O empate do FC Porto em Vila das Aves, aproveitado da melhor maneira por Benfica e Sporting, fez com que o clássico do Dragão entre portistas e encarnados agendado para esta sexta-feira seja visto com outros olhos do que há uma semana atrás em que a saída precoce do Benfica da Europa condenava os encarnados à condição de equipa muito fragilizada para o duelo com o rival.
O FC Porto tropeçou, Sporting e Benfica aproximaram-se do líder, de maneiras diferentes. Mais pragmática a equipa de Alvalade, mais brilhante a da Luz apesar da fragilidade do adversário. Se o FC Porto jogar como o fez em Aves – onde nunca chegou a ter o jogo controlado revelando algum desconforto e desperdiçando oportunidades de golo que não tinha sido habitual em anteriores partidas – e o Benfica como o fez com o Vitória de Setúbal – onde deu ao pedal e foi mais assertivo – então o clássico de sexta-feira no Dragão vai ser bem mais equilibrado do que se poderia pensar há uma semana atrás e o Benfica poderá espreitar aqui uma janela de oportunidade de emendar o início fraco de temporada que vem registando.
E no entanto o FC Porto é o favorito para o clássico. Porque é a melhor equipa do campeonato até ao momento, seguido do Sporting e só depois vem o Benfica como justamente a classificação ordena nesta altura. A injeção de confiança dada pela goleada ao Vitória de Setúbal não é suficiente para o Benfica passar do oitenta para o oito. Mas pode ganhar no Dragão? Claro que sim. Cada jogo tem a sua história e hoje o Benfica tem mais condições para pensar que sim, do que antes da goleada ao Vitória FC. Tudo vai depender de vários fatores, não só tático-estratégicos mas também psicológicos. O estado de alma de uma equipa num jogo da dimensão deste é fator de relevo e que muitas vezes acaba por fazer a diferença mais do que o 4x4x2 ou o 4x3x3. O FC Porto foi superior em Alvalade e empatou a zero.
A ideia que dá é que Rui Vitória de há algum tempo para cá que anda a preparar este jogo com o FC Porto com a opção pelo 4x3x3 com Jonas como unidade mais adiantada. O que se viu com o Vitória FC foi um Benfica a recuperar alto e transições ofensivas em ataques rápidos. Com Krovinovic – um erro de gestão tê-lo deixado de fora da Champions – e Pizzi no miolo, protegidos por Fejsa, o Benfica ganha mais gente no meio-campo e capacidade para fazer chegar com mais facilidade a bola a zonas de finalização. Jonas liga a equipa, oferecendo linhas de passe de costas para a baliza, e não parece perder presença na área. O FC Porto, por sua vez, deu sinais nestes dois últimos jogos de que poderá estar a perder algum fulgor, a equipa continua a criar muitas oportunidades de golo mas frente ao Aves falhou na finalização o que não vinha sendo hábito no FC Porto dos anteriores jogos. O FC Porto-Benfica vai trazer respostas. Se o FC Porto é capaz de manter a solidez da sua liderança ou está a perder fulgor, e se o Benfica é capaz de colocar um ponto final na crise que o triunfo folgado frente ao Vitória de Setúbal não apagou. Dê-se a voz aos jogadores e aos treinadores, os verdadeiros protagonistas.
NOTA: Muito se tem falado de que este campeonato poderá ser discutido a três até ao final da temporada, numa luta renhida. Pois bem, nesta altura, à 12ª jornada, ainda longe da meta de uma maratona os denominados três grandes estão no topo da classificação e apenas três pontos separam o terceiro, Benfica, do líder FC Porto, rivais que vão travar duelo sexta-feira no Dragão. Não acredito, no entanto, que a luta a três dure até ao fim. A história recente do campeonato contraria essa possibilidade. É preciso recuar até 2006/07 para encontrar o último campeonato disputado até à última gota de suor entre Benfica, FC Porto e Sporting. Os três podiam ser campeões na última jornada, mas foi o FC Porto a levar a melhor, com 69 pontos, contra 68 do Sporting e 67 do Benfica. Assim como um triunfo do FC Porto sobre o Benfica também não será o fim precoce da trilogia de candidatos. Ainda. Lá mais para a frente quando voltarem as competições europeias se saberá se FC Porto e Sporting têm rabo para duas cadeiras.