Portugal
"Abutres, não acredito minimamente em teorias da conspiração", escreve Geraldes
2020-11-18 21:05:00
Antigo diretor-geral da SAD do Sporting ao ataque, após ser ilibado de todas as acusações no processo Cashball

Depois do arquivamento do processo Cashball, fprmalidade que ilibou os responsáveis do Sporting no operação em que foram detidas quatro pessoas, por suspeitas de corrupção desportiva, entre as quais André Geraldes, o então diretor-geral da SAD verde e branca e 'braço direito' de Bruno de Carvalho na direção leonina reage à decisão, num longo texto onde se propões escrever "um pouco daquilo que vai na alma".

"Se por um lado, nunca deixei de acreditar na Justiça porque essa deve ser intocável, por outro, recuando no tempo, houve pessoas que se esqueceram que também sou pai, sou homem, e tenho uma família. Esqueceram-se da presunção da inocência e esqueceram-se que a vida dá voltas e voltas e a Justiça tem obrigação de pôr tudo no seu devido lugar", refere André Geraldes, num texto onde visa o atual presidente do Sporting, que afirmara que não acreditava que o Cashball fosse verdade, mas acreditava "muito menos em teorias da conspiração".

O antigo diretor-geral da SAD do Sporting usa as mesmas palavras, para, com ironia, responder ao dirigente leonino. "E que não restem dúvidas: 'abutres', não acredito minimamente em teorias da conspiração".

André Geraldes viaja pelo processo, fala em "prejuízos incalculáveis", a todos os níveis. "E não falo de entidades, repito não falo de entidades, mas sim de pessoas. Sim, pessoas. E vocês sabem quem foram e quem são", insiste.

O ex-dirigente ainda não foi notificado da decisão da Polícia Judiciária, mas garante que todas as pessoas que estiveram na origem do processo "vão ter de se lembrar que o que fizeram não se faz".

"Nem a mim, nem a nenhuma pessoa. Não me move nenhum sentimento de ódio. Espero apenas que sirva de exemplo para que casos destes, inventados, com acusações infundadas, por encomenda, e com a conivência de alguns interesses, não sejam aceitáveis, nem sejam amplificadas pelos jornais e pelas redes sociais", acusou.

Geraldes lembra o seu percurso no futebol, desde o momento em que chegou ao Sporting, que se transformou num clube "altamente competitivo". E "depois de contribuir para colocar o Sporting Clube Farense na Primeira Liga, estou orgulhosamente a recuperar outro histórico do futebol português, o Estrela de Amadora", destaca.

Porém, nota forças de bloqueio. "Parece que as pessoas não querem parar! Agora que fica à evidência a calúnia de que fui alvo, durante anos, assistimos ao fim de algo que nunca devia ter nascido, segue, logo no dia a seguir, uma caça ao homem, servida em jeito de vingança, sem qualquer prova, e com o mesmo objetivo. Quando não se consegue pôr em causa o meu percurso profissional, agarram-se a plantar notícias", dispara.

O antigo braço direito de Bruno de Carvalgo sugere que será nos tribunais que os seus detratores "terão de provar" as imputações que lhe fizeram: "Não ganharão um [processo], tão só porque jamais se prova o que não aconteceu".

"As novas velhas fontes, continuam a meter o seu veneno mesmo com evidências claras de que as alegadas histórias que existem não passam de criações. Sabem onde me encontrar, sou sempre o mesmo André Geraldes. E estou cá para ficar e de cabeça erguida", conclui.

Seis dos sete arguidos do caso Cashball, entre os quais André Geraldes, diretor desportivo do Sporting à data dos factos, foram ilibados de responsabilidades, por falta de provas, na investigação da PJ.

De acordo com o relatório final da PJ, o único arguido que não foi ilibado é precisamente Paulo Silva, empresário que em março de 2018 denunciou o caso, quando assumiu ter sido mandatado, através de intermediários, para corromper árbitros de andebol e jogadores de futebol adversários, de modo a favorecerem o Sporting.

O relatório concluiu, entre outros factos, que Paulo Silva abordou dois árbitros de andebol, em 2017, oferecendo-lhes 2500 euros, com a intenção de os levar a beneficiar o Sporting em jogos com o ABC de Braga e o FC Porto.

No que se refere ao futebol, o documento, divulgado na segunda-feira pela TVI, concluiu que Paulo Silva terá oferecido a Leandro Freire, jogador do Desportivo de Chaves, 25 mil euros para que este prejudicasse o seu clube nos dois jogos com o Sporting, “proposta que não foi aceite”.

A investigação considerou válida a possível relação entre uma verba em numerário de 60.405 euros, apreendida no gabinete de André Geraldes, à data diretor desportivo para o futebol profissional do Sporting, e a venda de bilhetes a grupos organizados de adeptos.

No documento, datado de 15 de julho, é considerado ainda que “não é possível estabelecer conexão entre as abordagens” feitas por Paulo Silva a árbitros e jogadores e os arguidos no processo André Geraldes, Gonçalo Rodrigues, funcionário do Sporting, e João Gonçalves, empresário.

No processo, que aguarda o despacho final do Ministério Público, são ainda arguidos Roberto Martins, Ivan Caçador e Fernando Costa.