Liga 19/20
O alfabeto da I Liga de 19/20
Redação
2020-07-27 20:30:00
De A a Z. Todos os destaques do campeonato

A – Alex Telles
O lateral esquerdo internacional brasileiro Alex Telles foi uma das grandes figuras do campeonato, contribuindo decisivamente, com golos (11) e assistências (oito), para muitos triunfos dos novos campeões nacionais.

Com 27 anos, o jogador ‘canarinho, que teve dois momentos muito altos, com os golos que selaram as vitórias no Bessa (1-0) e na receção ao Portimonense (1-0), dificilmente continuará em Portugal. Mesmo com a covid-19, terá mercado.

B – Bruno Fernandes

Depois de muitas transferências falhadas, Bruno Fernandes saiu mesmo em janeiro, trocando o Sporting - a troco de 55 milhões de euros fixos, mais um máximo de 25 variáveis – pelo Manchester United, clube pelo qual já convenceu em muito pouco tempo.

Na primeira metade da época, o médio internacional luso, de 25 anos, ainda teve tempo para brilhar na I Liga e os oito golos que marcou, em 17 jogos, foram suficientes para acabar a época como melhor marcador da formação ‘leonina’.

C – Corona

O polivalente internacional mexicano Corona, que jogou mais vezes como extremo do que como defesa, foi o ‘Alex Telles’ do lado direto do ataque portista, acabando a prova como o campeão nacional com mais assistências, com um total de 11.

Autor ainda de quatro golos, em 33 encontros, o jogador de 27 anos, que teve com ‘ex-líbris’ o passe para Marega inaugurar o marcador em Alvalade, é outro grande candidato a deixar o Dragão, rumo a um campeonato mais proeminente.

D – Diogo Gonçalves

O extremo Diogo Gonçalves, que o Benfica emprestou ao Famalicão, fez uma segunda metade da época de grande nível e deverá ter garantido a presença na próxima pré-temporada dos ‘encarnados’, na qual vai tentar convencer Jorge Jesus.

Autor de cinco golos na segunda volta, com destaque para os ‘bis’ na receção Sporting (3-1) e em Setúbal (2-1), o jovem de 23 anos foi importante na pior fase do Famalicão, que foi muito melhor na primeira metade.

E – Edwards

O jovem Marcus Edwards, contratado ao Tottenham, foi a grande figura do Vitória de Guimarães, com um futebol feito de imprevisibilidade que encantou nos relvados lusos, na estreia na I Liga de futebol.

Com 21 anos, o internacional inglês, dos sub-16 aos sub-20, parece talhado para outros ‘voos’ e pode não continuar no Minho, depois de sete golos, incluindo um ‘bis’ no inesperado 7-0 em Famalicão, e cinco assistência, em 26 jogos.

F – Fábio Martins

Emprestado pelo Sporting de Braga, o médio ofensivo Fábio Mastins, nascido em Mamafude há 26 anos, foi a grande referência do Famalicão, contribuindo com muito futebol e 12 golos para a melhor época da história do clube.

Depois de pouco ter jogado na época passada pelos ‘arsenalistas’, que antes já o tinham emprestado a Paços de Ferreira e Desportivo de Chaves, parece ‘condenado’ a voltar a ‘casa’ em 2021/21 e a afirmar-se. Tem futebol para isso.

G – Gonçalves, Pedro

Proveniente da equipa de sub-23 do Wolverhampton, pela qual atuou em 2018/19, Pedro Gonçalves foi, aos 21 anos, outra das grandes figuras do Famalicão, mostrando grande capacidade organizativa e criativa no meio-campo de João Pedro Sousa.

Autor de cinco golos na prova, incluindo o que selou o triunfo caseiro face ao FC Porto (2-1), o inteligente médio nascido em Chaves foi ‘omnipresente’ no ‘onze’ do ‘Fama’, sendo o jogador com mais encontros como titular (32).

H – ‘Hat-trick’

É uma marca no futebol conseguir três golos num jogo, mas foi algo que rareou na edição 2019/20 da I Liga: em 306 encontros, apenas foi ‘pronunciado’ em quatro ocasiões, três na primeira volta e apenas uma na segunda.

O cabo-verdiano Zé Luís (FC Porto), o iraniano Mehdi Taremi (Rio Ave), o brasileiro Vinícus (Benfica) e o português Paulinho (Sporting de Braga) foram os únicos a selar ‘hat-tricks’.

I – Interrupção

A edição 2019/20 ficará para sempre marcada na história como a que foi alvo da maior interrupção: devido à pandemia da covid-19, a prova ficou em causa, mas, após a ronda 24, fechada em 08 de março, foi mesmo retomada, em 03 de junho.

Os quase três meses de interrupção provocaram o fim mais tardio de sempre, em 27 de julho, e as últimas 10 jornadas foram disputadas à porta fechada, com as bancadas desoladoramente vazias, sem emoção, sem público, sem festa.

J – João Pedro Sousa

O treinador João Pedro Sousa, de 47 anos, foi o escolhido para encabeçar o ambicioso projeto do Famalicão, de volta à I Liga 25 anos depois, e foi muito bem-sucedido, com excelente futebol e um histórico sexto lugar que, ainda assim, soube a ‘frustração’.

A formação famalicense começou em ‘grande’ e chegou a liderar a prova, da quarta à sétima rondas, mantendo-se no pódio até meio. Depois, quebrou, mas ainda recuperou até ao quinto posto, que, ingloriamente, perdeu nos descontos do último jogo.

K – Kieszek

O guarda-redes polaco, na terceira aventura no futebol luso, depois de uma primeira com passagens por Sporting de Braga, Vitória de Setúbal e FC Porto, e uma segunda de novo nos sadinos e no Estoril Praia, foi um dos dois totalistas da prova.

Além do veterano de 36 anos, nascido em Varsóvia, apenas outro guarda-redes, o brasileiro Denis (Gil Vicente), cumpriu os 3.060 minutos da prova, sendo que Pizzi (Benfica), Carlos Jr. (Santa Clara) e Fábio Abreu (Moreirense) também estiveram nas 34 rondas.

L – Lage

Após sensacional 2018/19, com 18 vitórias em 19 jogos, que valeram a conquista do título, repetiu a dose no início de 2019/20 e parecia destinado a conduzir o Benfica ao ‘bis’, mas Bruno Lage passou rapidamente de ‘herói’ a ‘vilão’.

Depois de 36 vitórias nos primeiros 38 encontros, Lage só venceu dois dos 10 jogos seguintes e acabou despedido após um 0-2 no reduto do Marítimo, que deixou o Benfica a seis pontos do FC Porto, depois de ter estado sete à frente.

M – Mehdi Taremi

Na primeira experiência no futebol português, o iraniano Mehdi Taremi, proveniente do Al Gharafa, foi a grande referência ofensiva do Rio Ave, terminando a prova com 18 golos, seis apontados na primeira volta e o dobro na segunda.

O avançado nascido há 27 anos em Bushehr marcou a FC Porto, Sporting de Braga e Benfica e, com a ajuda de sete penáltis, acabou a competição como segundo melhor marcador, batido apenas pelos 19 tentos do benfiquista Vinícius.

N – Nanu

O lateral direto Nanu, que em Portugal já tinha jogado do Beira-Mar e no Gafanha, foi uma das poucas ‘boas novas’ do Marítimo em 2019/20, finalizou a prova como o jogador mais utilizado (33 jogos) e mais vezes titular (32) da equipa.

Aos 26 anos, o jogador guineense mostrou grande velocidade e tornou-se protagonista à 29.ª jornada, quando ligou o ‘turbo’ e destroçou por duas vezes a defesa do Benfica, causando, como dano colateral, o despedimento de Bruno Lage.

O – Otávio

Num misto de classe e ‘fúria’, capaz de construir e de roubar a bola aos adversários, e sem ‘cerimónias’ em fazer faltas (11 amarelos), o médio brasileiro Otávio, de 25 anos, foi essencial no meio campo do campeão FC Porto.

Marcou apenas dois golos, no 3-0 ao Tondela e no 6-1 ao Moreirense, mas destacou-se nas assistências, distribuindo nove, capítulo em que, nos campeões, foi batido apenas por Corona, que totalizou 11.

P – Pizzi

Num campeonato que, para o Benfica, começou em ‘grande’ e acabou da pior forma’, o médio Pizzi foi a grande referência ofensiva da equipa, cotando-se com o segundo melhor marcador (18 golos) e o jogador com mais assistências (14).

Goste-se, ou não, a verdade é que, aos 30 anos, o ‘21’ da Luz teve um rendimento fabuloso, sobretudo na primeira volta, que acabou com 12 tentos e oito passes para golo. Não passou pelo transmontano a não renovação do título.

Q – Quaresma

O jovem central Eduardo Quaresma, que tinha cumprido 23 jogos pelos sub-23 e dois pelos juniores, foi um dos vários ‘meninos’ lançados na parte final da época por Rúben Amorim, o quarto treinador do Sporting em 2019/20.

Aos 18 anos, o jogador nascido no Barreiro cumpriu nove jogos como titular, sendo uma das promessas dos ‘leões’ para 2020/21, juntamente com Jovane Cabral, Matheus Nunes, Nuno Mendes, Tiago Tomás ou Joelson Fernandes, assim continuem por Alvalade.

R – Rúben Amorim

Foi muito contestado pelos seus pares, por ter sido aposta do Sporting de Braga e, depois, do Sporting, sem possuir o nível exigido pela ‘ordem’ para orientar uma equipa da I Liga, mas, mesmo sem ‘canudo’, Rúbem Amorim foi um dos destaques da época.

Aos 35 anos, encantou em Braga, de onde saiu, a troca de 10 milhões de euros, invicto em provas nacionais e vencedor da Taça da Liga, e, em Alvalade, já se transformou na grande esperança para recuperar um título que foge desde 2001/02.

S – Sérgio Conceição

O treinador Sérgio Conceição, que em 2017/18 tinha negado o ‘penta’ ao Benfica, chegou a ameaçar ir embora, falando da falta de união no clube após o desaire na Taça da Liga, mas ficou e conseguiu levar o FC Porto ao título.

O futebol dos ‘dragões’ nunca, ou quase nunca, encantou, mas, no ‘final do dia’, foram os ‘azuis e brancos’ que mais pontos somaram, muitos com o ‘dedo’ do técnico, pela forma como soube fazer render um plantel sem a qualidade de outros.

T – Trincão

Campeão europeu de sub-18 em 2018, na Finlândia, o extremo Trincão, de 20 anos, foi um dos jogadores que mais encantou no Sporting de Braga, sobretudo na segunda volta, que ‘encheu’ com sete golos, incluindo uma ‘obra de arte’ ao vizinho Vitória.

Antes de começar a brilhar a grande altura, já tinha o futuro definido, pois, em janeiro, assinou por cinco anos com o FC Barcelona, a partir de 2020/21, a troco de 31 milhões de euros, a maior transferência da história dos ‘arsenalistas’.

U – Uribe

O médio Uribe foi uma das contratações do FC Porto, que, apesar dos problemas com o ‘fair play’ financeiro, apostou forte para 2019/20, fazendo chegar também Marchesín, Luis Díaz, Nakajima, Zé Luís ou o regressado Marcano.

O experiente jogador colombiano, de 29 anos, mesmo nem sempre constante, foi muito importante no meio-campo dos campeões, cumprindo um total de 26 jogos, 22 jogos como titular, e apontando um golo, na despedida, em Braga.

V – Vinícius

O avançado brasileiro Vinícius chegou envolto em desconfiança, depois de o Benfica pagar 17 milhões de euros ao Nápoles pela sua contratação, mas cedo mostrou todo o seu potencial, em forma de golos, os primeiros ainda como suplente utilizado.

Apesar de um rendimento muito elevado, ficou-se pelos 19 jogos como titular, que não o impediram de chegar aos 19 golos e de conquistar o título de melhor marcador da prova, isto não tendo concretizado qualquer grande penalidade.

X – Xistra

A edição 2019/20 da I Liga de futebol foi a última para os árbitros Carlos Xistra, de 46 anos, e Jorge Sousa, de 45, dois históricos juízes com mais de duas décadas ao mais alto nível no futebol português.

Numa época que não foi muito intensa em polémicas arbitrais, Xistra disse adeus em lágrimas, após o encontro entre o FC Porto e o Moreirense (6-1 no Dragão), enquanto Jorge Sousa também se despediu a ‘apitar’ os novos campeões (1-2 em Braga).

Y – Yohan Tavares

O experiente central nascido em França, mas internacional olímpico por Portugal, foi um esteio na defesa do Tondela e um dos grandes responsáveis pela manutenção do conjunto comandado pelo espanhol Natxo González.

O jogador de 32 anos disputou 29 jogos, 28 dos quais como titular, e apontou três golos, com destaque para o que valeu o triunfo caseiro sobre o Sporting de Braga (1-0), na penúltima ronda, decisivo para assegurar a permanência.

W – Weigl

O médio Weigl, de 24 anos, foi a grande sensação do mercado de inverno, ao chegar ao Benfica proveniente do Borussia Dortmund, numa transferência de 20 milhões de euros que não parecia possível, face às credencias do internacional alemão.

O jogador vinha referenciado pelos mais de 90% de passes certos e, como o passar do tempo, fez o mesmo, ainda que sem convencer, no meio campo dos ‘encarnados’, que manteve mais tempo na luta pelo título graças a um golo em Vila do Conde (2-1).

Z – Zé Luís

O avançado cabo-verdiano Zé Luís, que o FC Porto foi buscar aos russos do Spartak Moscovo, começou o campeonato em ‘grande’, com seis golos nas primeiras jornadas, incluindo um ‘hat-trick’ ao Vitória de Setúbal e o tento que abriu a vitória na Luz.

Os ‘dragões’ pareciam ter encontrado um ‘matador’, mas foi ‘sol de pouca dura’, já que Zé Luís só marcou mais um tento – até um penálti falhou na Vila das Aves (0-0) -, sendo ultrapassado por Marega (12 golos), Alex Teles (11) e Soares (10).