“Sou sportinguista desde pequeno e serei para sempre”, disse o lateral em 2007, antes de assinar pelos encarnados
Associado ao Sporting nos últimos dias, Fábio Coentrão não joga em Portugal desde 2011, altura em que assinou pelo Real Madrid. Nos ‘merengues’, venceu vários títulos mas nunca se afirmou como titular indiscutível e a sua proponderância tem vindo a descrescer. A isso, juntam-se as várias lesões que o deixaram indisponível durante bastante tempo.
Nesse sentido, o Real Madrid procura voltar a colocar Fábio Coentrão onde ele possa jogar. Já o fez em 2015/16, quando o internacional português foi cedido ao AS Monaco de Leonardo Jardim.
Antes de vestir a camisola dos espanhóis, representava o Benfica, clube onde foi Campeão Nacional em 2009/10. Na Luz, Coentrão era um dos jogadores preferidos dos adeptos encarnados, com a sua forma de jogar raçuda e dedicada, aliada com a qualidade técnica e tática, a cativar os benfiquistas.
Deixou saudades no Benfica e, desde então, assumiu-se como benfiquista ferrenho e sempre que fala do clube não esquece algumas palavras bonitas. No entanto, nem sempre foi assim.
“Hoje sou leão”
Estávamos em 2006/07 quando Fábio Coentrão começava a dar nas vistas na Segunda Liga. Ainda júnior, foi peça importante na campanha do Rio Ave que terminou a uns escassos dois pontos do segundo lugar que dava acesso à subida para a divisão. Pouco demorou até o (então) extremo merecer a atenção de clubes de maior nomeada. Entre eles estavam Sporting e Benfica.
Os grandes de Lisboa entraram numa disputa pelo vilacondense, mas os leões pareciam adiantados na corrida. Em 2007, o jornal ‘O Jogo’ falou com Fábio Coentrão sobre o alegado interesse verde e branco na sua contratação. As respostas, essas, não deixaram dúvidas sobre simpatia clubística do jogador.
“Quando comecei a ver futebol e a ouvir as pessoas lá em casa a gritar quando viam jogos, teria eu quatro ou cinco anos. Toda a gente torcia pelo Sporting. Gritavam quando o Sporting marcava e só se fala nisso. Comecei a interiorizar isso: Sporting, Sporting, Sporting… Já gostava, mas ainda nem sabia bem o que era aquilo. Depois, comecei a gostar de outra forma, criando um amor muito grande pelo Sporting. E hoje sou leão”, admitiu Coentrão à referida publicação.
Mas não ficou por aqui. Depois de admitir que jogaria por qualquer clube sem problema com toda a seriedade, o atual camisola 15 do Real Madrid referiu que seria “para sempre” sportinguista.
“Sou o que sou e digo as verdades. Se algum dia for para o Benfica, ou para outro clube, não vou dizer que deixei de ser do Sporting. Isso é impossível. Não digo isto por o Sporting andar atrás de mim. Sou mesmo sportinguista desde pequeno e serei para sempre. Se for para jogar noutro clube, representarei o emblema com profissionalismo, mas deixar de gostar do Sporting não deixo”, assegurou, afirmando ainda que, se jogasse no Sporting, seria “com amor à camisola”.
“Se é para o Benfica, então vou a correr”
O negócio com o Sporting não se chegou a consumar e o Benfica tomou as rédeas da situação. Pouco depois da declaração de amor ao clube de Alvalade, Coentrão falou do interesse do Benfica e assumiu a vontade de utilizar a águia ao peito.
“Se é para o Benfica, então vou a correr. Não tenho conhecimento do que possa estar a acontecer, mas é claro que o Benfica é um grande clube onde todos querem jogar”, contou ao jornal ‘Record’.
Na mesma altura, e em entrevista à ‘Rádio Linear’, de Vila do Conde, as declarações de Coentrão caíram ainda pior aos adeptos do Sporting e muito bem aos do Benfica, clube de que apelidou como “o melhor português”.
“Quem é que não gostaria de jogar no melhor clube português? Gosto do Sporting, sou do Sporting mas claro que quero vestir a camisola do maior clube do mundo, o que tem mais sócios”.
“Eu gostava do Sporting, mas depois abri os olhos e vi a grandeza do Benfica”
Muito depois, e já enquanto jogador do Real Madrid, Fábio Coentrão voltou a falar do seu passado leonino e da “conversão” afetiva de um lado para o outro da Segunda Circular. Em mais uma entrevista a ‘O Jogo’, o defesa-esquerdo admitiu que precisou de “abrir os olhos” para começar a gostar do Benfica.
“Quando nascemos temos sempre na família adeptos de vários clubes. O meu pai é sportinguista e eu gostava do Sporting, mas depois cresci, fui jogar para o Benfica e aí abri os olhos e vi a grandeza do Benfica”, disse ao jornal em maio de 2013.
“Não posso esquecer a forma como as pessoas do clube me trataram e como fui acarinhado pelos adeptos. Foram todos impecáveis comigo. Tive grandes alegrias e grandes momentos. Foram todos fantásticos comigo e aprendi a gostar do Benfica. Gosto de mais do Benfica”, continuou.
“Em Portugal só jogo no Benfica”
É conhecido o apreço que Jorge Jesus tem por Coentrão (e vice-versa), não sendo por isso de estranhar o alegado interesse do técnico em voltar a ter o jogador na sua equipa. Foi assim em 2015, quando Jesus trocou o Benfica pelo Sporting. Nessa altura, e tal como hoje, falava-se pela imprensa da possibilidade de Coentrão reforçar os leões. Na sua página oficial no Facebook, o ex-Benfica foi perentório na sua declaração.
Vindo de uma família sportinguista, onde aprendeu a gostar do Sporting, Fábio Coentrão tornou-se benfiquista dos sete costados até hoje. A possibilidade de vir para Alvalade não é algo novo, mas pode vir a ser concluída transformada em realidade pela primeira vez.