Portugal
“Boavista lidera na Europa em vermelhos”. Jesualdo volta à "falta de bom senso"
Redação
2021-04-25 19:25:00
Treinador do Boavista esclarece "constatação" sobre a arbitragem

O treinador do Boavista, Jesualdo Ferreira, insistiu no alerta para a necessidade de haver “bom senso” da arbitragem, que havia feito antes da partida com o Marítimo. “Quando me referia ao bom senso, falava de uma coisa que todos acham que é verdade na nossa vida. Com uma liderança sem bom senso, dificilmente conseguimos juntar. Liderar é juntar e não dividir”, começou por referir o técnico, depois da partida com o Marítimo, que resultou em mais uma derrota para o Boavista (0-1).

“O Boavista vai em primeiro lugar na Europa em termos de cartões vermelhos. Pode-se retirar daí a ideia de que somos uma equipa violenta, arruaceira e que não joga, algo que não é verdade. Tem muito de incompetência nossa, alguma ingenuidade, mas também tem falta de bom senso em determinadas situações. É bom que as pessoas o assumam. Não é uma crítica, apenas e só uma constatação”, sustentou.

Jesualdo Ferreira garantiu que, mesmo que o resultado na partida tivesse sido outro, iria voltar a falar da arbitragem. “Nunca permiti naquela cabine que alguém se escondesse atrás dos árbitros. Nunca o fiz nem nunca o irei permitir. Soam a desculpas fáceis e muitas vezes até dá jeito que o ‘mister’ esteja a falar disso. Se o jogo tivesse corrido desta ou de outra forma, teria exatamente a mesma opinião. Foi apenas uma conversa na tentativa de fazer entender às pessoas que o jogo tem leis e há uma outra, que é o bom senso, tal como em qualquer outra liderança da nossa vida”, insistiu.

Sobre a partida com o Marítimo, Jesualdo reconheceu que o Boavista “não foi capaz de entrar no jogo como desejaria, não agarrou logo o jogo”, o que “deu confiança ao adversário”. “Isso foi decisivo na divisão dos lances e nos espaços perdidos, o que não é normal pela forma como pensamos o jogo”, explicou.

“Não tivemos problemas defensivos na primeira parte, mas não fomos capazes de jogar. Surge então a pergunta que tenho de fazer a mim próprio e aos jogadores: Porquê? Senti que não foram capazes de gerir melhor a ansiedade que tinham, sendo que já não é a primeira vez que isto acontece em casa. Pensava eu que isso já estava ultrapassado pela forma como fomos capazes de fazer os últimos jogos, mas não”, acrescentou.

O problema do Boavista, que foi ultrapassado pelo Marítimo na classificação e caiu para o lugar do ‘play-off’, é a instabilidade. “Acima de tudo, sinto que tão depressa estamos em cima como baixamos logo. Isto só tem a ver com questões de natureza mental e temos de esperar que se estabilize com trabalho. Quando isso acontece, a equipa joga bem e é capaz de obter bons resultados”, frisou o técnico.

“Fica a desilusão, mas também a certeza de que o nosso trabalho continuará com a mesma intensidade e exigência nos cinco jogos que temos. Dependemos de nós e, quando assim é, temos apenas e só de contar com o compromisso de todos”, concluiu Jesualdo Ferreira.