Portugal
“Benfica tem dois presidentes: um formal e outro que se autoproclamou”
2021-07-11 12:25:00
Realidade do clube da Luz após conhecidas as medidas de coação, segundo Rita Garcia Pereira

A advogada Rita Garcia Pereira considera que as medidas de coação decretadas a Luís Filipe Vieira colocam o Benfica num cenário diretivo de dupla liderança, que deve ser clarificado. 

“As medidas de coação não surpreendem”, sustenta a advogada, que explica, em declarações na CMTV, que “a prisão preventiva só pode ser aplicada quando nenhuma das outras fizer sentido”. Rita Garcia Pereira lembra, no entanto, que “não deixa de existir aqui a medida de coação efetivamente aplicada: não obrigação de permanência medida de coação de permanência se prestada a segunda caução de valor mais elevado em Portugal, nos últimos anos”.  

“E isto coloca outro problema”, prossegue. “Vieira suspendeu-se de funções, mas o Benfica tem tecnicamente dois presidentes: um formal, que está proibido de exercer funções, e outro que se proclamou, alegadamente com base numa decisão da direção”, argumenta. 

O líder suspenso do Benfica foi ontem libertado, mediante caução, estando obrigado a permanecer em casa até à prestação dessa caução de três milhões de euros no prazo de 20 dias. Vieira está ainda proibido de sair do país, tendo sido obrigado a entregar o passaporte no prazo de 10 dias. Não pode contactar com os outros arguidos do processo, à exceção do filho, Tiago Vieira. 

No entanto, Vieira também não pode contactar com Nuno Sérgio Durães Lopes, António Rodrigues de Sá e Dantas de Machado (colaboradores de Bruno Macedo), José Gouveia e Diogo Chalbert Santos (ligados à Capital Criativo, sociedade ligada ao seu filho), Vítor Fernandes (novo ‘chairman’ do Banco de Fomento) e qualquer administrador ou funcionário do Novo Banco, bem como qualquer membro da administração da SAD do Benfica, de acordo com o comunicado do juiz, divulgado pelo Conselho Superior da Magistratura. 

Luís Filipe Vieira, de 72 anos, foi a última das quatro pessoas detidas no âmbito da investigação ‘Cartão Vermelho’ a ser ouvida pelo juiz Carlos Alexandre, antes da aplicação destas medidas de coação.

Na sexta-feira, o empresário José António dos Santos foi o primeiro a prestar declarações, durante a manhã, seguindo-se, da parte da tarde, os interrogatórios de Bruno Macedo e de Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), os quatro detidos são suspeitos de estarem envolvidos em “negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades”.

Em causa estão “factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente” e suscetíveis de configurar “crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento”.

Para esta investigação foram cumpridos cerca de 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.