Turma de Milão teve um arranque imbatível na Serie A, ao “contrário” do “badalado” e reforçado rival da cidade
Após três jornadas disputadas na Serie A apenas três equipas somam por triunfos todos os jogos disputados. Olhando para o passado recente da competição é fácil perceber que a hexacampeã Juventus e o SSC Nápoles, principal rival pela liderança ao longo dos últimos anos, são dois dos clubes que somam nove pontos. O outro é o Inter Milão, que viveu um defeso bem menos “badalado” em relação ao rival Milan. Os “nerazzurri” fizeram contratações cirúrgicas e gastaram mais de 80 milhões de euros no reforço do plantel, mas a principal aquisição foi para o banco: Luciano Spalletti.
Após uma temporada em que conseguiu conduzir a AS Roma ao vice-título italiano, ficando à frente do Nápoles, o que por ali significa praticamente ser o “campeão dos outros”, face ao domínio absoluto que a Juventus tem exercido nesta década, a formação da capital italiana acabou por perder o técnico em final de contrato. Para o seu lugar chegou Eusebio Di Francesco, antigo jogador do clube que conduziu o US Sassuolo à Serie A e por lá o estabeleceu. Spalletti, por sua vez, seguiu para Milão.
Face aos últimos anos cadentes do Inter, este poderia significar um passo atrás na carreira, mas os primeiros sinais são positivos e mostram que Spalletti poderá ser a grande arma de uma equipa que na última época terminou no sétimo posto, fora dos postos europeus, e que não se qualifica para a Liga dos Campeões, ou seja, que não fica no top três, desde a temporada de 2010/11, no pós-Mourinho, onde foi vice-campeã.
A primeira prova de que o Inter ficou a ganhar em relação à AS Roma foi dada no embate entre as duas equipas, na segunda jornada, com Spalletti a conduzir os seus pupilos a um triunfo por 3-1 no Olímpico de Roma, frente à anterior equipa. Algo que os “nerazzurri” não conseguiam fazer desde a tal época de 2010/11. Antes disso, o Inter já havia conseguido bater a Fiorentina por 3-0 no arranque do campeonato e no domingo venceu por 2-0 na receção ao recém-promovido SPAL. Resultados que deixam o Inter colado a Juventus e Nápoles no topo e com mais três pontos que o rival Milan, que nesta jornada nem os mais de 200 milhões investidos no plantel evitaram a goleada sofrida no terreno da Lazio, por 4-1.
Em cinco encontros o Inter Milão tem oito golos marcados e o gigante Handanovic apenas viu a bola entrar por uma vez na baliza “nerazzurra”. Dois dos obreiros em campo deste sucesso inicial têm sido Icardi e Perisic, principais craques da equipa, que este ano parecem querer atingir patamares mais elevados. O avançado argentino já leva cinco golos em três jogos, dividindo a liderança dos melhores marcadores da Liga italiana com o compatriota Dybala, enquanto o extremo croata já apontou dois.
Dupla portuguesa e sotaque indonésio
Muito se escreveu e falou sobre a chegada dos proprietários chineses ao Milan e dos muitos milhões que chegaram ao clube “rossonero”, mas essa é uma realidade já experienciada pelo rival Inter, que desde 2013 tem no empresário indonésio Erick Thohir o seu principal acionista, ele que também é acionista de uma equipa da MLS (DC United) e da NBA (Philadelphia 76ers). Ainda assim, Thohir tem tido dificuldades em encontrar o líder certo para o Inter, pois desde que chegou ao clube já passaram pelo banco Walter Mazzarri, Roberto Mancini, Frank de Boer, Stefano Vecchi e Stefano Pioli. Só, agora, com Spalletti a equipa parece ter equilibrado.
Analisando os valores despendidos no mercado nos últimos três defesos, esta até foi a época em que Thohir investiu menos. Quase metade do que o Inter gastou na última época. Mas fê-lo de forma cirúrgica e, pelo que se tem visto até ao momento, certeira. Com 20 milhões contratou Dalbert ao OGC Nice, com 23 foi buscar o promissor central eslovaco Milan Skriniar à Sampdoria e com mais 24 contratou Vecino à Fiorentina. De Florença veio ainda o experiente médio Borja Valero por cerca de cinco milhões de euros, ele que tem assumido o batuta no meio-campo interista.
A outra grande contratação do clube milanês foi o português João Cancelo, que chegou ao Giuseppe Meazza por empréstimo do Valência CF, formando com João Mário o clã de portugueses do Inter. O lateral ainda só foi utilizado num encontro, entrando a seis minutos do final frente à AS Roma, mas João Mário tem sido preponderante para o meio-campo de Spalletti, tendo participado nos três encontros – dois deles como titular. Depois, neste Inter destaca-se ainda a experiência e eficácia do central brasileiro Miranda, a criatividade de Candreva do meio-campo para a frente ou a regularidade de D’Ambrosio na ala direita, para além dos já citados Handanovic, Perisic ou Icardi. Nagatomo, Brozovic, Gagliardini e Éder apresentam-se como soluções secundárias para todos os setores do terreno num plantel que parecerá curto, mas que terá a “vantagem” de em 2017/18 estar apenas centrado nas provas internas.