Portugal
Euro2016 é 'coroa de glória' da formação das 'quinas'
2021-12-18 10:10:00
Memórias portuguesas após primeiro encontro internacional realizado há 100 anos

A conquista do Europeu de 2016 é a ‘coroa de glória’ da história da seleção portuguesa de futebol, que fez o seu primeiro encontro há 100 anos, mais precisamente em 18 de dezembro de 1921, em Madrid.

O ‘patinho feio’ Éder saltou do banco, talvez apenas porque Cristiano Ronaldo se lesionou muito cedo, e do nada, do meio da rua, aos 109 minutos, ‘inventou’ o golo que valeu a vitória na final do Euro2016 sobre a França, em pleno Saint-Denis.

Em 10 de julho de 2016, Portugal logrou, assim, 94 anos, seis meses e 23 dias após o desaire por 3-1 no particular com a Espanha, o seu grande feito, colocando para trás das costas muitas frustrações, infinitas vitórias morais, o quase.

A ‘pontinha de sorte’ que faltou em outras ocasiões, do Mundial de 1966 e 2006 aos Europeu de 1984, 2000, 2004 e 2012, concentrou-se toda no certame realizado em França e ‘levou ao colo’ o ‘onze’ de Fernando Santos até ao título. E ninguém se importou se Portugal jogou bem ou mal.

O conjunto das ‘quinas’ entrou, finalmente, no lote de vencedores e, desde então, já logrou mais um troféu, sem o mesmo prestígio, mas também importante, a Liga das Nações, em 2019, até porque se tratou da primeira edição.

Em 09 de junho de 2019, desta vez em solo luso, no Estádio do Dragão, no Porto, foi um golo de Gonçalo Guedes, aos 60 minutos, que valeu o troféu à seleção portuguesa de futebol, numa final com os Países Baixos (1-0).

Antes, muito antes dos títulos, a principal formação lusa já há muito tinha deixado a sua marca na história do futebol, face a várias campanhas brilhantes em grandes competições, lideradas por jogadores lendários, mas depois de muitos anos a ‘penar’, longe da elite europeia e mundial.

Portugal, que ganhou pela primeira vez em 18 de junho de 1925, com um golo de João Maia à Itália (1-0), em Lisboa, e, em jogos oficiais, em 27 de maio de 1928, com um 4-2 ao Chile, em Amesterdão, nos Jogos Olímpicos, falhou todas as grandes competições até chegar ao Mundial de 1966.

Quase 45 anos após o primeiro jogo, a seleção lusa, que ficou conhecida com os ‘magriços’, estava, finalmente, num grande palco e não perdeu a oportunidades para encantar, conseguindo um brilhante terceiro lugar, ainda o melhor registo de sempre em Mundiais.

Eusébio da Silva Ferreira foi o maior responsável pelo êxito luso e a grande figura da prova, que terminou como melhor marcador, com nove golos, quatro dos quais no épico 5-3 à Coreia do Norte, após 0-3. Virou ídolo, para todo o sempre, em terras de sua majestade.

Apesar da presença do ‘rei’, cujas lágrimas após o 1-2 com a Inglaterra nas meias-finais ‘correram mundo’, a seleção lusa continuou, depois, a somar ausências, numa altura em que as qualificações em nada se pareciam com as formalidades atuais.

Portugal só voltou em 1984, desta vez para disputar o seu primeiro Europeu, no qual, liderado pela arte de Fernando Chalana e os golos de Rui Jordão voltou a brilhar, caindo apenas nas meias-finais, perante a anfitriã França, no tempo extra. Um 2-3 cruel, que era um ‘doce’ 2-1 aos 114 minutos.

Dois anos volvidos, e após um ‘milagre’ de Carlos Manuel em Estugarda (1-0 à RFA), Portugal voltou a um Mundial, mas era melhor nem ter ido ao México.

A única fase final com Paulo Futre, cuja seleção foi durante muito tempo ‘ele e mais 10’, virou ‘tragédia’ e nem o 1-0 à Inglaterra sobreviveu ao denominado ‘caso Saltillo’, um triste confronto entre dirigentes e jogadores.

As ‘ondas de choque’ deste acontecimento duraram anos e Portugal só regressou a fases finais uma década volvida, no Europeu de 1996, com uma equipa em que se destacavam os elementos da chamada ‘geração de ouro’, os campeões mundiais de juniores de Carlos Queiroz, em 1989 e 1991, craques como Figo, João Pinto, Rui Costa, Fernando Couto ou Paulo Sousa.

Depois de falhar o Mundial de 1998, a seleção lusa passou a ser ‘omnipresente’ em fases finais desde 2000, a começar pelo Euro2000, onde terá brilhado mais do que nunca, até cair perante a França, mais uma vez, nas meias-finais, com um ‘golo de ouro’ de Zidade, de penálti. A mão de Abel Xavier.

Quatro anos volvidos, dois após um Mundial2002 para esquecer, com novos casos de indisciplina, chegou a maior frustração de sempre, a derrota na final do Euro2004, em plena Luz - a Grécia quebrou uma força que ninguém podia parar.

Em 2006, foi de novo a França a afastar Portugal de uma final, desta vez do Mundial.

Cristiano Ronaldo, então um ‘menino’, já foi figura em 2004 e 2006 e, depois, passou a ser quase tudo, a absorver quase tudo, a subalternizar tudo, muitas vezes até a própria seleção, com a sua ‘omnipresença’, os seus impressionantes recordes – vai em 184 jogos e 115 golos.

Sob o comando daquele que foi eleito o melhor do mundo em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017, Portugal acabou por conseguir, curiosamente com ele muito cedo fora da final, lesionado, o título há muito procurado no Euro2016, depois de nova ameaça no Euro2012 (meias-finais).

Curiosamente, a formação das ‘quinas’ celebra esta centenário numa altura de incerteza, em que foi incapaz de somar o empate caseiro com a Sérvia que valeria a presença no Mundial de 2022. Agora, poderá ter de se bater com a Itália.