Rui Vitória não descarta possibilidade de deixar o Benfica em entrevista ao diário espanhol “Marca”
Rui Vitória não fecha a porta a uma eventual saída do Benfica. Em entrevista ao jornal “Marca”, o treinador do clube da Luz afirmou-se preparado para abraçar um novo desafio. “Estou muito feliz aqui, é um clube enorme. Agora se chegar o momento e tiver de ir para fora, como é o caso de Espanha, estarei preparado.” Uma declaração importante do campeão nacional que fala de tudo um pouco. De Grimaldo a Ederson, da formação e da estrutura do Benfica a… Casillas.
O Bancada dá-lhe conta da entrevista ao pormenor.
Grimaldo e Ederson
Numa análise individual, Vitória não se escusou a falar de Grimaldo e de Ederson. Elogiou a “velocidade de execução” do lateral espanhol e “capacidade de concentração” do guarda-redes brasileiro, que, segundo afirma, nasceu “para ter êxito”. “Tem todas as características que o futebol moderno exige, apesar de muitas dessas qualidades não serem visíveis aos olhos dos adeptos. Tem uma capacidade de concentração muito alta e passa do erro ao acerto muito facilmente. Muitas vezes os guardiões de grandes equipas não conseguem esquecer uma falha mas ele consegue. Lida bem com o erro e isso não é fácil. Nunca se desconcentra e assume riscos”
Formação e estrutura
A formação do Benfica está também em destaque, com o treinador a falar da qualidade dos jogadores existentes no centro de estágio do Seixal, “uma garantia de sucesso”. “Tentamos trazê-los o mais cedo possível e incutir-lhes os princípios, valores e filosofia do Benfica. O futuro do clube está garantido com estes jovens”, explicou, admitindo a dificuldade em manter as jovens pérolas, mas esperançado que a situação possa alterar-se: “O nosso objetivo é tentar mantê-los o maior tempo possível e que não sintam necessidade de ir em busca de melhorar as suas vidas noutros clubes.”
Neste contexto, Rui Vitória destaca a qualidade da estrutura benfiquista, que considera das melhores do mundo. “Tudo começa na mentalidade ganhadora do presidente e pela visão que todos os departamentos têm de trabalhar em conjunto, em sintonia. Isto gerou uma organização interna do melhor que há no mundo e dá ao treinador grande estabilidade para trabalhar.”
O plantel
“O Benfica é muito forte”. Com esta frase Rui Vitória resume o que pensa em relação ao plantel benfiquista. “Isto não o digo como treinador da equipa, mas como se fosse um espectador”, sublinha, acrescentando: “Analiso a qualidade do plantel e vejo que está muito equilibrado em todos os sectores. Creio que as outras equipas tentaram estar à nossa altura, mas fomos melhores. O Benfica está no caminho certo e os resultados assim o indicam.”
Liga dos Campeões
Ganhar a Liga dos Campeões é uma espécie de miragem, segundo o treinador do Benfica. “É algo muito difícil porque estamos a falar de realidades muito distintas. Nos ultimos anos, chegaram à final da Champions as equipas mais poderosas a nível financeiro. O dinheiro marca a diferença. Nós temos de trabalhar melhor, descobrir jogadores onde os outros não o fazem. O caminho tem de ser esse, mas não é fácil. Também é preciso ter sorte no sorteio. Nesta altura não há nenhum clube português com capacidade, a nível financeiro, para ombrear com os grandes da Europa.
Casillas
Rui Vitória não se furtou a falar sobre o guarda-redes do FC Porto. Diz que o internacional fez duas boas épocas, sobretudo a última. “Fez duas temporadas muito boas, mas creio que esta última foi melhor. Mostrou sempre uma atitude de grande categoria. Transmitiu qualidade ao FC Porto e, em momentos decisivos, revelou-se muito importante para o clube. Em jogos-cheva, fez defesas que mantiveram o FC Porto perto de nós. Como treinador quero que este tipo de jogadores venham para Portugal. Nós temos o Júlio César. São jogadores que chamam a atenção dos adeptos e que promovem o futebol.”
Mourinho
Rui Vitória diz que recebeu mais influência dos treinadores com quem trabalhou, mas sublinha que José Mourinho é “uma referência para todos os treinadores portugueses.”Conquistou muitos títulos por convicção e levou o nome de Portugal por todo o mundo”, sustenta, completando: “Muitas das coisas que faço como treinador foram coisas que aprendi de outros treinadores e que adaptei à minha realidade. Não tenho uma referência de um treinador em concreto, mas estou muito atento a tudo o que os meus companheiros de profissão fazem.”