Saída de Rúben Semedo pode abrir um vazio raro nos plantéis leoninos desde o início do século
A saída de Rúben Semedo do Sporting para o Villarreal deixou em aberto a vaga ao lado Coates no centro da defesa leonina para a próxima época, mas também faz com que não transite qualquer central com carimbo da formação de Alcochete do plantel da época passada para esta. Um cenário praticamente raro nos plantéis verde e brancos neste século.
Desta forma, Coates, Douglas e Paulo Oliveira são os centrais que transitam do plantel de Jorge Jesus – caso também eles não deixem Alvalade. Nenhum deles foi formado no clube. André Pinto, que vem do SC Braga, já foi confirmado como reforço e é possível que cheguem mais jogadores do exterior para reforçar a posição. De acordo com os últimos rumores, Jesus procura um central canhoto e forte, tendo sido já avançados vários nomes para a posição, desde o francês Mathieu ao brasileiro Dória. Caso a contratação de um central estrangeiro se venha a confirmar, a vida fica ainda mais complicada para a aposta em jogadores vindos da Academia.
Num passado recente o Sporting “lançou às feras” vários centrais oriundos da formação, uns com mais frutos que outros, dependendo da necessidade do clube na altura em que aconteceram. Semedo, Tobias Figueiredo, Eric Dier, Tiago Ilori e Pedro Mendes são os exemplos mais concretos dessa aposta. Contudo, recuando até ao início do século é possível ver sempre um central “made in Alvalade” no plantel.
Só em 2013/14, época em que Leonardo Jardim esteve à frente do clube e onde chegou a promover a estreia profissional de Semedo, não houve uma presença denotada no plantel principal de centrais formados no Sporting. Antes disso e da “fornada” já mencionada, os leões contaram durante quatro épocas e meia com Daniel Carriço, que chegou a ser capitão.
Outro caso de centrais formados nas escolas do clube é Marco Caneira, que, embora não se tenha afirmado no início da carreira em Alvalade, acabou por representar os leões numa fase mais adiantada na carreira, entre 2005 e 2010, com um ano de interrupção pelo meio, quando foi chamado de volta ao Valência CF, após duas épocas de empréstimo.
Nas dez épocas anteriores a Caneira os leões tiveram, então, um dos maiores símbolos da formação em toda a história no capítulo defensivo. Beto chegou à equipa principal em 1996/97, assumiu desde cedo o posto de capitão e só deixou o clube a meio da época 2005/06. Foi o exemplo máximo do central com a “marca Sporting”, que na próxima época poderá ver o seu lugar em risco no plantel.
Três em linha de espera
Caso se venha a confirmar a ausência de um central da formação no plantel leonino em 2017/18 não é, certamente, por falta de candidatos na Academia a preencher essa vaga. Há três jogadores que se destacam dos demais: Domingos Duarte, Tobias Figueiredo e Merih Demirel, este último sendo canhoto. É provável que alguns deles, ou até os três, tenham lugar na pré-época, embora a continuidade seja ainda um cenário difícil de perceber.
Apesar da juventude e pouco experiência, o turco Demiral, de 19 anos, deu nas vistas ao serviço da equipa de juniores, que ajudou a chegar ao título nacional, sendo isso suficiente para reclamar o direito de treinar com a equipa principal no início da época. O mesmo pode dizer Domingos Duarte, que rodou no Belenenses durante toda a época, contabilizando 32 partidas, um golo e algumas exibições de encher o olho.
Mas difícil deverá ser a vida de Tobias, ele que até já fez parte do plantel principal – em 2014/15 foi utilizado em 20 encontros por Marco Silva. No entanto, depois de em 2015/16 apenas ter feito seis encontros pela mão de Jesus, o internacional português Sub-21 esteve emprestado na última época ao Nacional, numa aventura que correu aquém das expectativas. Sofreu três expulsões nas 23 partidas em que foi utilizado e não conseguiu ajudar o clube madeirense a evitar a descida à Segunda Liga.