Domingos Paciência fez para o Bancada a comparação entre os dois jogadores e analisou o eclipse de Bas Dost na seleção
A imprensa holandesa diz que Bas Dost sofre da ‘síndrome-Makaay’, numa alusão ao antigo avançado do país das tulipas que marcou sempre mais golos pelos clubes por onde passou do que pela seleção, a exemplo do que sucede com o goleador do Sporting, e o Bancada foi falar com um antigo internacional português que jogou com Roy Makkay para saber se esta comparação faz sentido.
Domingos Paciência, que jogou com o goleador holandês no Tenerife durante duas temporadas, em 1997/98 e 1998/99, começa por referir ao Bancada que esta comparação tem a mais a ver com a pouca produtividade ao serviço da seleção holandesa, porque em termos de caracterísiticas técnicas tratam-se de jogadores diferentes. “Às vezes, é o contexto em que os jogadores estão inseridos, a forma de jogar das equipas, a própria concorrência que pode existir. O Makaay, que foi talvez o único jogador com quem joguei que marcava golos até tabelando com os postes, fez muitos golos é verdade mas na seleção não teve a mesma produtividade”.
O contexto da atual seleção holandesa é, na verdade, diferente da do Sporitng, uma equipa que joga mais em ataque continuado e está construída para jogar em função de uma referência atacante. Como explicou, aliás, Ronald Koeman, na cionferência de imprensa de antevisão ao jogo com Portugal. “O Sporting é muito forte em Portugal e joga sempre para ganhar títulos. Muitas vezes passa os jogos na área contrária, onde ele evidencia a sua qualidade nos cruzamentos, pois é bom de cabeça. Com todo respeito pela Holanda, que ultimamente não é a melhor nação do Mundo, a seleção joga agora mais atrás. Assim, claro que é mais difícil para ele ter o mesmo rendimento. Somos mais defensivos do que ele está habituado”, justificou.
Domingos está de acordo com a opinião do atual selecionador holandês e para o Bancada analisou as principais diferenças técnicas entre Bas Dos e Makaay: “O Bas Dost é um jogador mais de área, o Makaay era mais de mobilidade, muito rápido, só tinha olhos para a baliza contrária e de fácil remate, tando de pé direito como de pé esquerdo”, recorda Domingos voltando a frisar que a “síndrome” de que fala a imprensa holandesa diz respeito à coincidência dos parcos golos ao serviço da seleção, por oposição ao rendimento nos clubes.
Os números de Bas Dost são pobres na seleção, se comparados por exemplo com os registados no Sporting. O holandês tem 18 internacionalizações, 671 minutos e apenas um golo, diante do País de Gales, e num particular realizado em 2015. As duas última aparições pela Holanda resumiram-se a 66 minutos com a Inglaterra e suplente não utilizado diante de Portugal. No Sporting, tudo é diferente: 66 golos em 80 jogos.
Roy Makkay viveu também uma situação similar à de Bas Dost, não conseguindo ser o mesmo homem golo quando vestia a camisola laranja da seleção. Fez 43 jogos pela Holanda e marcou apenas seis golos, números que comparados com os obtidos nos clubes que representou. O atual treinador adjunto do Feyenoord amrcou 79 golos no DEportivo da Corunha, 78 no Bayern e 36 no Feyenoord até terminar a carreira em 2010, tendo marcado persença no Europeu de 2000 e 2004 sem marcar qualquer golo.
O ex-internacional holandês, Van Hooijdonk, também se pronunciou sobre o assunto e é da opinião que Bas Dost não encaixa na atual seleção holandesa. “Ele é, sem dúvida, o melhor goleador que temos na Holanda. Mas sem jogo pelas alas e os passes de um médio criativo como Wesley Sneijder, não vai funcionar”, referiu Van Hooijdonk, na sua coluna no jornal Voetbal International. “Sozinho, ele não pode fazer muito”, acrescentou o antigo jogador do Benfica. Van Hooijdonk vai assim ao encontro da opinião de Ronald Koeman e aponta que se a Holanda não tem capacidade para “sobrecarregar os adversários, um número nove à antiga torna o jogo muito estático”.