Ideias chave para a criação deste espaço que queremos se torne um vício diário para si
O Bancada.pt anda a ressaltar nas nossas cabeças há pouco mais de um ano. Decidimos avançar e começámos a trabalhar diariamente na construção há seis meses, mas só muito recentemente definimos a data de lançamento: 14 de Junho. Era necessário ter tudo em ordem. E só ainda mais recentemente foi decidida a hora de arranque: 19h45. Mas já lá vamos.
O Bancada.pt nasceu da confluência de várias motivações. As do Luís Rodrigues e do José Luís Santos, os meus parceiros desta viagem, não são tão simples como parecerão à primeira vista. Os dois são empresários muito bem sucedidos no ramo da publicidade e estão aqui porque acreditam no negócio, sim. Mas também porque, sendo amigos inseparáveis e pedindo meças a qualquer um no ranking dos adeptos mais apaixonados pelos seus clubes que alguma vez conheci, sentiam a necessidade de ter um meio de comunicação social dedicado ao futebol que se colocasse rigorosamente ao meio do espectro clubístico, sem favorecer A, B ou C. Ora, entre outras coisas, foi também isso que nos aproximou. Quem costuma ler-me pode até já conhecer a história que se segue, porque já a contei. Em 2008, quando na Unidad Editorial, em Madrid, me pediram um plano editorial e um plano de negócio para lançar a Marca em Portugal, uma das perguntas a que tive de responder foi: “de que clube vamos ser?” Já ia preparado para essa pergunta e expliquei que não íamos ser de clube nenhum, que embora muitas vezes – quase sempre – esses rótulos sejam injustamente colocados nos jornais que temos, aquilo de que o público português mais sentia falta era de um jornal que não fosse de clube nenhum, que não alienasse nenhuma parte do público potencial.
Continuo a acreditar hoje nessa necessidade.
O Bancada vai querer, com meios modestos, é verdade – porque é um projeto nascido fora dos grandes grupos de comunicação e sem o poder financeiro dos meios que neles estão englobados – colocar o jornalismo acima de tudo. E o jornalismo faz-se de uma série de princípios que são inegociáveis. A isenção é um deles e por isso o que prometemos é tratar todos os clubes da mesma forma – ainda que, naturalmente, os mais populares, os chamados grandes, venham a ter mais espaço, porque é deles que os leitores mais querem saber.
O facto de terem mais espaço, porém, também fará com que sejam mais escrutinados, porque outro dos princípios de que não abdicamos é o do respeito pelo leitor. Aqui, o interesse do leitor será sempre colocado acima dos interesses das fontes, que tantas vezes ajudam a destruir o jornalismo ao mesmo tempo que alimentam a sua própria agenda. Faremos sempre o possível para separar o real do fictício, a informação da propaganda. Não queremos com isso fazer uma informação oficialista, ser o Diário da República dos adeptos de futebol, mas garantimos um esforço de rigor que nos levará a ter sempre o cuidado de fazer duas coisas. Primeiro, não beber de fontes inquinadas sem as passar pelo filtro do contraditório. Segundo, manter uma separação muito clara entre o que é uma notícia, o que podemos garantir, e o que é um rumor, algo que não vamos deixar de reportar, sobretudo quando se trata de mercado de transferências, mas que será sempre indicado como sendo um rumor. Algo de que se fala e que, em bom rigor, não estamos em condições de assegurar.
Em suma, isenção em vez de parcialidade, escrutínio em vez de cumplicidade, rigor em vez de ligeireza. Tudo somado, queremos fazer mais do que “produzir conteúdos”, que é uma coisa tão na moda ultimamente. Queremos fazer jornalismo acerca de futebol. Queremos futebol de verdade. Porque o facto de todos aqui gostarmos de futebol não quer dizer que tenhamos de o proteger. Quer dizer que temos de fazer tudo para reportar o que ele tem de bom, mas também para descobrir e expor o que ele tem de mau, quanto mais não seja para que isso possa ser corrigido. Porque se para se ter uma sociedade livre e plural faz falta o jornalismo como quarto poder, para se ter um futebol limpo e saudável, esse conceito também não pode ser um fator a desprezar.
Temos a consciência de que este terá de ser um processo em crescendo. Começamos com uma redação jovem, mas na qual acredito muito, até pela relativa falta de exposição que teve ao declínio recente. Começamos com uma redação pequena, mas que esperamos fazer crescer, à medida que o projeto se for consolidando e afirmando entre os amantes de futebol. Mas queremos chegar lá, ao topo. O que me leva à questão da hora. Quando foi preciso tomar uma decisão acerca da hora de arranque, concordámos que devia ser à hora do futebol. E se, quando quis escrever sobre a morte na tourada, Federico García Lorca a imortalizou como as “cinco de la tarde”, para mim a hora do futebol serão sempre as três da tarde. Já não é, explicaram-me. Agora o futebol é às 19h45, hora de Liga dos Campeões. E queremos arrancar agora rumo à nossa final.