Gary Neville junta-se às vozes críticas da venda do templo do futebol inglês: “É ridículo!”
A junta diretiva da Federação Inglesa (FA) concordou com a venda do Estádio de Wembley ao empresário norte-americano de origem paquistanesa Shahid Khan, que tem uma fortuna estimada em 5,8 bilhões de euros e é proprietário do Fulham da Premier League e do Jacksonville Jaguares da NFL, por 672 milhões de euros. A operação ainda está sujeita a aprovação do conselho da Federação, em reunião a realizar a 11 de outubro, mas a venda daquele que é considerado o templo do futebol inglês vai mesmo acontecer e vai parar às mãos de um multimilionário paquistanês que adora… futebol americano.
“A junta directiva da Federação concordou em apresentar o plano de venda ao conselho da Federação, para garantir que todos os detalhes estão em cima da mesa”, explicou um porta-voz do organismo inglês num comunicado divulgado esta quinta-feira, referindo-se à aprovação do organismo, que tem 127 membros. Aos 672 milhões de euros, vão juntar-se mais 335 milhões de euros ligados a futuros benefícios não especificados do estádio.
Recorde-se que depois de seis anos de obras e reformas, período em que foi totalmente destruído e reconstruído, o estádio de Wembley, em Londres, foi inaugurado em 2007 e teve um custo de 866 milhões de euros.
A proposta de Shahid Khan foi anunciada, numa primeira fase, em abril deste ano, mas só agora foi tomada uma decisão final. O novo dono está, porém, proibido de vender os direitos do estádio – continuará a ser o “Wembley Stadium”, sem adição do nome de um eventual patrocinador – e a FA pode comprar o recinto de volta em caso de condenação de Khan na Justiça. Shahid Kahn já garantiu que não pretende transformar Wembley na nova casa do Fulham, e afirmou que investirá 200 milhões de euros na remodelação do Craven Cottage, o estádio da equipa de Londres. A verdadeira intenção de Shahid Khan é, segundo a imprensa inglesa, trazer para Inglaterra os Jacksonville Jaguars que passariam a ser a primeira equipa da NFL a jogar em solo britânico.
Entretanto, o Estádio de Wembley continuará a ser a casa da seleção inglesa, assim como continuará a receber os jogos das meias-finais e final da Taça de Inglaterra, a final da Taça da Liga e os playoffs de acesso à Premier League, com clubes do Championship. A final da taça de râguebi também deverá continuar a ser jogada em Wembley. Em relação ao futebol, a mudança mais relevante ocorrerá durante os meses de setembro e novembro. Por esse altura, o estádio de Wembley não estará disponível para o seleccionador inglês, por coincidir com a temporada regular do futebol americano.
Mas se a federação parece ansiosa para vender Wembley, outros setores da comunidade futebolística inglesa torcem o nariz. Lord Triesman, que presidiu à FA entre 2008 e 2010, disse que o estádio é um património da Inglaterra e não deveria ser vendido. O crítico mais acérrimo é o ex-jogador do Manchester United Gary Neville. “A Football Association quer encaixar dinheiro para investir em campos públicos e no futebol de base e para isso acha que a solução é vender um símbolo do nosso futebol. Deveria pedir dinheiro para os clubes da Premier League, que são ricos, ou então criar um imposto sobre os ganhos cada vez maiores dos agentes nas negociações de jogadores. Vender Wembley é simplesmente ridículo”, afirmou.