Portugal
“Entrámos no Sporting em nono lugar. Não havia espaço para experiências”
Redação
2021-04-01 17:15:00
Jorge Silas elogia trabalho de Rúben Amorim, mas lembra que entrou em Alvalade “num contexto diferente” 

O treinador do Famalicão recuou no tempo, no Futebol Total desta quarta-feira, e recordou a sua passagem pelo Sporting. Confrontado com o sucesso desportivo de Rúben Amorim, que surge depois de uma forte reestruturação no futebol dos leões, Jorge Silas elogia o trabalho do atual treinador leonino, mas recorda que o contexto atual é diferente.

Houve uma abordagem muito diferente ao mercado [nesta época]. E no passado havia uma política de empréstimos. Na última semana de mercado, eu ainda não estava lá, mas o Sporting perdeu Bas DostRaphinha, o Diaby... Os jogadores que vieram não se confirmaram como substitutos à altura. Nesta época, a abordagem ao mercado foi completamente diferente”, destaca Silas, numa alusão aos reforços contratados pelo Sporting, que se revelaram verdadeiras mais-valias. 

Outra diferença forte prende-se com a “densidade” de jogos que o Sporting tinha, na altura, o que contrasta com a atual, em que Rúben Amorim, afastado das competições europeias e da Taça de Portugal, pôde concentrar-se quase exclusivamente no campeonato.  

“Depois, há a densidade de jogos que o Sporting tinha e que, nesta altura, não tem. Nós entrámos com jogos da Liga, da Liga Europa... E eu lembro-me que entrámos em nono lugar. Não havia espaço para experiências”, afirma Silas. 

A aposta na ‘cantera’, imagem de marca de Rúben Amorim, também foi feita por Silas. No programa do canal 11, o técnico fala na terceira pessoa, ao enumerar os jogadores que foi buscar à formação. “O Silas colocou o Pedro Mendes, o Silas colocou o Rodrigo Fernandes, o Camacho, o Maxi, o Plata... Colocámos aqueles que estavam mais perto de nós”, lembra.  

Não se pode olhar aos jogadores em que não apostámos, porque houve outros em quem apostámos”, reforça o ex-técnico do Sporting, que, por outro lado, destaca que foi criticado por lançar jogadores da formação. 

Até me lembro de um jogo em que nós, já apurados na Liga Europa, apostámos em miúdos e perdemos. E fomos criticados por isso, quando já estávamos qualificados. Se tivéssemos ganho, era muito bom pôr miúdos, mas como perdemos, fomos criticados”, recorda Silas. 

No caso de Nuno Mendes, jovem que se tornou num titular indiscutível e chegou a internacional, chamado por Fernando Santos, Silas refere que o Sporting, na altura, tinha um defesa esquerdo argentino que era incontestável, que nenhum sportinguista ‘ousava’ colocar em causa. 

“Se o Acuña tivesse saído em janeiro, o Nuno Mendes iria jogar. Não tenho dúvida nenhuma. O problema foi que o Acuña não saiu. E todos os sportinguistas reconhecem que o Acuña tinha valor. Mas quem é que colocou o Maxi a jogar? Fomos nós, assim como o Pedro Mendes, o Plata, o Camacho. Fomos nós que lançamos. Todos os jovens que estavam mais perto de nós”, reforça. 

Jorge Silas, técnico de 44 anos que está de regresso à I Liga, ao serviço do Famalicão, treinou o Sporting na época 2019/20. Deixou o clube de Alvalade precisamente após uma derrota em Famalicão. 

Foi o próprio Silas que confirmou que Rúben Amorim iria ser o seu sucessor, quando o atual treinador ainda orientava o SC Braga e já era dado como técnico do Sporting.