Portugal
"Existe VAR e árbitros, mas as coisas muitas vezes não têm lógica", diz Jesualdo
Redação
2021-04-15 18:30:00
Treinador afirma que Boavista está "afetado psicologicamente" pelas arbitragens

O treinador Jesualdo Ferreira reconheceu hoje que certas decisões controversas das equipas de arbitragem têm afetado o rendimento do Boavista na I Liga de futebol, na véspera da receção ao Paços de Ferreira, da 27.ª jornada.

“Nunca tive a possibilidade de abrir uma porta para que os meus atletas se escondessem atrás das arbitragens, mas, quando alguns deles expressam que já se sentem um pouco incomodados com o que tem acontecido, percebo que isso teve uma influência muito grande”, frisou o técnico, em declarações publicadas nas redes sociais dos portuenses.

As arbitragens têm sido alvo da contestação do Boavista, que tem o diretor desportivo Fary Faye e o treinador-adjunto Jorge Couto suspensos pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência do empate caseiro com o Rio Ave (3-3).

“A interpretação da lei no futebol português tem uma diferença muito grande na forma como é avaliada. É isto que me preocupa. Existe videoárbitro e árbitros, mas as coisas muitas vezes não têm lógica. Não vamos dizer que os nossos jogadores são agressivos. Se fossem, se calhar teríamos mais pontos, mas também o dobro dos penáltis”, notou.

Jesualdo Ferreira lamentou que os ‘axadrezados’ apenas tenham beneficiado de um penálti em 26 rondas, contra 10 sofridos, numa edição da I Liga em que lideram a tabela de cartões vermelhos, com três admoestados diretamente e quatro por duplo amarelo.

“Ao colocarem-se na posição do treinador e dos jogadores, que, quando veem mais uma expulsão, lembram-se que já jogaram quase 300 minutos em inferioridade numérica, percebem que isso afeta-nos muito psicologicamente, tira-nos capacidade e deixa-nos revoltados. A revolta nem sempre origina grandes performances, mas inibe-nos”, frisou.

Concluindo o tema das arbitragens com um “basta”, o treinador salientou a urgência de “revigorar o espírito” do Boavista, que não vence em casa há mais de um mês e precisa de “muito sacrifício, trabalho coletivo e grande união” para derrotar o Paços de Ferreira.

“A equipa tem consciência das dificuldades e do valor do adversário, mas também sabe que pode e tem capacidade para chegar onde quer. Queremos fazer um bom jogo e repetir aquilo que temos feito em alguns jogos e nos quais as coisas acabaram por ser definitivamente alteradas por uma série de situações que foram acontecendo”, apelou.

Jesualdo Ferreira projeta um jogo repartido com a equipa sensação deste campeonato, cuja luta pelo acesso às provas europeias reflete “rotinas criadas ao longo de dois anos” por Pepa, que o ‘professor’ orientou como jogador ao leme do Benfica, em 2001/02.

“O Paços atesta um pouco a continuidade das pessoas e dos trabalhos. Este ano impôs-se desde o início e a sua classificação é um prémio para jogadores, treinador e clube. Gosto do Pepa como pessoa e treinador, e tenho satisfação em dizer que ele já garantiu um estatuto que lhe permite estar tranquilo a fazer o seu trabalho na I Liga”, concluiu.

O Boavista, 15.º colocado, com 25 pontos, recebe o Paços de Ferreira, quinto, com 44, na sexta-feira, às 18:45, no Estádio do Bessa, no Porto, no encontro de abertura da 27.ª jornada da I Liga, com arbitragem de Tiago Martins, da associação de Lisboa.