Modalidades
“Não bastaram pontapés às cadeiras, danificar o troféu ou rodear o árbitro?”
2021-06-04 15:15:00
Miguel Braga critica reações do FC Porto à derrota no basquetebol e fala em "mau perder transversal"

O diretor de Comunicação do Sporting, Miguel Braga, dedica o editorial que assina no Jornal Sporting ao que considera ser “mau perder transversal do FC Porto”, num comentário à reação dos dragões à derrota no último jogo do play-off, disputado no Pavilhão João Rocha, que consagrou o Sporting como novo campeão nacional.

"Uma das belezas do desporto são as vitórias arrancadas a ferros. Aquele último esforço, aqueles últimos segundos de uma competição, que decidem pontos, jogos, vitórias e, por vezes, campeonatos”, enquadra Miguel Braga. 

O responsável lembra “o corredor que ultrapassa o adversário nos últimos metros por 0,05 segundos”, ou aquele que “salta mais um centímetro do que o outro na derradeira tentativa”. E recorda ainda o golo de Miguel Garcia contra o AZ Alkmaar. 

O objetivo de Miguel Braga neste exercício é comentar “os cinco segundos finais do último jogo do Campeonato Nacional de basquetebol”, que colocou em confronto Sporting e FC Porto”.  

“Uma jogada defensiva para evitar a derrota acabou em falta atacante evidente e inequívoca sobre Micah Downs. O norte-americano fez o derradeiro lançamento, mas há todo um grupo de pessoas que está de parabéns, que sabe, melhor do que ninguém, o caminho percorrido para chegar até aqui”, escreve ainda o responsável pela Comunicação leonina. 

E Miguel Braga parte para a critica ao FC Porto. “Este ano de 2021 revelou um mau perder transversal do FC Porto assente numa narrativa bélica contra as arbitragens, pressionando e condicionando o futuro, seja dentro ou fora de campo, nesta e noutras modalidades. Ao longo do ano futebolístico essa foi uma das formas de agir e os exemplos são conhecidos por todos”, acusou. 

O responsável do Sporting encontra um padrão neste comportamento dos azuis e brancos e faz um levantamento das queixas portistas, que “não se limitaram à Liga NOS ou à Taça da Liga”.  

“Veja-se a equipa B do FC Porto: em janeiro era ‘a nossa equipa bem pode queixar‑se, mais uma vez, dos erros alheios que determinaram a perda de pontos. Foi mais do mesmo’; em fevereiro: ‘Estão a brincar com o trabalho dos jogadores, treinadores e staff. Foi um golpe duro, ninguém percebeu a expulsão, só o árbitro percebeu’; em março: ‘Não são os adversários que têm tirado pontos ao FC Porto B, têm sido os árbitros’; em abril, a culpa recaía numa ‘decisão muito polémica da equipa de arbitragem’”, aponta.  

“Também a final da Liga Europeia de hóquei em patins ficou marcada por declarações do mesmo género”, realça Miguel Braga, que continua o ataque ao dragão, em modo de citação de declarações do clube da Invicta: “Ainda não foi desta que o FC Porto voltou a conquistar a Liga Europeia de hóquei em patins. Na final disputada no Pavilhão Gimnodesportivo do Luso, os Dragões perderam diante do Sporting por 4‑3, após prolongamento, mas o trabalho da equipa de arbitragem espanhola teve muito que se lhe diga".  

“Todas estas citações ou são de responsáveis, jogadores, newsletters ou afins das equipas azuis e brancas”, realça ainda Miguel Braga, que regressa aos mais recentes episódios no basquetebol para lembrar o comportamento de Moncho López, treinador do FC Porto. 

“Regressando ao basquetebol, não bastaram as imagens dos pontapés às cadeiras, não bastou danificar o troféu do vencedor ou rodear o árbitro?”, pergunta, questionando também se "esses atos terão consequências”.  

E Miguel Braga continua com as citações, nesse apanhado de frases que imputa a responsáveis portistas, como "foi das maiores roubalheiras a que assisti", "uma roubalheira monumental", a "foi a maior vergonha que vi em toda a minha vida", "hoje gozaram connosco e com o trabalho de uma época inteira", ou "foi um título sonegado às claras num resultado fortemente influenciado pelo árbitro Carlos Santos".

"De tudo se queixaram os azuis e brancos, ameaçando até, imagine-se, abandonar a modalidade. A forma e o conteúdo são o mesmo e é transversal. A culpa, se não ganham, é sempre das arbitragens. Mérito dos outros é que não", conclui Miguel Braga. 

Este artigo surge no seguimento do título do Sporting no basquetebol, 39 anos depois, numa final ganha ao FC Porto, com muita controvérsia. Os dragões apontam o dedo à arbitragem. Moncho López foi o mais cáustico nas críticas, considerando mesmo que os erros foram propositados. "Se eu disser tudo o que penso é crime", disparou o técnico espanhol do FC Porto.