Portugal
"Densidade competitiva destas datas internacionais é absurda"
2021-09-02 18:45:00
Pinto da Costa critica pausa para as seleções, com jogos a "menos de 48 horas" dos compromissos no campeonato

O presidente do FC Porto assina o habitual editorial da edição deste mês da revista Dragões, onde enaltece o comportamento do clube no mercado de transferências, ao mesmo tempo em que lança críticas à pausa para as seleções, em vésperas de compromissos importantes para os clube.

"Ao longo de uma época de futebol, todos os meses são importantes, mas setembro tem várias características especiais: é o primeiro mês em que o mercado de transferências de jogadores já está fechado; é, também, o mês da primeira paragem para jogos das seleções nacionais; e é, por fim, o mês em que arrancam as grandes competições europeias de clubes. Todos estes aspetos têm muita relevância e podem ter um impacto grande no que se vai passar até maio", enquadra o responsável portista.

"Em relação ao mercado, há alguns pontos positivos a destacar", assinala ainda Pinto da Costa, lembrando que o FC Porto contratou cinco jogadores (Fábio Cardoso, Wendell, Grujic, Bruno Costa e Pepê) e "reforçou a profundidade do plantel" em posições que Sérgio Conceição "considerava importante melhorar".

Pinto da Costa realça também a "capacidade" do clube em "resistir ao assédio" de clubes "financeiramente mais poderosos". E cita dois futebolistas: Otávio e Luis Díaz. Rebatendo ofertas, os dragões evitaram "diminuir a competitividade do plantel".

Em paralelo, lembra o presidente do FC Porto, os vice-campeões nacionais emprestaram jovens "em que deposita grandes expectativas para o futuro, concedendo-lhes a oportunidade de jogarem mais e crescerem". "Acredito que no arranque de 2021/22 estamos mais fortes do que no encerramento de 2020/21, e isso é obviamente positivo", aponta.

Fora do âmbito do mercado, o dirigente tece uma crítica ao calendário, em particular a uma paragem para compromissos de seleções após quatro jogos da I Liga. "Não é nada positivo que, com apenas quatro jornadas disputadas, o nosso campeonato tenha de ser interrompido para serem realizados jogos de seleções nacionais", lamenta.

"A densidade competitiva destas datas internacionais é absurda – cada equipa joga três vezes no espaço de uma semana – e os interesses dos clubes, que são quem paga aos jogadores, não estão salvaguardados. É incompreensível que haja atletas a representar equipas nacionais menos de 48 horas antes de terem compromissos importantes ao serviço dos clubes", escreve também Pinto da Costa.

E o dirigente aponta o dedo à Liga e à Federação, por não tomarem posições que defendam os clubes: "É ainda mais incompreensível e inaceitável que as instituições que governam o futebol e que deviam ter a preocupação de zelar pela qualidade das competições nada façam para tentar pôr cobro a isto. Essa é a realidade em Portugal, mas mesmo aqui ao lado, em Espanha, o cenário é bem diferente, com a liga a enfrentar a FIFA em tribunal, a conceder apoios aos clubes e a adiar os jogos das equipas mais prejudicadas pelas seleções".

Recorde-se que o FC Porto defronta o Sporting, na próxima jornada, sendo que a maioria dos habituais titulares de Sérgio Conceição estão ao serviço de diferentes seleções nacionais, o que complica a tarefa de preparação do clássico.

"Claro que estas dificuldades não beliscam a ambição com que enfrentamos todas as competições em que entramos", complementa Pinto da Costa, que lembra que será agora em setembro que arranca a maior competição de clubes.

"Não abdicamos da intenção de avançar para as fases a eliminar. É um desafio à altura da nossa história, desde há muito repleta de grandes momentos de superação", conclui o dirigente.