Sanções a quem criticar arbitragem na agenda da reunião da AG desta segunda-feira; Pinto Correia aplaude mas tem dúvidas
Os clubes vão deixar de poder criticar as arbitragens a partir da próxima temporada, sob pena de incorrerem em castigos pesados, caso seja aprovado esta segunda-feira a proposta da Liga a apresentar em Assembleia Geral.
Os novos regulamentos, a serem reiterados pelos clubes que fazem parte da Liga, permitirão castigar de forma pesada quem criticar os árbitros, a própria competição, ou mesmo os adversários, de forma a terminar com o “ruído” que se instala à volta do futebol português com frequência.
“É isso que acontece em todas as grandes organizações internacionais, é isso que acontece nos modelos de sucesso da FIFA e da UEFA, que estão respaldados pelo modelo de defesa do futebol, e é isso que tem de acontecer em Portugal. É isso que vamos fazer através dos regulamentos”, argumenta Pedro Proença. “Se os clubes vão aceitar? Têm que aceitar, porque estas são as boas práticas internacionais”.
O antigo árbitro Pinto Correia, que faz parte do painel do Casos.pt, diz ao Bancada que esta seria em teoria uma medida “profilática” que ajudaria a melhorar o clima à volta do futebol português, mas tem “muitas dúvidas” quanto à sua concretização. “Primeiro é preciso que os clubes aprovem esta medida, depois há muitos ‘pontas-de-lança’ e ‘jogadores do meio-campo’ que os clubes têm fora das quatro linhas que vão continuar a criticar. O futebol português está cheio de vícios antigos e difícieis de ultrapassar. Mas seria uma excelente medida”.
A AG da Liga desta segunda-feira decorre de uma anterior, realizada a 29 de maio passado, e que foi suspensa, em que os clubes profissionais decidiram, por maioria (27 votos a favor e 15 contra, e duas abstenções) impor um valor limite às ofertas aos árbitros, e onde ficou também aprovado a introdução do vídeo-árbitro em todos os jogos profissionais na próxima temporada.
Na altura, ficou por discutir alterações aos regulamentos disciplinares das competições profissionais, entre as quais sobressaí a proibição de falar mal dos árbitros e a harmonização de procedimentos que passam pela maior celeridade na avaliação da maioria de todos os processos. Esta segunda-feira, os clubes profissionais voltam a ter a palavra. E a decisão.