As três Grandes Voltas do ciclismo mundial têm símbolos inconfundíveis. Quem vence o Tour de France veste a lendária Maillot Jaune (amarela); quem lidera o Giro d’Italia enverga a Maglia Rosa (rosa); e quem comanda a Vuelta a España ostenta a Camiseta Roja (vermelha).
No entanto, enquanto a cor amarela em França e a cor rosa em Itália nasceram há cerca de um século por razões comerciais muito claras, a Camisola Vermelha da Vuelta é uma invenção recente.
Aliás, a prova espanhola viveu numa autêntica crise de identidade cromática durante décadas. Saiba tudo!
A origem do Amarelo e do Rosa
Para compreender a cor da Vuelta, é preciso recuar à origem das camisolas de líder no ciclismo.
Na verdade, nenhuma delas nasceu por razões estéticas ou patrióticas, mas sim por estratégia de marketing de jornais desportivos:
- O Tour de France (1919): Criou a camisola amarela porque o jornal organizador da prova, o L’Auto, era impresso em papel amarelo.
- O Giro d’Italia (1931): Adotou a camisola rosa porque o jornal criador da corrida, a La Gazzetta dello Sport, era (e continua a ser) impresso em páginas cor de rosa.
A crise de identidade da Vuelta
Quando a Vuelta a España nasceu em 1935, a imprensa desportiva espanhola tentou seguir o mesmo caminho, mas faltou consistência.
Sem um grande jornal dominante com papel de cor garrida a patrocinar a corrida de forma contínua, a camisola de líder mudou de cor constantemente ao longo dos anos.
| Período | Cor da camisola | Razão / Contexto histórico |
| 1935 – 1936 | Laranja | Primeira cor oficial da prova. |
| 1941 | Branca | Adotada temporariamente no pós-Guerra Civil. |
| 1942 | Laranja | Regresso breve à cor original. |
| 1955 – 1998 | Amarela | Cópia direta do Tour de France para facilitar a identificação. |
| 1999 – 2009 | Dourada | A Jersey de Oro, para tentar diferenciar-se da prova francesa. |
| 2010 – Presente | Vermelha | Lançamento definitivo de La Roja. |
Como o líder da Vuelta passou a vestir a Camisola Vermelha
A mudança definitiva ocorreu apenas em 2010. A organização da Vuelta, consciente de que a camisola dourada não tinha o impacto visual nem o carisma necessário nas transmissões televisivas, decidiu cortar com o passado.
A escolha do vermelho não foi ao acaso. Coincidiu com o auge do desporto espanhol, apelidado de era da “Furia Roja”, impulsionado pelas conquistas da seleção espanhola de futebol, do ténis (por Rafael Nadal) e da Fórmula 1 (por Fernando Alonso).
Ao adotar o vermelho garrido, a Vuelta a España conquistou finalmente a sua própria identidade no pelotão internacional.
Hoje, a Camisola Vermelha é sinónimo do ciclismo de montanha agressivo, dos episódios de calor extremo nas serras andaluzas e da paixão do público espanhol que molda a última Grande Volta do calendário.
