O Bancada falou com quem trabalhou com o avançado chileno que está em Lisboa para assinar pelas águias
Está em Lisboa para reforçar o Benfica, mas pouco se sabe sobre Nicolás Castillo. Quais serão as características do avançado que custará cerca de seis milhões de euros aos cofres da Luz? Pois bem. O Bancada foi tentar saber mais sobre o avançado chileno que aterrou em Portugal para assinar com as águias e falou com Mario Lepe, um dos primeiros treinadores de Castillo, jogava ainda na Universidade Católica, no seu país natal, e com José Andrés Díaz, jornalista mexicano do site “Medio Tiempo”
“É um jogador com um poderio físico assinalável”, começou por dizer Mario Lepe que se cruzou com Castillo em 2012, tinha o avançado apenas 19 anos, mas já dava nas vistas devido às condições mentais que apresentava, mesmo sendo um garoto rodeado por homens: “Surpreendeu-nos pela sua postura. Era um jovem com uma personalidade vincada”, explicou o antigo técnico da Universidad Católica.
Mas José Andrés Díaz alerta para os problemas que surgem da tal “personalidade vincada” de que Mario Lepe fala. “É um jogador muito temperamental e é muitas vezes expulso por reclamar com os árbitros ou por fazer faltas sem sentido. O seu pavio curto joga muitas vezes contra si”, explicou o jornalista mexicano. “É realmente o grande defeito do Nicolás, a sua personalidade. Detesta lidar com os jornalistas, raramente fala para a imprensa”, referiu Díaz.
Uma das principais qualidades de Castillo é, sem dúvida, a sua relação com as balizas adversárias, aliás, nas últimas quatro temporadas Castillo realizou 76 jogos entre a Universidade Católica, do Chile, e o Pumas, do México; e marcou 55 golos. Quisemos saber qual é a forma predileta de Castillo atacar as redes dos oponentes e Mario Lepe deu-nos duas dicas: “é um jogador de remate fácil, que não precisa de muito tempo e espaço para visar a baliza e é muito forte no jogo aéreo”.
José Andrés Díaz corrobora da opinião do técnico: “O Nicolás é um avançado letal. Tem muita potência física e um faro pelo golo muito apurado. Tem a baliza tatuada na mente e com certeza fará muitos golos no Benfica. No entanto, é um atacante que depende muito da equipa, é sobretudo um finalizador, é raro vê-lo a criar oportunidades.”
Pois bem, Castillo é um jogador de área, assim sendo. Mario Lepe confirmou-nos essa tese, “é um jogador que se sente cómodo encaixado no meio dos defesas”, pois, segundo o técnico chileno, “movimenta-se bem com o intuito de enganar a marcação”, explicou.
Ou seja, “é um jogador com faro pelo golo”, assegurou-nos Mario Lepe. A verdade é que Nicolás Castillo já esteve na Europa. As coisas nem lhe correram tão mal quando representou o Club Brugge, da primeira liga belga. Marcou 13 golos em 39 jogos. Um registo respeitável para um jovem sul-americano a experimentar o futebol do velho continente. Mas o que é bom acaba cedo.
Depois da Bélgica, Castillo experimentou a Bundesliga (Alemanha) e a Serie A (Itália) e, para além de ter jogado muito pouco, não conseguiu marcar qualquer golo. Ora bem. Todos nós sabemos o que isso significa para um avançado. Tudo é questionado. A solução encontrada para revitalizar a carreira de Castillo foi fazer com que regressasse ao Chile. E o que é que Castillo fez? Fartou-se de marcar golos: em 31 jogos realizados com a camisola da Universidade Católica marcou 29 golos. Estava consumada a recuperação mental de Castillo.
O passo seguinte de Castillo foi ponderado. Em vez de voltar a uma mudança tão radical, o jogador e os seus representantes optaram por algo menos impactante e o avançado viajou até ao México, onde assinou pelo Pumas. Em duas temporadas realizou 45 jogos e marcou 36 golos.
Resta agora esperar para ver como se vai adaptar Nicolás Castillo à realidade da liga portuguesa com todas as suas especificidades. O avançado que agora chega à Luz já vestiu a camisola da seleção chilena por 12 ocasiões marcando um golo e aos 25 anos vai ter a segunda oportunidade para conquistar o futebol europeu.