Álvaro Magalhães e Chiquinho Carlos explicam, ao Bancada, o que é viver penáltis sem os olhos do treinador no relvado.
Na derrota desta quarta-feira, frente ao Sporting, para a Taça da Liga, Sérgio Conceição, treinador do FC Porto, decidiu não ver o desempate por penáltis no relvado, junto do restante plantel e equipa técnica. A opção do técnico não é inédita no futebol português, mas é incomum e causou estranheza, dado que Conceição se mostra sempre muito próximo e defensor dos jogadores. A atitude está certa? Está errada? É indiferente? “São coisas dele”, diz Chiquinho Carlos, ao Bancada, enquanto Álvaro Magalhães assume: “Fiquei admirado e espantado. Foi a primeira vez na minha vida que vi isto. A alguns jogadores pode ter transmitido algum nervosismo“.
Para perceber como é disputar penáltis com o treinador alheado do momento, destacamos dois episódios semelhantes: em 1987/88, na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, Chiquinho Carlos e Álvaro Magalhães foram dois dos jogadores que viram Toni, treinador do Benfica, assistir à derrota com o PSV, nos penáltis, de costas voltadas para o relvado. Mais recentemente, em dezembro do ano passado, Bruno Ribeiro, treinador do Cova da Piedade, não viu a forma como a equipa de Almada eliminou o Marítimo da Taça de Portugal, nos penáltis. Tal como Sérgio Conceição, preferiu sair do relvado.
Terá sido boa ideia, Sérgio?
É abusivo estabelecer uma relação entre a opção de Conceição e a derrota nos penáltis? Sim, é. Mas o certo é que o FC Porto acabou por perder este jogo. Ao Bancada, Álvaro Magalhães explica que esta opção “pode ter transmitido um certo nervosismo aos jogadores” e, se os jogadores do FC Porto viram Conceição sair, “isso pode ter aumentado a responsabilidade”. “O treinador não pode transmitir medo ou receio ao jogador que vai bater um penálti e o Sérgio sabe o difícil que é bater um penálti num momento daqueles“, acrescentou.
Ainda assim, há uma atenuante, que Álvaro subscreve: Conceição regressou ao relvado, no final. Álvaro tem a certeza de que o treinador do FC Porto “não fez aquilo para prejudicar” e que “foi apenas uma reação do momento, diferente do habitual”. “Ele, depois, voltou para o relvado: não deixou a equipa desamparada no final”, alerta.
Quisemos, portanto, saber se a opção de Conceição, mais do que um desconforto pessoal em estar ali a ver os penáltis, poderia ser uma forma de quebrar uma rotina, provocando algum efeito mental nos jogadores. Para Álvaro Magalhães, não é por aí. “Não, porque mais vale não mexer no que é habitual ser feito. Para mexer, pode acabar por ser na negativa”.
Toni não incomodou
Já Chiquinho Carlos, um dos jogadores que, como Álvaro, não chegou a bater um penálti na tal final frente ao PSV, considera que ter um treinador alheado do momento não influencia os jogadores. “Acho que não muda nada“, começou por explicar, ao Bancada, antes de detalhar a situação de Conceição: “Nesses jogos – meias finais e finais – a pressão é sempre elevada e é sempre a mesma: não é por o treinador sair que há mais pressão”. “São coisas dele”, acrescentou.
O ex-jogador recorda ainda o episódio de 87/88, com Toni, remetendo a derrota não para o comportamento do treinador – uma “estupidez que ainda lhe dá mais sofrimento”, segundo Álvaro –, mas para a experiência, ou falta dela, dos batedores dos penáltis. “Os primeiros cinco jogadores que bateram eram experientes nisso e já estavam habituados a isso. O Veloso [jogador que falhou o penálti decisivo] e outros que não chegaram a bater eram menos experientes”.
Recorde o desempate por penáltis perdido pelo Benfica, em 1987/88. A sequência de marcadores foi: Elzo (Golo), Dito (Golo), Hajry (Golo), Pacheco (Golo), Mozer (Golo), Veloso (Falhado).
https://playbuffer.com/watch_video.php?v=GU1HSKRAANAK