Portugal
"Acabou a diversão", diz Maniche, que nota falhas no discurso de Amorim
2021-04-13 10:25:00
"Uma desconfiança incrível no Sporting. Amorim diz cinco vezes que Sporting está confiante. Significa que não está"

Depois de dois empates consecutivos, o Sporting perder a margem folgada sobre FC Porto e Benfica. Estes empates surgem após um ciclo de jogos com um denominador comum: triunfos difíceis, conseguidos nos últimos minutos, que levaram a que se falasse de uma “estrelinha de campeão”. 

Depois da estrelinha, veio a descida à terra e colocam-se agora dúvidas sobre a caminhada triunfal do Sporting, que, recorde-se, ainda é líder e tem mais seis pontos do que o segundo classificado. No entanto, Maniche admite que os leões possam ter enfrentado um ponto de viragem. 

O Sporting reabriu o campeonato. Não tem sido a equipa da primeira volta, com alegria, com confiança, com personalidade, agressiva e, acima de tudo, eficaz. Mais um jogo sem brilhar, mas desta vez sem ganhar. E isto torna-se perigoso. Há uma desconfiança incrível no Sporting”, diz o ex-futebolista, no programa Futebol Total. 

“Neste momento, acabou a diversão”, prossegue Maniche, que lembra as alterações feitas por Rúben Amorim, em particular a entrada de Paulinho e “outras dinâmicas”, numa altura em que a equipa leonina estava bem, construindo uma vantagem que parecia mais do que suficiente para quebrar o jejum de títulos. 

O treinador mudou as dinâmicas, numa altura em que estava tudo tão bem. E estes dois jogos colocam tudo em dúvida. O Sporting perde quatro pontos que eram essenciais na sua trajetória”, acrescenta Maniche, alegando que o ponto de viragem e o regresso aos bons resultados implicam uma série de prerrogativas: “Se não houver um grupo forte, coeso, inteligente, experiente, com personalidade e caráter, as coisas podem complicar-se. O Sporting tem uma missão difícil, ainda que não seja impossível. 

“Rúben Amorim criou dúvidas internas, quando as coisas estavam a correr bem. E quando estão a correr bem, é deixá-las correr bem. Com a vinda do Paulinho, o Sporting deixa de ter profundidade e largura de que tanto necessita. E o Sporting, que estava adaptado, fez uma primeira volta fantástica, com jogadores alegres e sem pressão. O Sporting começa a ter pressão agora. A comunicação do Sporting para o exterior era de uma não candidatura ao título. E isso deixa os jogadores a ver o que isso dá”, argumenta Maniche, que não compreende porque João Mário joga de costas para a baliza. 

Rúben Amorim, por seu turno, dá sinais de pouca confiança. Maniche entende que o treinador não disfarça essa lacuna: “Até o próprio treinador deixa-me dúvidas. A comunicação que ele fez na conferência de imprensa... Quem sabe o que é um balneário sabe disto: quando um treinador diz tantas vezes que está confiante, é sinal de que não está. Amorim diz cinco vezes que Sporting está confiante. Significa que não está. O treinador está desconfiado. Quando se está a ganhar, a comunicação é boa, coerente, tranquila. Quando não se ganha, é mais complicado”, refere ainda o antigo futebolista. 

Num olhar ao calendário, os leões não têm folga. Destacam-se os jogos com SC Braga e Benfica, no reduto dos adversários, mas Maniche vê outros pontos de interrogação, nesta matéria. “O Sporting tem de ir a SC Braga e ao reduto do Benfica, tem quatro jogos com equipas que lutam pela manutenção, defronta o Belenenses SAD e o Rio Ave, por isso, a trajetória não vai ser fácil”, destaca. 

Resta aos leões o mais importante: é a única equipa que não tem de olhar aos resultados dos rivais. “Apesar de tudo, depende de si. Depende dos jovens que no início da época deram tanta confiança. Mas a pressão que foi colocada sobre esses jovens vem agora ao de cima. E vamos ver a capacidade que têm para ultrapassar estes dois jogos menos felizes”, conclui Maniche.