O avançado titular da seleção campeã europeia perdeu espaço no FC Porto; será este o momento certo para sair do Dragão?
André Silva foi protagonista de uma época de altos e baixos. O avançado foi de uma afirmação plena no onze titular azul e branco para um período final de temporada a ser relegado pelo banco de suplentes. A condição de titular na seleção portuguesa não abalou, não obstante a perda de minutos de “dragão” ao peito.
Com o aproximar da abertura da janela de transferências, numa fase em que é dado como certo que o FC Porto tem que fazer dinheiro através da transferência de jogadores do plantel, devido aos requisitos de fairplay financeiro da UEFA, e sendo o jovem atacante um dos ativos da equipa, impõe-se uma questão. Será este o melhor momento para André Silva deixar o clube no qual terminou a formação e rumar a outras paragens? Este será um dos principais dilemas tanto para o FC Porto, como para o próprio jogador, para a próxima época.
Primeiros ‘toques’ no plantel principal
2015/16 marcou a primeira chamada de André Silva ao plantel principal do FC Porto. Sendo a principal figura da equipa secundária dos azuis e brancos na Segunda Liga, o avançado estreou-se pela equipa principal em dezembro de 2015, num jogo a contar para a Taça da Liga, diante do Marítimo. No encontro seguinte, jogou cerca de 20 minutos na receção dos “dragões” ao Sporting e disputou um total de 14 jogos, sendo mais utilizado na equipa B.
Marcou três golos pela equipa principal, mas foi no segundo escalão que deixou maior marca. André Silva apontou 15 golos pelo FC Porto B, venceu a Segunda Liga, e foi o principal artilheiro do campeonato durante várias jornadas, estatuto que foi perdendo com as chamadas à elite do plantel portista. Terminou a época como titular no primeiro escalão, tendo assinado um bis na final da Taça de Portugal, frente ao SC Braga (2-2), não obstante o desaire do emblema portista nas grandes penalidades. André Silva ganhava estatuto no Dragão, o que fazia prever uma temporada seguinte recheada de alegrias para o jovem avançado.
Época de afirmação plena…
Com a saída de Vicent Aboubakar, na rampa para a temporada 2016/17, o FC Porto ficou sem figura de destaque para a frente ofensiva, contando somente com um jovem de 20 anos preparado para ser “lançado às feras”. E foi isso mesmo que aconteceu. Pegou de ‘estaca’ no onze titular dos azuis e brancos, na mesma senda que havia terminado a época anterior. E os golos começaram a surgir.
André Silva entrou de pé quente em 2016/17, com três golos apontados nos três primeiros jogos da temporada. AS Roma (play-off da Liga dos Campeões), Rio Ave e Estoril-Praia (ambos para o campeonato) foram vítimas da veia goleadora do jovem avançado, que começava a pautar a sua plena afirmação entre a elite do futebol português.
O FC Porto perseguia o Benfica pela liderança da Liga e André Silva emergia como uma das peças fundamentais do esquema de Nuno Espírito Santo. Terminou o ano de 2016 com dez golos marcados em 14 jornadas disputadas no principal escalão, juntando ainda cinco tentos na Liga dos Campeões. A qualidade exibicional demonstrada dentro das quatro linhas despertou a atenção do selecionador nacional, Fernando Santos, que não tardou em convoca-lo à equipa das quinas (André Silva tem sete internacionalizações, tendo feito a primeira em setembro de 2016 contra Gibraltar). Em contrapartida, 2017 deu a conhecer uma perda finalizadora a André Silva e colocou em ‘xeque’ o estatuto que vinha a ganhar no plantel portista.
…com reta final marcada pela perda da titularidade
O FC Porto fez uso da janela de transferências em janeiro para reforçar uma posição debelada, pois Depoitre não era alternativa viável a André Silva e Nuno Espírito Santo tinha como preferência a utilização de dois jogadores na frente de ataque. A investida dos azuis e brancos levou Tiquinho Soares para o Dragão, numa contratação que se tornou proveitosa para os azuis e brancos, mas que se revelou não tão positiva, a longo prazo, para André Silva.
Soares afirmou-se como titular no onze dos “dragões”, inicialmente dividindo as despesas ofensivas com o jovem português. Porém, a capacidade finalizadora do ex-Vitória de Guimarães falou mais alto e coincidiu com a perda de protagonismo de André Silva. Para termos de comparação, desde o início do ano civil, André Silva fez apenas seis golos em 21 partidas disputadas. Tiquinho Soares, em contraste, apontou 12 golos em 17 encontros realizados ao serviço do FC Porto.
Os números menos conseguidos do jovem avançado português colocaram em causa a sua titularidade e André Silva passou a conhecer uma condição que não tinha vivenciado na primeira metade da época: a de suplente. Nas últimas quatro jornadas do campeonato, André Silva realizou apenas 87 minutos, três jogos na condição de suplente utilizado e uma partida sem sair do banco de suplentes. Desde a jornada 25 da Liga, apenas por uma ocasião o internacional luso não foi substituído ou entrou como suplente: contra o SC Braga, na ronda 29.
Que futuro em perspetiva?
Nuno Espírito Santo, técnico que o relegou para o banco de suplentes, deixou o Dragão, irá chegar um novo treinador, que tudo indica ser Sérgio Conceição. Uma das dúvidas que paira sobre o FC Porto e quem estará a ser equacionado para o comando técnico prende-se com a situação de André Silva.
Com a condição, a priori conhecida, de ter que conseguir receber quantia monetária, através de transferências, para cumprir os requisitos do fairplay financeiro da UEFA, têm sido vários os rumores, desde o decorrer da época, que apontam a uma eventual saída de André Silva, um jovem com elevada margem de progressão, titular na seleção campeã europeia, que é um dos principais ativos do plantel. O futuro de André Silva está em aberto e para já o que está certo é que tem contrato com o FC Porto até 2021, estando blindado por uma cláusula de rescisão no valor de 60 milhões de euros.