Portugal
"Jesus esperava mais do Gonçalo, mas os adeptos também esperavam mais do Jesus"
Redação
2020-11-24 18:30:00
Toni critica palavras de Jorge Jesus sobre Gonçalo Ramos e cita a ideia do técnico sobre as expectativas

Toni criticou as palavras de Jorge Jesus relativamente à exibição de Gonçalo Ramos, no sábado. Na conferência de imprensa após o encontro com entre o Benfica e o Paredes, a contar para a terceira eliminatória da Taça de Portugal, o técnico encarnado revelou que "esperava mais" do jovem avançado. 

Nesta segunda-feira, no programa Futebol Total, o antigo treinador do Benfica recorreu à mesma ideia, para a aplicar às exibições do clube da Luz. "Esta coisa do esperar mais... Jesus esperava mais do Gonçalo, mas os adeptos do Benfica também esperavam mais do Jorge Jesus", dispara Toni, que sustenta a sua ideia nas fracas prestações no campeonato, na Taça de Portugal e mesmo nas competições europeias.

Numa análise ao que tem sido a temporada das águias, Toni vê jogadores com grande capacidade a disfarçar problemas de um coletivo que tem problemas para resolver, sobretudo no meio-campo.

"Em termos exibicionais, o que é o jogo do Benfica? São exibições cinzentas que os 'Darwins' disfarçam... O Benfica está em construção. Até agora, usou 31 jogadores e não há uma dupla formada para o meio-campo", aponta, destacando as diversas alternativas que Jorge Jesus tem testado, sem ter ainda encontrado a dupla ideal.

"Na frente, não há problemas. Temos Waldschmidt, Darwin, Rafa e Everton. No meio-campo, vai rodando. Os centrais mantêm-se. Mas a ideia de jogo do Jesus ainda não chegou. O importante é ver que Benfica temos tido, em termos exibicionais. Esta prestação com o Paredes vem na linha das anteriores", defende.

Relativamente a Gonçalo Ramos, Toni considera que a titularidade diante do Paredes não pode ser considerada uma verdadeira oportunidade, até porque o técnico apostou em segundas e terceiras linhas, incluindo Ferreyra e jogadores da equipa B.

"Aquilo que eu achava uma oportunidade era o Gonçalo Ramos entrar com os habituais titulares do Benfica. Jogar com o Paredes, que tem bloco muito baixo, jogar ao lado do Ferreyra, numa equipa onde só o Pizzi tem sido titular, considerar isto uma oportunidade não está correto", afirmou Toni, naquele programa.

Toni também não compreende a opção de retirar Gonçalo da equipa B, onde jogava regularmente numa equipa que conhecia melhor, para integrar o plantel principal, onde raramente sai do banco e não tem verdadeiras oportunidades para mostrar valor.

"A não ter lugar na equipa principal, era preferível, nesta altura, ele jogar na equipa B. Era melhor, em vez de estar na equipa principal, onde jogou apenas 10 minutos, tirando este jogo da Taça", defendeu o antigo técnico encarnado.

A exibição menos conseguida diante do Paredes tem diversas atenuantes, segundo Toni. Desde logo o facto de os habituais titulares terem ficado de fora: Jorge Jesus promoveu uma 'revolução' no onze. Acresce que Gonçalo Ramos não tem tido minutos de jogo, desde que saiu da equipa B.  

"Tirando os sub-21, há quanto tempo Gonçalo não jogava? E depois toda uma equipa que aparece ali com jogadores que não costumam ser titulares. O Cervi há quanto tempo não jogava? O meio-campo, o lateral-esquerdo, tudo jogadores que não costumam jogar...", resumiu Toni, que traça um paralelo com o Sporting.

Rúben Amorim colocou jovens da formação, mas numa estrutura com os elementos-base. "Ao contrário do Sporting, que manteve aqueles cinco, e todos os outros dominavam os princípios que existem, aquela equipa do Benfica parecia que se tinha juntado naquele dia, para jogar com o Paredes", compara o técnico.

As palavras de Jorge Jesus devem servir de "alerta para o Gonçalo", mas "o mundo não acabou". "Só tens um caminho, que é continuar a trabalhar. O importante é: quando se falar numa oportunidade, é numa oportunidade dada para jogar numa equipa que tem uma base criada. E a resposta dele será diferente", conclui Toni.

No mesmo programa, Rui Águas também não concordou com as palavras de Jorge Jesus e foi mais longe: "Parece que Jesus ficou satisfeito que o rapaz não tivesse dado certo".