O Benfica está a apostar em três caminhos diferentes para chegar ao objetivo anunciado por Domingos Soares de Oliveira
O Benfica quer ser o “clube líder mundial em ciência desportiva” revelou Domingos Soares de Oliveira, o CEO do clube da Luz, à saída de uma sessão de apresentação de projetos de sete “start-ups” que receberam um investimento de 10 mil euros cada por parte do clube da Luz. Este é um dos três caminhos em que o Benfica está a investir com a ambição de liderar na área da inovação no desporto. A contratação de doutorados para o “Benfica Lab” e a parceria com a Microsoft são os restantes.
Programa de investimento em “start-ups”
A apresentação de projetos que decorreu terça-feira no Museu Cosme Damião foi o culminar de um processo que começou há alguns meses, em parceira com a Kick Up Sports. Esta empresa, liderada por João Gonçalo Cunha, antigo CEO da Associação Acredita Portugal, organizou um programa de aceleração de empresas, tendo o Benfica como um dos “founding partners”. Nessa qualidade, o clube disponibilizou as suas instalações, permitiu que as empresas testassem os seus produtos e serviços, e investiu 10 mil euros em cada uma das sete empresas que chegaram ao final do programa, ficando com uma participação de 8% em cada.
Domingos Soares de Oliveira explicou à BTV qual o interesse do Benfica neste projeto. “Não fomos nós os mentores, mas quando a Kick Up Sports apareceu com esta ideia de apoiar “start-ups” com iniciativas no âmbito do desporto, obviamente que aderimos e estamos muito satisfeitos com aquilo que foi feito até agora. Aquilo que eu referi também na altura foi que poderíamos ter aqui algum aproveitamento para dentro do Benfica dos projetos que foram apresentados. Alguns têm adesão à realidade do Benfica, outros não, pois muitos são dirigidos a nível individual. Mas outros têm claramente uma adesão àquilo que é a nossa vivência, a nossa experiência e tenho a certeza de que vamos aproveitar algumas das peças e das matérias que foram aqui apresentadas.”
Das 85 candidaturas, de 14 nacionalidades, ao programa de aceleração, entraram as dez empresas que apresentaram as melhores ideias e projetos para as áreas de Performance Desportiva e Saúde; Ativação de fãs e Entretenimento; e Edifícios Inteligentes e Operações. Dessas, sete chegaram ao final do programa e apresentaram ontem os seus projetos, com o objetivo de angariar mais investidores.
Durante 12 semanas, as empresas foram acompanhadas e receberam formação nas instalações do Benfica, com o objetivo de “construir, executar e validar o seu modelo de negócios, descobrir a melhor correspondência entre o seu produto e o mercado, e obter financiamento”, segundo anunciou a Kick Up Sports no seu comunicado de lançamento.
As sete empresas apresentaram projetos diversificados, desde aplicações móveis para quem gosta de correr até soluções para organização de torneios e para gestão da comunicação com adeptos, passando também por um sistema patenteado para garantir que as caneleiras não saem do lugar durante um jogo.
Os 16 doutorados do Benfica Lab
Outra das apostas do Benfica passa pela contratação de doutorados para trabalhar no “Benfica Lab”, no desenvolvimento de conhecimento que permita melhorar o rendimento dos atletas do clube. Domingos Soares de Oliveira explicou melhor o projeto à BTV. “Chegamos a ter 16 doutorados a apoiar as nossas iniciativas em termos de “Sports Science”, mas aquilo que queremos fazer agora é trazer mais gente de fora, ou seja, abrir o espaço para termos uma equipa composta por gente que está espalhada pelo mundo. Já temos alemães, já temos americanos a trabalhar connosco, mas queremos ter mais, porque acreditamos muito que um bom investimento em termos de “Sports Science” vai fazer-nos conhecer mais e ser capazes de prever antecipadamente aquilo que vai acontecer e, com isso, melhorar o rendimento dos atletas.”
Parceria com a Microsoft
O terceiro caminho que o Benfica pretende percorrer para chegar à liderança na ciência desportiva está ligada aos parceiros tecnológicos que apoiam o clube. A Microsoft é aquele que assume maior relevância, nomeadamente na área de “data science” ou análise de dados. Todos os aspetos que podem ser monitorizados, desde as horas de sono dos atletas aos registos nos treinos e jogos são estudados com ajuda de tecnologia da empresa norte-americana.
Em maio, à revista “Wired”, o Diretor de Informação do Benfica (CIO), João Copeto, destacava a importância do “machine learning”, que resulta da análise de grandes quantidades de informação. “Todos os clubes procuram modelos preditivos. Temos excelentes modelos para avaliar o ‘stress’ ou a fadiga dos jogadores, mas com ‘machine learning’ podemos ir mais longe nesta análise”, disse o dirigente encarnado.
O objetivo é que, partindo da análise dos dados recolhidos, seja possível fazer previsões quanto a vários aspetos ligados ao desempenho dos atletas e elaborar planos de treino personalizados.
Objetivo: liderança mundial
À BTV, Domingos Soares de Oliveira diz acreditar que FC Porto e Sporting “estão a fazer o seu trabalho nestas áreas”, mas que o Benfica poderá “obter resultados mais depressa”. “Se isso nos permitir estar à frente dos rivais, não colocando enfâse particular em Portugal, mas sim na nossa disputa europeia, claramente que sairemos beneficiados”, concluiu.