Portugal
“Equipa que mais dificuldades nos criou foi o SC Braga” 
Redação
2021-03-29 23:00:00
Paulo Sérgio, treinador do Portimonense, elogia dinâmicas da formação orientada por Carlos Carvalhal 

O treinador do Portimonense, Paulo Sérgio, elegeu hoje o SC Braga como a equipa melhor trabalhada na I Liga, em virtude das “dinâmicas muito difíceis de travar”. Convidado do Futebol Total, programa do Canal 11, o técnico fez uma vénia ao trabalho de Carlos Carvalhal, no comando dos arsenalistas. 

A equipa que mais dificuldades nos criou, a mais difícil de defender, a mais criativa, foi o SC Braga. E digo isto sem tirar mérito a nenhuma das outras. O SC Braga é uma equipa com um modelo, com dinâmicas difíceis de travar. Quando as coisas saem, é uma equipa difícil de parar. Os outros adversários são mais óbvios, não têm essas dinâmicas tão imprevisíveis”, referiu. 

Num olhar sobre o futebol português, Paulo Sérgio – que passou pela Escócia, Roménia, Chipre, Irão e pela Arábia Saudita, antes de regressar ao futebol português e de orientar o clube de Portimão –, elogia os seus colegas de profissão e também a qualidade crescente dos jogadores da I Liga.  

“Cada vez temos melhores treinadores. As equipas portuguesas estão cada vez melhor trabalhadas. Depois, há investidores que trouxeram para Portugal jogadores de grande qualidade. Estas são as maiores diferenças que encontro, desde que estou a trabalhar em Portimão. E a exibição de ontem, dos sub-21 mostram muitos jovens com enorme qualidade”, enfatiza. 

Paulo Sérgio fez ainda uma pequena viagem pela carreira, que sofreu um ponto de viragem em Alvalade, o que colocou o técnico perante um dilema. 

“A minha carreira estava de vento em popa até chegar ao Sporting. Depois, as coisas não correram como eu desejaria. Eu tinha duas opções. Uma delas era aquilo que o Paulo Fonseca fez, voltar a um clube de menor dimensão para depois dar dois passos à frente [Paulo Fonseca treinou o Paços depois de orientar o FC Porto]. Ao Paulo correu-lhe lindamente. Mas apareceu-me um convite para treinar no estrangeiro, que era financeiramente apelativo”, recorda. 

“A carreira não se programa. As coisas foram surgindo, eu não tinha ninguém a tratar da minha carreira. Para singrar, é necessário um conjunto de situações que não encontramos. Honestamente, não me arrependo de nada e tenho orgulho no caminho que tenho trilhado. Sou feliz a fazer o que faço e tenho jogadores felizes à minha volta, algo que me alimenta, todos os dias”, diz, recordando clubes instáveis, sobretudo na Arábia Saudita. 

“O trabalho que fiz no Irão foi muito bem conseguido. Não me passa pela cabeça regressar, mas as coisas correram bem. Na Arábia Saudita, mesmo com bons resultados, acharam que era melhor mudar de treinador... São coisas que não têm nexo. São mercados apelativos financeiramente, mas que saem da lógica”, resume. 

Num olhar à temporada do Portimonense, Paulo Sérgio destaca a competitividade da I Liga. E com ironia, a brincar, diz até que pode “sonhar com a Europa”, dadas as curtas distâncias entre as equipas do principal escalão. Essa proximidade entre os projetos deixa qualquer treinador “sem sono”. 

Estamos dentro daquilo que eram as expectativas. Estamos a três pontos do último classificado e a três pontos do décimo. Ninguém dorme tranquilo. Há muita competitividade na I Liga”, conclui.