Portugal
"Comportamento do Pedro Pinho é censurável, mas a FPF não tem moral para atuar"
Redação
2021-05-03 19:25:00
Octávio Machado lembra o caso de "um jogador que agrediu e agora é vice-presidente"

O comportamento do empresário Pedro Pinho, suspeito da agressão a um repórter de imagem da TVI depois do Moreirense-FC Porto, para a 29.ª jornada da I Liga, gerou uma onda de repúdio geral, sucedendo-se os apelos a uma punição exemplar do empresário, sendo provada a ocorrência dos incidentes que lhe são imputados.

Várias entidades, como o Ministério Público e a GNR, abriram processos de inquérito para apurar o que realmente aconteceu. Foi o caso da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que instaurou um processo disciplinar e suspendeu preventivamente Pedro Pinho. O problema, no entender do ex-internacional português Octávio Machado, é que a FPF “não tem moral para atuar” em casos disciplinares.

Insistindo que Pedro Pinho teve um “comportamento censurável”, o antigo jogador, treinador e dirigente garantiu esperar que a justiça clarifique o que se passou em Moreira de Cónegos, mas criticou a forma como a FPF tem lidado com o caso semanas depois de um gesto polémico por parte do capitão da seleção nacional, Cristiano Ronaldo, que atirou a braçadeira para o relvado nos segundos finais da partida com a Sérvia, por não lhe ter sido validado um golo.

“A FPF não se demarcou do Cristiano Ronaldo. Volto a dizer, por uma questão de princípio: aquilo que o Ronaldo fez não teve, da parte da instituição que ele representava, Federação Portuguesa de Futebol, que é o topo, qualquer reação. A Federação não tem moral para atuar sobre quem quer que seja”, frisou Octávio, num comentário durante o programa ‘Golos’, da CMTV.

Para reforçar que “a Federação não é exemplo para ninguém” ao nível da disciplina, Octávio Machado recuperou a agressão de João Vieira Pinto ao árbitro Angel Sanchez, durante a partida de Portugal com a Coreia do Sul, para o Mundial2002. “Assistimos todos à agressão de um jogador que hoje é vice-presidente da Federação. Nesse aspeto, a Federação Portuguesa de Futebol não é exemplo para ninguém”, insistiu.

Antigo jogador e treinador do FC Porto, Octávio saiu ainda em defesa do clube azul e branco e do seu presidente, Pinto da Costa, que têm sido alvos de algumas críticas pela forma como se têm pronunciado sobre os incidentes envolvendo Pedro Pinho, empresário que fez vários negócios com os dragões, como confirmado publicamente por Pinto da Costa em entrevista recente. “É uma questão de princípio. Não vamos estar agora preocupados sobre quem convidou o Pedro Pinho... Se estava lá é porque foi convidado por alguém. Não sei se tem negócios com o Moreirense, com o FC Porto tem”, comentou.

Questionado sobre as indicações que apontam Pedro Pinho como uma espécie de ‘número dois’ de Pinto da Costa, Octávio Machado assegurou que não têm qualquer fundamento. “Não acredito que o Pedro Pinho seja considerado o número dois, até porque a estrutura do FC Porto funciona de maneira diferente das de Sporting e Benfica. Quando o chefe diz que sim, todos dizem que sim. Podem mandar recados, mas são incapazes publicamente de discordar do que o líder diz”, explicou.

Ainda sobre o jogo em Moreira de Cónegos, Octávio fez questão de elogiar Sérgio Conceição pela forma como “agarrou” o assessor de imprensa, Rui Cerqueira, num momento em que vários elementos do FC Porto manifestavam o seu desagrado ao árbitro Hugo Miguel, logo após o apito final. “Há aqui uma pessoa que tem sido muito apontada pelos comportamentos para com a arbitragem e que neste jogo de Moreira de Cónegos manteve a calma”, finalizou.