Portugal
“Este Governo está a matar o desporto”, critica Pinto da Costa
Redação
2021-03-30 22:25:00
Presidente do FC Porto repete críticas ao executivo, pela forma como está a lidar com a pandemia 

Pinto da Costa concedeu uma entrevista aos canais do FC Porto, onde repetiu críticas ao Governo, transmitindo preocupação relativamente ao facto de os clubes não poderem abrir as bancadas ao público, mesmo com restrições. “Este Governo está a matar o desporto”, resumiu. 

O dirigente compreende que a prioridade deve ser a proteção da saúde das pessoas, durante a pandemia, mas considera que o executivo tem as prioridades invertidas. E dá como exemplo a questão da centralização dos direitos televisivos. 

“O secretário de Estado do Desporto só tem uma preocupação, que é a centralização dos direitos televisivos, um negócio para 2028. É lamentável que o Governo defina estas prioridades sem sequer ouvir os clubes, como se os clubes não tivessem de sobreviver até essa data. É o país que temos. São os governantes que temos...”, lamenta.   

Para Pinto da Costa, é “incompreensível” que se mantenha a interdição de adeptos nas bancadas, “não só no futebol, como nas restantes modalidades”. “Num pavilhão com capacidade para 5000 pessoas, não podem estar 200?”, questionou, lembrando que “há espetáculos em recintos fechados com um terço da lotação”. 

O líder dos azuis e brancos lembrou que houve ensaios em jogos, com adeptos, e que “toda a gente disse que correram bem”. Assim, não compreende a inversão da estratégia e o fecho dos espaços, de novo.

Perante este quadro, o “FC Porto sofreu um prejuízo enorme”, que se explica sobretudo com a interdição do Estádio do Dragão e a ausência dessa receita.

"Tivemos prejuízos que rondam os 27 milhões de euros, num ano. Para um clube de futebol, isto é trágico”, lembrou, para voltar a atacar os impostos pagos por ano – “mais de 40 milhões de euros”, mais “sete milhões” de euros à Segurança Social. “Acresce que o Estado mantém o seu cariz lamentável de caloteiro e continua sem devolver o IVA que nos é devido e que deveria ter sido pago no ano passado”, recordou, reiterando uma crítica já apontada recentemente.  

“Trata-se de alguns milhões de euros que nos fazem muita, muita falta, que são fundamentais para podermos cumprir com as nossas obrigações. E sem pedir ajuda a quem quer que seja. Não só não tivemos qualquer apoio, como nos tentaram, aparentemente, asfixiar, não devolvendo dinheiro que nos pertence”, concluiu Pinto da Costa.