Portugal
"Amorim tem de perceber o porquê desta inércia, desta incapacidade"
2021-09-16 12:40:00
Pedro Barbosa surpreendido por ver um Sporting sem “tempo para pensar”

O Sporting acordou em choque, depois de goleado em Alvalade (1-5) pelo Ajax, no regresso à Liga dos Campeões, quatro temporadas depois. O treinador Rúben Amorim tinha dito que a partida seria um teste para verificar o ponto de crescimento da equipa e comprovou que falta experiência ao plantel leonino, reconhecendo que os jogadores “estiveram a sofrer em campo”.

As lições não são fáceis de perceber “depois desta avalanche de futebol ofensivo”, mas houve uma a saltar logo à vista: “O Sporting não teve tempo para pensar”, como salientou Pedro Barbosa, capitão leonino nos títulos nacionais de 1999/2000 e 2000/01.

“Isto foi claramente um problema coletivo. A grande diferença, fundamentalmente nos primeiros 15 minutos, foi a intensidade e velocidade dos jogadores do Ajax e a rapidez com que pressionavam o adversário. O Sporting não teve tempo para pensar. O Rúben Amorim disse que depois do primeiro golo a equipa ficou a pensar o que havia de fazer, as coisas correram mesmo mal e veio o segundo golo. O Sporting só começa a tentar respirar depois dos 20 minutos”, apontou.

Pedro Barbosa fez as contas e aos nove minutos, quando Haller marcou o segundo para o Ajax, a formação holandesa registava 73 por cento de posse de bola, contra apenas 27 por cento dos leões. Em campo, os jogadores do Sporting não conseguiam fazer “mais do que dois passes”, dando constantemente a bola ao adversário.

“O que vimos nos primeiros minutos foi o Sporting a ver jogar o Ajax. Era importante o Sporting ter bola, mas perdia-a depois de um ou dois passes. Nesta altura [segundo golo do Ajax, aos 9 minutos], não tens capacidade para reagir. O Rúben Amorim tem de perceber o porquê desta inércia, desta incapacidade em ter a bola. Tem de encontrar soluções para que a equipa não fique a ver jogar os adversários”, reforçou o ex-capitão, ao analisar a partida na TVI 24.

Os leões acumulavam “muitos erros individuais”, tantos que se transformavam “em erros coletivos”, manifestando uma “incapacidade em ter a bola e em pressionar” que não se tinha visto nas provas nacionais. Ao mesmo tempo, o FC Porto batia-se de frente com o Atlético Madrid, na casa dos espanhóis. Pedro Barbosa foi “colocando o olho” no jogo dos dragões e reparou numa opção do treinador Sérgio Conceição.

O FC Porto entrou com dois avançados – “não há que ter medo”, elogiou o ex-internacional português – e quando o Atlético lançou Griezmann (aos 57 minutos), que começou a agitar o jogo, Sérgio Conceição trocou Toni Martínez por Sérgio Oliveira (aos 66 minutos). “Tira um avançado e mete um médio, foi importante porque houve ali um controlo do meio-campo”, destacou Pedro Barbosa.

O Sporting não contou com Coates e “viu-se a falta que fez”, tendo ainda perdido Gonçalo Inácio durante a partida por lesão. Mas o problema não esteve nos centrais e sim na incapacidade de pressionar o portador da bola. “A pior coisa para uma linha defensiva é ver os adversários sem pressão, com liberdade para fazerem os passes para onde querem”, concluiu Pedro Barbosa.