Portugal
Benfica regressa às grandes noites europeias com vitória histórica
2021-09-29 21:50:00
Barcelona derrotado na Luz por 3-0

O Benfica venceu hoje o FC Barcelona por 3-0, na segunda jornada do grupo E da Liga dos Campeões de futebol, vitória cujo segredo esteve na solidez da organização defensiva e na grande segunda parte que realizou.

Os ‘encarnados’ tiveram uma entrada fortíssima no jogo que valeu frutos, com um golo de Darwin Nuñez logo aos três minutos, que viria a revelar-se fundamental para o que aconteceu na segunda parte, com mais dois golos, um de Rafa e outro do avançado uruguaio.

O facto deste golo ter chegado tão cedo forçou o ‘Barça’ a assumir o jogo e a mostrar a sua face mais forte, pondo à prova a organização defensiva do Benfica, mas ao mesmo tempo a um ‘gasto de pilhas’ anormal, do qual viria a pagar a fatura na segunda parte.

Há que dizer que a melhor fase do FC Barcelona, até à meia hora de jogo – começou a quebrar já na fase final da primeira parte – podia ter valido dois ou três golos à equipa catalã, não fosse a falta de eficácia que revelou ao desperdiçar quatro oportunidades soberanas para virar o resultado.

O Benfica passou mal nessa fase, mas não lhe valeu apenas essa ineficácia catalã na definição das jogadas, mas também a consistência da sua organização defensiva, em que sobressaem os três centrais, que são de ‘mão-cheia’ e que aguentaram o barco no meio da tormenta.

O ‘Barça’ podia ter empatado aos oito, 10, 27 e 30 minutos, oportunidades de golo flagrantes perdidas, três delas por Luuk de Jong (em todas foi servido pelo compatriota Frenkie de Jong) e uma por Memphis Depay.

O Benfica foi forçado a recuar as linhas, a defender com cinco unidades, porque o adversário envolvia regularmente seis unidades nas ações ofensivas, que se intrometiam na linha defensiva dos ‘encarnados’ e apareciam na área para finalizar as jogadas, muitas delas cortadas no limite por Lucas Veríssimo, Otamendi e Vertonghen.

Ao recuar tanto no campo, forçando também os médios João Mário e Weigl, além de Rafa, a baixar, o Benfica, quando recuperava a bola, estava a quilómetros da área do FC Barcelona e viveu nesse período crítico de lances de contra-ataque para os ‘abandonados’ Darwin, que muitas vezes também baixava, e Yaremchuk, que é um jogador que não tem características de contra-ataque.

No entanto, o Benfica fez uma grande segunda parte por duas razões: porque o ‘Barça’ perdeu intensidade de jogo devido ao desgaste da primeira parte, na tentativa de reagir ao golo de Darwin, e porque corrigiu um erro que cometeu até ao intervalo.

A equipa estava a permitir que Busquets pegasse na bola que lhe era passada pelos centrais para distribuir o jogo com a qualidade com que o faz, sem que ninguém o pressionasse, mas na segunda parte Rafa ou Darwin ‘caíam-lhe’ logo em cima, a estorvar-lhe a ação.

Por outro lado, a equipa passou a defender em bloco mais à frente, com João Mário e Weigl muito mais agressivos na pressão ao portador da bola, não permitindo, como sucedeu na primeira parte, os passes de rutura para as entradas de trás dos médios ou para os dois avançados.

Daqui resultou que o Benfica passou a conseguir sair com mais frequência e contundência nas transições ofensivas, a recuperar a bola mais vezes e mais à frente, a conseguir ferir a defesa catalã, apanhada inúmeras vezes em situações de dois para dois ou de três para três, e a ameaçar assim o segundo golo, que viria a surgir aos 69 minutos.

Um lance de insistência de Darwin no flanco direito, seguido de cruzamento para a área, resultou numa situação de superioridade numérica do Benfica, com quatro jogadores contra dois do FC Barcelona, o que nunca aconteceu na primeira parte, e no segundo golo, por Rafa, a aproveitar uma sobra do remate de João Mário.

A partir daqui, o ‘Barça’ desmontou-se literalmente, e de nada valeram as entradas um minuto antes de Coutinho, Ansu Fati e Nico promovidas por Ronald Koeman, na tentativa de agitar o jogo ainda antes do segundo golo do Benfica, que ainda viria a chegar ao terceiro, de penálti, por Darwin Nuñez, num lance em que Dest cortou com a mão um cabeceamento de Gilberto, que entrara a render Lázaro à beira do intervalo.

Com este triunfo de hoje, o Benfica subiu ao segundo lugar do grupo E, com quatro pontos, menos dois do que o líder Bayern Munique, que hoje goleou na receção ao Dínamo Kiev, por 5-0, seguido da equipa ucraniana, com um ponto, e do FC Barcelona, que ainda não pontuou nas duas primeiras jornadas.

Jogo realizado no Estádio da Luz, em Lisboa.

Benfica – FC Barcelona, 3-0.

Ao intervalo: 1-0.

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1-0, Darwin Nuñez, 03 minutos.

2-0, Rafa, 69.

3-0, Darwin Nuñez, 79 (grande penalidade).

Equipas:

- Benfica: Vlachodimos, Veríssimo, Otamendi, Vertonghen, Lázaro (Gilberto, 45+1), Weigl, João Mário, Grimaldo (André Almeida, 75), Rafa (Pizzi, 86), Darwin Nuñez (Gonçalo Ramos, 86) e Yaremchuk (Taarabt, 76).

(Suplentes: Helton Leite, Gilberto, Everton, Meite, Pinho, Pizzi, Radonjic, André Almeida, Taarabt, Gedson, Gonçalo Ramos e Morato).

Treinador: Jorge Jesus.

- FC Barcelona: Ter Stegen, Ronaldo Araújo, Piqué (Gavi, 33), Eric Garcia, Sergi Roberto (Mingueza, 89), Busquets (Nico González, 68), Pedri (Coutinho, 68), Frenkie de Jong, Dest, Depay e Luuk de Jong (Ansu Fati, 68).

(Suplentes: Neto, Iñaki Peña, Puig, Ansu Fati, Demir, Coutinho, Lenglet, Mingueza, Umtiti, Nico González e Gavi).

Treinador: Ronald Koeman.

Árbitro: Daniele Orsato (Itália).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Piqué (12), Otamendi (35), Eric Garcia (54 e 87), Rafa (56), Grimaldo (62), Weigl (72), Dest (78) e Nico González (86). Cartão vermelho por acumulação de amarelos para Eric Garcia (87).

Assistência: Cerca de 30 mil espetadores.