Portugal
“Aquele jogo em Alvalade mudou a minha carreira”, diz João Vieira Pinto
2021-08-19 17:50:00
Ex-avançado de Benfica e Sporting recorda a partida em que as águias ganharam por 6-3 na casa dos leões

O antigo avançado João Vieira Pinto afirmou que o jogo em que o Benfica venceu o Sporting em Alvalade por 6-3, na temporada 1993/94, foi um ponto marcante numa carreira com passagens pelos dois rivais de Lisboa. No verão do ano 2000, após oito temporadas na Luz, o ex-capitão do Benfica assinaria pelo Sporting, que representaria por quatro temporadas.

“Quando volto de Madrid e jogo esse ano no Boavista [época 1991/92] fizemos uma época extraordinária, ganhámos a Taça de Portugal e ficámos em terceiro lugar no campeonato. Naturalmente que houve interessados na minha transferência, o Benfica, o Sporting, depois o FC Porto entrou também, acho eu, não me recordo bem”, enquadrou João Vieira Pinto, numa visita ao passado no dia em que faz 50 anos.

“Não conhecia a realidade nem de um clube, nem do outro [Benfica e Sporting]. Nunca lá tinha jogado. Fui-me aconselhando com colegas e amigos e acabei por optar pelo Benfica, em boa hora, diga-se de passagem. Os meus primeiros dois anos foram bons, embora o Benfica já estivesse a entrar numa altura complicada”, continuou João Vieira Pinto, em entrevista ao Record.

Nessa altura, “o Benfica ainda tinha grandes planteis”, mas começou a entrar em declínio. “Em dois anos, tive 42 novos companheiros de equipa”, lembrou o antigo capitão das águias. Mas foi também com a camisola encarnada que João Vieira Pinto viveu um dos melhores momentos da carreira, no triunfo do Benfica por 6-3 em casa do Sporting.

“É o jogo que sela o título para o Benfica e muda a minha carreira”, explicou: “Aquele jogo em Alvalade não só faz com que o Benfica ganhe o campeonato como transforma a minha carreira, foi a grande confirmação daquilo que eu era como jogador”.

Anos mais tarde, João Vieira Pinto seria o protagonista de uma das mais polémicas transferências do futebol português. Após desentender-se com o presidente do Benfica, Vale e Azevedo, o internacional português seria dispensado pelo treinador Jupp Heynckes, acabando então por assinar a custo zero pelo Sporting, em 2000.

"Depois do Europeu, o Heynckes telefonou para me dar os parabéns por um grande golo à Inglaterra. Agradeci, mas disse-lhe que já não precisava dos parabéns dele. Teria gostado de recebê-los quando jogava no Benfica", salientou.

Dois anos mais tarde, João Vieira Pinto voltaria a ribalta, pela negativa, ao agredir um árbitro em pleno Campeonato do Mundo. “Essa expulsão foi uma estupidez. Arrependo-me do que fiz na Coreia como, aliás, me arrependi no minuto seguinte a ter praticado aquele ato”, desabafou.

“Em boa verdade, nem fazia muito sentido, porque o resultado do outro jogo do grupo permitia a qualificação de Portugal e Coreia do Sul. Foi tudo uma parvoíce”, acrescentou o ex-avançado.

Com esse incidente, aos 31 anos, João Vieira Pinto acelerou para o final da carreira de jogador. “Ainda joguei mais uns anos, mas perder a seleção foi muito duro. Nada ficou como dantes”, concluiu.