Portugal
Confrontos dão razão ao Governo para manter estádios sem público, diz Diamantino
Redação
2021-05-03 20:10:00
"Estes também vão aos estádios e metem medo às crianças que vão ao futebol com os pais"

Os desacatos registados esta tarde em Alvalade, com cerca de uma dúzia de elementos, alegadamente afetos à claque do Benfica Diabos Vermelhos, a atacarem elementos da Torcida Verde, voltaram a colocar em cima da mesa o problema da violência no desporto, num momento em que o futebol procura convencer as autoridades de que há condições para permitir que os adeptos regressem aos estádios, atualmente proibido devido às restrições para combater a pandemia de covid-19.

Numa primeira reação aos incidentes, ainda as notícias sobre os confrontos surgiam a ‘conta-gotas’, já Diamantino Miranda, antigo internacional português, alertava para este ‘passo atrás’ no anseio quase consensual de ver o público regressar às bancadas. Com incidentes como o de hoje, o Governo fica com mais ‘razão’ para manter os estádios fechados, enquanto o resto das atividades económicas tenta regressar à normalidade.

“Esta situação só vem dar razão a quem tem alguma preocupação em abrir as portas dos estádios ao público. É verdade que a maioria do público não se porta assim, mas estes também vão aos estádios. E são estes que, muitas vezes, metem medo às crianças que vão ao futebol com os pais, para não falar nestes”, afirmou o ex-jogador.

Num comentário para a CMTV, Diamantino lembrou que os responsáveis governamentais são criticados quando aparecem a explicar a demora no regresso do público aos estádios. Com confrontos como os desta tarde, em Alvalade, fica mais difícil para os responsáveis do futebol português garantirem que é possível os adeptos voltarem em segurança sanitária e... física.

“Há que ter alguma atenção a este tipo de situações e não ficar quase toda a gente ofendida quando surge alguém, principalmente da área do Governo, a dizer que tem que haver alguma preocupação e alguma contenção até as pessoas irem com segurança aos estádios. Esta é uma dessas situações”, insistiu.

De acordo com as primeiras informações, os desacatos registados esta tarde tiveram como protagonistas, alegadamente, elementos de uma claque do Benfica, Diabos Vermelhos, e outra do Sporting, Torcida Verde. Mas no histórico do futebol português há vários episódios de confrontos entre claques, muitos deles previamente organizados, combinados através de redes sociais.

“Não consigo entender este tipo de gente, marcar encontros com esta violência toda. Esta gente não estuda, não trabalha? Como é que se encontram a uma segunda-feira, dia de trabalho e de escola? Encontrar assim uma série de gente para andar à porrada é um bocado esquisito”, acrescentou Diamantino Miranda.

Presente no mesmo programa, também Fernando Mendes repudiou os atos de violência que ocorreram esta tarde, antecipando o que se segue: uma série de “comunicados” a condenar os incidentes, sem que nada mude. “Há quantos anos é que andamos nisto? É comunicados para cá, comunicados para lá...”, lembrou.

Ao falar sobre o caso, o ex-jogador, que passou pelos três grandes, criticação a inação das autoridades.  “Marquem num terreno aberto e matem-se uns aos outros e acaba-se com isto de uma vez por todas. Isto não é a primeira vez, continuam a fazer estas marcações. Alguém tem que pôr mão nisto. A polícia devia estar em cima disto, mas não faz nada, aparece lá depois de eles andarem à porrada uns com os outros. Não faz sentido”, concluiu Fernando Mendes.

Fonte oficial da PSP confirmou à agência Lusa a existência de um “incidente” junto ao Estádio José Alvalade, em Lisboa, mas não adiantou mais informações, referindo que o caso está a ser investigado pelas autoridades.