Portugal
"Em alguns casos a Justiça é célere"
2023-05-17 10:45:00
"Numa Justiça que demora dez ou dois anos numa ação de despejo, de repente, nisto está tratado num instante"

Antonio Adán foi expulso na última jornada contra o Marítimo mas ainda não está colocada de parte a sua possível utilização no dérbi contra o Benfica, em Alvalade, no próximo domingo, se o departamento jurídico dos leões conseguir convencer os tribunais até à hora do jogo.

O caso Adán faz recordar outros casos em que o Sporting, apesar de ter jogadores suspensos por castigo, conseguiu que estes fossem e jogo imediatamente na jornada seguinte, com natural mediatismo para Palhinha quando, há poucas temporadas atrás, viu um quinto amarelo no Bessa diante do Boavista mas acabou por jogar contra o Benfica na jornada seguinte, não tendo cumprido um jogo de suspensão.

Para Pedro Henriques, antigo jogador de futebol, "em Portugal, a ideia que dá é a de que os jogadores, fundamentalmente se forem das equipas grandes, cumprem o castigo quando quiserem".

"Se o jogo a seguir for com uma equipa mais ou menos, mais fraca, OK, cumprimos já. Até cumprimos sem sair o castigo", observou o ex-futebolista.

Só que os casos mudam de figura, relata Pedro Henriques, quando os jogos têm outro tipo de impacto na teoria. "Quando o jogo é importante metem-se aquelas coisas".

"Vai ao Tribunal Administrativo do Sul ou do Norte ou das Beiras ou uma coisa qualquer das Filipinas. Está lá um juiz, numa Justiça que demora dez anos ou dois anos numa ação de despejo de uma casa, de repente, quando é isto está tratado num instante".

"Em alguns casos a Justiça é célere", salientou Pedro Henriques, que falava em declarações na Sport TV, lamentando que a Federação Portuguesa de Futebol e outros órgãos do futebol nacional continuem a permitir tais situações.

"A Federação Portuguesa de Futebol acha que isto é normal, os árbitros acham que isto é normal, desautorizar a palavra do árbitro como autoridade, portanto isto é tudo normal, estes caldinhos, estas confusões e andamos nisto todos os anos", concluiu.

"Parece-me complicado"

Professor de Direito Desportivo da Universidade de Lisboa, Lúcio Correia alerta que há um "problema de timing" que poderá não permitir a Adán ir a jogo.

"Parece-me complicado que tudo esteja resolvido num curto prazo de tempo, mas vamos ver", admitiu o especialista em Direito do Desporto, em declarações ao jornal A Bola.

Adán tem sido dono e senhor das redes leoninas ao longo das últimas épocas. Nesta temporada, Franco Israel rendeu Adán quando o espanhol esteve indisponível, sendo que diante do Marítimo acabou o avançado Paulinho a defender a baliza do Sporting.