Portugal
Bruno de Carvalho ataca Varandas e compara Miguel Braga ao ministro Al-Sahhaf
Redação
2021-03-31 19:50:00
“Gerir à custa do trabalho dos outros torna tudo mais fácil”

Bruno de Carvalho, presidente destituído do Sporting, continua revoltado com a direção liderada por Frederico Varandas devido à apresentação da “Cidade Sporting” e rebateu o argumento invocado por Miguel Braga, o responsável pela comunicação dos leões.

O ex-dirigente, que tem recordado uma intervenção de 2017 em que anunciou a “Cidade Sporting”, evocou o economista e filósofo escocês Adam Smith, considerado o ‘pai’ do liberalismo’, para alegar que há uma “mão invisível” em Alvalade, acusando Varandas de se aproveitar do trabalho deixado pelo próprio Bruno de Carvalho.

“Em Alvalade, o liberalismo atingiu o seu climax com a extensão do conceito da ‘mão invisível’ para ‘trabalho invisível’. Utilizando princípios populares, porque o povo se quer alimentado e feliz na arena de circo, a invisibilidade serve para seguir a velha máxima ‘albarda-se o burro à vontade do dono’. Em Alvalade, abraçando o conceito teórico, defende-se que a invisibilidade é somente o ‘modelo da repetição continua’”, escreveu o ex-presidente do Sporting, num artigo de opinião para o Diário do Distrito.

Uma “repetição” que começou com o “novo projecto de ‘Sócio num Minuto’, que já tinha sido efectivado pela direção anterior em 2014”, e que agora prossegue com o anúncio da inaguração, em maio, da “Cidade Sporting, que foi inaugurada em 2017”.

Esse “modelo da repetição continua” tem vindo a transformar-se, no entender de Bruno de Carvalho, na “marca indelével” que o presidente do Sporting, Frederico Varandas, “quer deixar" em Alvalade, de forma a “substituir, de vez, as teorias da ‘Incontinência da Mentira’ e a muito estudada do ‘Mero Incompetente’”.

Recordando o “conceito de Cidade Sporting” que apresentou “no dia 21 de junho de 2017”, o ex-presidente referiu ainda que a pista de tartan a ligar o Estádio José Alvalade ao Pavilhão João Rocha, que consta no projeto anunciado pela atual direção, “já teria sido feita na altura se a Câmara Municipal de Lisboa tivesse autorizado”.

Entre as críticas a Varandas, Bruno de Carvalho aproveitou para comparar Miguel Braga a Mohammed Saeed Al-Sahhaf, o ministro da Informação no Iraque de Saddam Hussein que ficou famoso à escala mundial por desmentir e menorizar os avanços da coligação internacional na guerra contra o regime iraquiano. Isto porque o diretor de comunicação do Sporting veio dizer que já nos anos de 1980 se falava na “Cidade Sporting”.

“Já veio o Al-Sahhaf de Alvalade dizer que o conceito de Cidade Sporting já era muito antigo e que até tem recordação de existir um bilhete, no museu, com esse projecto, dos anos 80, de João Rocha. Al-Sahhaf deve ir pouco a Alvalade, pois ter recordação de um papel no museu e não ver todos os dias a Cidade Sporting, que já está construída desde 2017, é triste”, comentou.

Ainda com a mira apontada a Miguel Braga, Bruno de Carvalho recuperou a polémica recente em torno de Nuno Mendes, depois do diretor leonino ter dito que o lateral não tinha contrato de formação quando a direção de Varandas tomou posse. “Não é verdade”, já tinha reagido Virgílio Lopes, responsável pela formação na era Bruno de Carvalho.

“Mais uma intervenção ao estilo da ‘herança pesada’, ‘formação ao abandono’, ‘fui a correr comprar colchões’, ou da já mundialmente famosa frase de Al-Sahhaf: ‘Não há tropas americanas em Bagdad’. Diz-se que esta estratégia de ‘sucesso’ é para continuar. Afinal, gerir à custa do trabalho dos outros torna tudo mais fácil”, finalizou Bruno de Carvalho.