Portugal
“Era bom que Pinto da Costa voltasse ao negócio de eletrodomésticos que faliu"
2020-10-23 10:15:00
Barbosa da Cruz diz que palavras do presidente do FC Porto são “extremamente chocantes”. E responde na mesma moeda

As declarações de Pinto da Costa sobre Frederico Varandas – depois das queixas do presidente do Sporting relativamente à arbitragem no clássico entre FC Porto e Sporting – geraram uma reação dura de Carlos Barbosa da Cruz, antigo dirigente leonino e comentador do grupo Cofina.

O líder do FC Porto, recorde-se, considerou, numa entrevista ao Porto Canal a partir de Manchester, que “Varandas presta um grande serviço ao Sporting quando se dedicar à medicina”, considerando ainda que o presidente do emblema de Alvalade foi o grande beneficiado do ataque a Alcochete.

“A grande maioria das pessoas que foram a Alcochete era gente de bem. A invasão a Alcochete - um dia negro na história do futebol português - só teve um beneficiado: o atual presidente do Sporting, porque era médico do clube que depois apareceu como candidato e que depois lançou o ataque à Juve Leo. Em qualquer claque do mundo há gente má e gente de bem, como entre as pessoas que foram a Alcochete também havia. Lamento ver que um candidato transforme essa claque, a quem os clubes tanto devem, um inimigo, persegui-los e quase que fossem condenados”, disse ainda Pinto da Costa, numa alusão ao corte de relações entre o Sporting e a Juve Leo e ao processo que levou elementos dessa claque aos tribunais.

Carlos Barbosa da Cruz manifesta-se indignado com estas declarações: “Devo dizer que este tipo de declarações me incomoda profundamente. São declarações extremamente maldosas, extremamente injustas, extremamente chocantes”. O outrora dirigente do Sporting viaja na história para lembrar o modo como o dirigente portista chegou ao poder, no clube da Invicta.

“O Jorge Nuno Pinto da Costa esquece-se que também era seccionista de futebol. E foi através de uma manobra que urdiu com o plantel que conseguiu a demissão do presidente Américo de Sá. E depois foi eleito presidente do FC Porto. Todos começam por algum lado…”, começou por dizer, nesta quinta-feira, num programa de debate desportivo da CMTV.

Para o antigo dirigente do clube leonino, “o facto de Frederico Varandas ter começado como médico do clube não é nenhum handicap”. “Pelo contrário: deu-lhe alguma experiência”, complementa. Mas há questões pessoais que não deveriam ser introduzidas. Mas uma vez que Pinto da Costa as introduziu, Barbosa da Cruz responde na mesma moeda.

“Acho de péssimo mau gosto introduzir conotações de natureza pessoal como dizer ‘ele que volte a ser médico porque será melhor médico que dirigente’. Claro que Frederico Varandas é uma pessoa bem-educada, mas apetece-me dizer que era bom que Pinto da Costa voltasse ao seu negócio de eletrodomésticos que conseguiu falir nos anos 80, antes de ser presidente do FC Porto”, acusou.

O antigo dirigente do emblema de Alvalade assume que “este género de afirmações não leva a lado nenhum”. Pelo contrário, Carlos Barbosa da Cruz defende que o esforço de libertar os clubes das chantagens das claques deveria unir os dirigentes.

“Se o que aconteceu em Alcochete tivesse ocorrido no Olival, eu queria ver se o presidente do FC Porto falava de alto e com esta benevolência, relativamente a essas claques”, afirma Barbosa da Cruz, que aponta outras críticas a Pinto da Costa.

“Em vez de perceber que os clubes têm de encetar e articular um movimento para libertar o futebol dos excessos das claques, que são comuns a todos, Pinto da Costa sente-se no direito de criticar o que o Sporting tem feito para se libertar da pressão, do peso, da chantagem, das agressões que as claques praticam. Eu só tenho uma palavra para definir este tipo de declarações e afirmações do presidente Pinto da Costa. E essa palavra é ‘lamentável’”, concluiu, enfatizando esta última palavra, sílaba a sílaba.