Miguel Batista, jovem emprestado ao Nogueirense, foi quem viveu a situação mais complicada.
O CD Tondela foi o clube da Liga Portuguesa que viveu mais de perto a tragédia dos incêndios que continua a afetar o clube, que ainda não pôde treinar no relvado. O fogo rondou o Estádio João Cardoso na noite de domingo, ainda que sem causar estragos nas instalações do clube; o capitão de equipa, Ricardo Costa, viveu momentos de aflição na unidade hoteleira onde vive, mas quem viveu a situação mais difícil foi Miguel Batista, jovem guarda-redes emprestado ao Nogueirense.
O diretor de comunicação do clube, Vítor Ramos, revelou ao Bancada que Miguel Batista, de 22 anos, foi quem “em termos familiares viveu um drama maior, com perda de bens, alguns carros, e com a casa bastante ameaçada e com danos também. Apesar de não ter ardido por dentro, por fora ficou um pouco mal tratada. Foi a situação mais complicada” e que, infelizmente, foi comum a muitos habitantes da região.
Vivemos algo tremendamente horrível em Tondela! Mas vamos reerguer-nos juntos de mais esta tragédia! #Incendios pic.twitter.com/WleSi7BkhP
— CD Tondela (@CDTondela1933) 16 de outubro de 2017
À espera de poder treinar
Apesar de os incêndios já estarem controlados por esta altura, o CD Tondela continua a sentir as suas consequências, dado que o ar “irrespirável” não permite treinar. Por isso, esta terça-feira, os jogadores realizaram exercícios… nos corredores no estádio, como foi possível ver num vídeo divulgado pelo clube nas redes sociais.
“Não é propriamente um treino, mas, sim, foi nos corredores e, naturalmente, ginásio, bicicleta, etc. mas para fazer velocidade usou-se os corredores”, explicou Vítor Ramos que não sabe se a equipa poderá treinar amanhã. “Estamos na expetativa, até por causa do jogo de domingo [frente ao Belenenses]. Nós ontem [segunda-feira] já tivemos de cancelar o treino, hoje tivemos de o adaptar, porque não podíamos estar tanto tempo sem atividade física, já nem é treinar…”. Caso o ar continue irrespirável, o clube não tem alternativas para treinar porque “toda a região está assim. Ou íamos treinar para Lisboa ou para Madrid… até o Porto estava irrespirável”, explicou o dirigente do clube.
Com o ar irrespirável e sem condições para treinar! pic.twitter.com/nDFgR2iVE4
— CD Tondela (@CDTondela1933) 17 de outubro de 2017
Mas a situação está a melhorar. De acordo com a Monitar, uma empresa relacionada com projetos de Engenharia do Ambiente, “a concentração de partículas na atmosfera (PM10) no Município de Viseu atingiu os 580 mg ug/m3 pelas 21h” de segunda-feira e, às 6h, de terça-feira, o valor registado já tinha descido para 94 ug/m3. Ainda assim, segundo a Monitar, “o valor limite de exposição diário é de 50ug/m3”, o que justifica que o plantel do CD Tondela tenha ficado pelo ginásio e… pelos corredores.
O CD Tondela recebe o Belenenses no domingo às 16h e, sem ficar indiferente ao drama vivido pela população da sua região, o clube anunciará em breve que ações tomará. “Para já estamos todos ainda a recuperar”, disse Vítor Ramos.