Portugal
“Amorim aceitou um projeto que ninguém no Sporting tinha aceitado”
Redação
2021-05-07 19:15:00
"Não é fácil, quanto mais não se ganha mais difícil é ganhar", explica Dias Ferreira

O Sporting precisa ainda de dois pontos para se sagrar campeão nacional, mas no universo leonino reina a confiança que o título já não foge, em particular depois do FC Porto ter empatado na visita ao Benfica, ficando assim com oito pontos de atraso quando sobram nove para disputar. Em Alvalade, a hora é de preparar os festejos e começar a definir a hierarquia dos heróis pela conquista de um troféu que foge desde 2002.

A opinião quase unânime aponta o treinador Rúben Amorim como o grande obreiro do título 2020/21 (apesar de, matematicamente, ainda faltarem dois pontos aos leões). Mas Dias Ferreira, ex-dirigente e antigo candidato à liderança do Sporting, apelou a que não seja esquecido o trabalho desenvolvido ‘na sombra’ pelo diretor desportivo, Hugo Viana, após a “desilusão” dos dois primeiros anos, que serviram para “ganhar experiência”.

“Tenho que dizer que sempre gostei muito do Hugo Viana, desde que foi jogador. A sua transferência para Inglaterra pagou a construção da Academia. Foi o próprio Rúben Amorim a dizer que, se estava no Sporting, muito se devia ao Hugo Viana. O diretor desportivo e o técnico deram as mãos e tiveram alguma autonomia para trabalhar, uma autonomia que é virtude da administração da SAD”, salientou Dias Ferreira.

Crítico assumido da liderança de Frederico Varandas, o ex-candidato à presidência do Sporting elogiou “a administração da SAD” por ter delegado a pasta do futebol em Hugo Viana e Rúben Amorim. “Todos sabem que sou crítico, mas quando é para dizer bem também digo. Tudo se alterou, entregou essa autonomia e entregou muito bem”, reforçou, durante o comentário semanal para A Bola TV.

O Sporting está prestes a alcançar o título com uma equipa recheada de jovens da formação e um punhado de jogadores com experiência e maturidade. Para Dias Ferreira, o campeonato feito pelos leões tem provado que Rúben Amorim e Hugo Viana construíram o plantel a partir de um verdadeiro “projeto”, um termo tantas vezes usado por dirigentes e treinadores sem qualquer conteúdo real.

“Seja em campanhas eleitorais ou seja no que for, toda a gente fala em ‘projeto’. Se perguntarmos qual é o ‘projeto’, ninguém sabe, dizem que ‘é para ganhar’. Depois, os desvios acontecem. O que o Rúben Amorim demonstrou é que aceitou um projeto que ninguém no Sporting tinha na realidade aceitado, que era construir uma equipa a partir da formação. O Sporting tem estes jovens todos, com um capitão [Coates] que atingiu esta época um nível de maturidade e vontade que nunca atingiu”, salientou.

O treinador do Sporting mostrou que esse projeto existe na prática e também no discurso. “Há meses, quando um jogador não podia jogar, o Rúben respondeu que no projeto dele todos têm lugar para participar”, recordou Dias Ferreira, juntando logo de seguida o exemplo da estreia de Essugo, “aquele jovem de 16 anos”. “Mostra que assumiu o projeto e responsabiliza-se por ele. Assumiu o projeto inteira e integralmente e isto não é fácil, porque o Sporting estava naquela coisa, quanto mais não se ganha mais difícil é ganhar”, insistiu.

Outro mérito do treinador, partilhado com a SAD, foi não seguido o hábito enraizado no Sporting de ‘imitar’ Benfica e FC Porto, comprando “vedetas” a pensar que “era assim” que se podia conquistar títulos. “O Rúben Amorim mostrou, com todo o mérito, que isto não é verdade. Agora, não se pode é entregar uma equipa a 11 jogadores da formação. O Sporting tem um excelente guarda-redes da sua formação, o Maximiano, mas o Adán ganhou-nos vários pontos. Toda esta equipa foi construída por obra e graça do treinador e do diretor desportivo”, acrescentou.

Já a terminar o comentário, Dias Ferreira realçou ainda que o Sporting se prepara para ser campeão apesar dos “muitos ataques”, numa alusão aos vários castigos do Conselho de Disciplina ao treinador e outros casos que foram ocorrendo ao longo da época: “O Sporting vai ganhar o campeonato com inteiro mérito e de forma imaculada, como já ouvi alguns adversários dizer. E os ataques foram muitos, mas o Sporting defendeu-se no campo do direito. Se não fosse o Tribunal Arbitral do Desporto, se calhar o Sporting não estava na situação em que está, porque os ataques e as situações são muitos”.