Ianis Hagi herdou o talento do pai, Gheorghe
Conseguir marcar um golo de canto direto (ou golo olímpico, como preferir) não deixa ninguém indiferente e não está ao alcance de todos. Na última ronda de jogos das seleções sub-21, houve um jovem craque de 19 anos que o fez e o nome tem tudo para ser familiar. Ianis Hagi, jogador da seleçao sub-21 da Roménia, foi o autor de um verdadeiro golaço na receção à Bósnia e Herzegovina. E sim, o nome ‘Hagi’ não é coincidência. Ianis é filho de Gheorghe, um dos maiores craques das duas últimas décadas do séc. XX, e é treinado pelo pai no Viitorul Constanta, equipa onde é capitão.
Vídeo do golo de Ianis Hagi de canto direto
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Ianis nasceu a 22 de outubro de 1998 em Istambul, na Turquia. Na altura, o pai representava o Galatasaray nos últimos anos da brilhante carreira. Ainda em criança, começou a jogar na Academia de Futebol Gheorghe Hagi e rapidamente se destacou dos restantes, começando a ser chamado aos escalões jovens da seleção nacional quando ainda era sub-15. Representou ainda os sub-16, sub-17, sub-18, sub-19 e, finalmente, sub-21. Estreou-se como sénior com apenas 16 anos ao serviço do Viitorul Constanta, clube fundado em 2009 e detido pelo pai, que é o treinador desde 2014/15 – curiosamente, a temporada em que Ianis se estreou. O Viitorul, na verdade, é o um clube interessante. Com menos de dez anos de vida, subiu muito rápido ao mais alto escalão do futebol romeno e tem como principal característica a aposta em jovens jogadores, fornecendo-lhes instalações de qualidade. Em 2016/17, o projeto de Gheorghe Hagi, técnico principal, colheu o primeiro grande fruto e conquistou a Liga Romena com uma média de idades de apenas 22.2 anos.
Voltando a Ianis Hagi: o médio ofensivo e extremo foi ganhando importância dentro da equipa orientada pelo pai e marcou o primeiro golo ainda com 16 anos num empate a quatro golos contra o FC Botosani. Na temporada seguinte, ganhou a titularidade na equipa do Viitorul Constanta, marcando dois golos nas 32 partidas realizadas. A boa temporada e o nome Hagi fizeram com que Ianis começasse a ganhar notoriedade na Europa do futebol. Assim, a Fiorentina apressou-se e garantiu a sua contratação para 2016/17, quando o atleta ainda era júnior. Estreou-se pela equipa principal em outubro, foi convocado e esteve muitas vezes no banco de suplentes, mas só voltaria a calçar na última jornada do campeonato, somando apenas duas exibições em toda a temporada.
Ianis Hagi a defrontar o Real Madrid num jogo de preparação (J.P. Gandul/EPA)
A falta de ritmo e espaço fez com que Ianis voltasse ao Viitorul Constanta no mercado de inverno de 2017/18, depois de seis meses sem qualquer minuto na Fiorentina. Pouco ou nada demorou a ser titular no clube romeno, realizando 14 jogos e marcando seis golos até ao fim da época. Essa titularidade manteve-se em 2018/19, sendo um dos indiscutíveis. Na última jornada, numa visita com vitória por 2-1 no terreno do CFR Cluj, Ianis Hagi apontou o golo que valeu os três pontos já em tempo de compensação. Com sete jornadas decorridas, o Viitorul Constanta ocupa a oitava posição da Liga Romena e Ianis Hagi é um dos capitães de equipa.
Ianis Hagi tem sido também muito utilizado na qualificação para o Europeu de sub-21. Vai em sete jogos nesta fase, com o golo olímpico contra a Bósnia e Herzegovina a ser o primeiro neste escalão. Foi titular nas duas partidas contra Portugal (um empate e uma vitória) e aquele golaço contra os bósnios pode mesmo ter ajudado a que a equipa de Rui Jorge fique de fora do Europeu. Isto porque Portugal precisava de uma derrota da Roménia para depender apenas de si e agora precisa de um desaire romeno para ainda sonhar com o primeiro lugar do grupo de qualificação.
Ianis e o pai, Gheorghe Hagi (Facebook Viitorul Constanta)
Dentro de campo, Ianis tem várias semelhanças com o pai Gheorghe. Forte no drible, competente com os dois pés e versátil no ataque, é muito rápido e ágil, o que faz dele uma constante ameaça para a defesa adversária. Pode jogar a médio-ofensivo, extremo, segundo avançado e até a central. A grande diferença para o progenitor prende-se pela capacidade de finalização: apesar de marcar alguns golos por época (já vai em dois em 2018/19), Ianis não é goleador que Gheorghe foi. O Hagi mais velho, recorde-se, chegou a marcar quase 40 golos numa só temporada. Já esteve nomeado para o prémio Golden Boy, mas acabou por não vencer.