Portugal
"Até o barulho da bola a sair da cabeça do Jardel era diferente”
Redação
2021-04-26 18:25:00
João Vieira Pinto numa viagem ao passado para falar de um goleador único 

Quis o destino que um goleador que se destacou no FC Porto e um avançado que brilhou de águia ao peito se juntassem, no Sporting, para formar uma das mais poderosas duplas de ataque. O então camisola 25 dos leões cruzava e o goleador canarinho tratava de fazer o resto. E o resto eram golos, golos e mais golos, que conduziram a equipa de Alvalade ao título, numa equipa que tinha jovens que se afirmavam como Ricardo Quaresma ou Hugo Viana.  

Em 2001/02, sob o comando de Laszlo Bölöni, o Sporting conquistava o segundo título em três épocas. Desde então, um longo jejum leonino, que pode estar perto de se encerrar. 

E 19 anos depois dessa conquista, João Vieira Pinto viaja por essas memórias, num testemunho feito no canal 11O antigo internacional português recorda as virtudes do seu colega de ataque.  

O Jardel é um caso ímpar. Acho que nunca vi ninguém como ele. Nós falávamos todos, uns com os outros, no balneário, e dizíamos: é impressionante, ele está parado e a bola vai ter com ele. Golo? Quem foi? O Jardel. A malta pensava: este gajo é impressionante”, recorda João Vieira Pinto, no programa Sagrado Balneário, apresentado por António Carraça e por Toni. 

“Num jogo com o Gil Vicente, há uma bola bombeada para a área e o guarda-redes prepara-se para agarrar a bola. Nós já tínhamos virado as costas ao lance, para recuperar posição. O guarda-redes larga a bola e quem marca golo? O Jardel. Foi o único que acreditou no lance”, lembra. 

João Vieira Pinto lembra os treinos e lances em que, por culpa do guarda-redes ou dos postes, ninguém conseguia marcar. Exceto Jardel, com o seu dom de estar sempre no lugar certo, à hora certa. “Era incrível. Tinha de ser sempre ele a fazer golo”, recorda. 

Um prodígio na área, a voar entre os centrais, Super Mário tinha, no entanto, outros atributos. “Ele fazia grandes golos e não era só com a cabeça. Fazia também com os dois pés. Eu acho que ele nem tinha a noção, por vezes, da responsabilidade do próprio jogo”, conta João Pinto, enfatizando o modo como a arte se sobrepunha à frieza, nos momentos em que o avançado tem de ser mais frio, procurar a eficácia, e não o grande golo.  

Jardel procurava o grande golo, contra qualquer adversário, em qualquer jogo, em qualquer cenário. “Ele não era assim tão tosco quanto se dizia”, assinala João Vieira Pinto, que termina este testemunho com poesia. “De cabeça, ele rematava como se fosse com o pé. A bola vinha morta e ele rematava como se fosse com o pé. Até o barulho da bola a sair da cabeça dele era diferente”, diz o antigo futebolista. 

E os números de Mário Jardel são impressionantes. Em 581 jogos que realizou, apontou 432 golos. Ao serviço do FC Porto, fez 168 golos, em 175 partidas, e ntre 1996 e 2000Partiu para a Turquia, para representar o Galatasaraymas no final da temporada seguinte regressa ao Sporting. A história é conhecida, mas há números que podem passar despercebidos. Num total de 63 jogos de leão ao peito, Mário Jardel apontou 67 golos.