que poderão ter num dois ‘regressados’ um complemento para Soares, certo na nova época, ou para um novo reforço por chegar. Rui Pedro, outra opção para Sérgio Conceição, apresentar-se-á mais tarde porque vai representar Portugal na fase final do Campeonato da Europa de sub-19.
Aboubakar e Marega são duas opções para o novo treinador do FC Porto acionar um ataque explosivo, órfão de André Silva, até porque as características de Soares são outras das do internacional português. André Silva emprestava ao ataque portista uma maior agilidade de movimentos e de presença aérea na área, para além de um sentido de golo invulgar. E podia jogar como referência, em apoio, ou mais em contra-ataque. Soares, que chegou ao FC Porto em janeiro deste ano, e que acabou por levar Nuno Espírito Santo a apostar nele em detrimento de André Silva na reta final do campeonato, tem um estilo diferente. Não é muito forte tecnicamente, mas sabe fazer uso da sua força e velocidade, num estilo a fazer lembrar Diego Costa, do Chelsea. Conseguindo fazer a diferença no 1×1, junta uma entrega ao jogo pouco vista para um avançado, mas não tem o sentido letal do golo, como André Silva.
Aboubakar e Marega são totalmente diferentes. Mais verticais, que exploram a profundidade, sobretudo aparecendo bem nas costas da defesa adversária. Fazem bem o uso do físico e do sentido apurado pela baliza contrária. Tanto Aboubakar como Marega são jogadores de transições ofensivas rápidas, que vivem como peixes na água num estilo que privilegia a colocação da bola rapidamente no último sector do terreno, em especial nas costas das defesas adversárias, emprestando uma capacidade ‘explosiva’ a qualquer ataque. E Sérgio Conceição poderá estar a pensar nisso mesmo para o FC Porto 2017/18. Se não com os dois, pelo menos com um, como complemento de um jogador mais fixo, que poderá ser Soares, ou um reforço a contratar. Porque o FC Porto precisará de um goleador com a saída de André Silva. Que até poderá ser Aboubakar, se olharmos para os números do avançado dos Camarões na última temporada.
Os números da última época são, de facto, apetecíveis para o consumar do regresso de Aboubakar ao Dragão. O camaronês esteve em bom plano na seleção onde conquistou o estatuto de titular indiscutível, mas também no Besiktas, a tal ponto que o clube turco o queria manter na próxima temporada, só que não avançou com valores suficientes que permitiriam a transferência (10 milhões de euros) e deixou passar o prazo para exercer a opção de compra, pelo que Aboubakar vai ter de regressar à base. Tem contrato com o FC Porto até 2018, que detém 37,5 por cento do passe do jogador, com os restantes 62,5 a pertencerem aos franceses do Lorient.
A participação de Aboubakar na Taça das Confederações foi igualmente bem sucedida. O avançado dos Camarões foi um dos totalistas, somando 270 minutos, tendo chegado às meias-finais da prova. No jogo de domingo, com a Alemanha, na Taça das Confederações, o camaronês marcou o único golo da partida, de cabeça, antecipando-se ao guarda-redes do Barcelona, Ter Stegen. Os números de Aboubakar esta época são elucidativos: 49 jogos e 22 golos, com a particularidade de ter marcado em todas as competições em que participou: Liga dos Campeões (3), Liga Europa (3), campeonato turco (12), Taça da Turquia (1), Taças das Confederações (1), Taça de África das Nações (1) e jogos particulares pela seleção dos Camarões (1).
Apesar dos atributos positivos, Aboubakar e Marega pecarão por algumas falhas técnicas, e até táticas, sobretudo no momento defensivo, não fechando tão bem o corredor central. E têm outro handicap: não triunfaram na anterior passagem pelo FC Porto.
Um regresso a uma casa onde não foram felizes
Aboubakar chegou ao Dragão em 2014/15 pela mão do espanhol Julen Lopetegui e logo distinguiu-se por ser muito possante, rápido e com uma velocidade de ponta alta, mas as dificuldades de vingar tiveram a ver mais com a não adaptação ao estilo “tiki-taka” de Loptegui. Em 14 jogos na Liga marcou apenas quatro golos. Na época seguinte, foi mais utilizado e marcou mais (28 jogos/13 golos), mas com a chegada de José Peseiro começou a ser preterido em detrimento de André Silva, uma aposta do ex-treinador dos dragões, acabando por na última época ser cedido ao Besiktas,da Turquia. Aboubakar chegou a anunciar por mais de uma vez que não voltava ao FC Porto, apontando o dedo a Nuno Espírito Santo. “Não fiquei porque não contava para o treinador”, justificou em setembro do ano passado. Mas com a mudança no comando técnico, as portas do Dragão voltam a estar abertas para o camaronês.
Marega também não foi feliz na sua passagem pelo FC Porto. Contratado ao Marítimo, em janeiro de 2016, após a chegada de Peseiro, este quis fazer de Marega aquilo que ele não é, um extremo desequilibrador e, por isso mesmo, nunca pôde ser usado num esquema que privilegiava pouco as transições ofensivas rápidas. E em 13 jogos apenas fez um golo. Na última época, foi cedido ao Vitória de Guimarães, e numa recente entrevista mostrou-se indignado com a forma como foi tratado por Nuno Espírito Santo na pré-época. Recuperou a confiança na Cidade-Berço, jogando numa posição mais central e mais em contra-ataque e em ‘31 jogos marcou 14 golos, e agora está garantido no arranque da pré-temporada do FC Porto, agendado para a próxima segunda-feira (dia 3).