Após 14 anos do desaparecimento de Foé “em direto” as tragédias nos relvados continuam a suceder-se
O futebol mundial está de luto com a notícia, já amplamente reproduzida, da morte de Cheik Tioté. O médio costa-marfinense, de apenas 30 anos, sucumbiu esta segunda-feira durante um treino do Beijing EG FC a um ataque cardíaco, clube da segunda divisão chinesa que representava desde o início do ano, depois de deixar os ingleses do Newcastle.
Foram sete temporadas ao serviço dos “magpies”, às quais juntou mais três no FC Twente, uma no Roda e outras duas nos belgas do Anderlecht, clube onde iniciou a carreira. Conquistou dois títulos belgas, um holandês e ajudou o Newcastle a regressar esta temporada ao principal escalão do futebol inglês.
A carreira internacional viveu ainda mais pontos altos. Foi internacional pela Costa do Marfim em 55 ocasiões, marcando um golo e estando presente em quatro edições da Taça das Nações Africanas, vencendo mesmo a de 2015, e ainda em dois Mundiais – África do Sul’2010 e Brasil’2014. Um trajeto que lhe conferiu alguma dose de mediatismo e que fazem com que este desaparecimento atinja uma escala mais global.
De Foé a Fehér
É preciso recuar cerca de 14 anos, até ao momento em que os adeptos do futebol mundial presenciaram a primeira morte trágica à escala global ocorrida num relvado de futebol. A 26 de junho de 2003, quando a seleção dos Camarões enfrentava a Colômbia num encontro da Taça das Confederações, o médio camaronês Marc-Vivian Foé, de 28 anos, caiu inanimado após cabecear uma bola. Horas depois vinha a confirmação da morte.
O facto de o jogo estar a ser transmitido em direto para todo o Mundo ajudou a mediatizar ainda mais o caso, uma vez que as imagens rapidamente correram os quatro cantos do globo. Foi, muito provavelmente, o primeiro grande caso de mortes de futebolistas no relvado. A partir daí a lista começou a engrossar, até porque com a proliferação da internet e das redes sociais ajudou a noticiar outros exemplos, até mesmo de jogadores menos mediáticos.
Longe vão os tempos de Pavão, em 1973. A morte trágica do antigo capitão do FC Porto foi um acontecimento trágico no futebol nacional. Muito se escreveu sobre o malogrado jogador, mas sobretudo dentro de fronteiras. A internet ainda era uma miragem, o que ajuda a compreender a diferença de mediatismo entre os casos. Não é que já não existissem mortes de jogadores em campo no século passado. Simplesmente a informação não circulava com tanta velocidade.
Eis que apenas sete meses depois da morte de Foé o futebol português é novamente assombrado pela tragédia. Miki Fehér, de apenas 24 anos, cai inanimado no relvado, já na parte final da deslocação do Benfica ao terreno do Vitória de Guimarães. Desta vez, as imagens correm o Mundo, uma vez mais porque o jogo estava a ser transmitido em direto. A partir daqui as tragédias em campo nunca mais largaram a realidade do futebol mundial.
Onze casos mais marcantes de morte de futebolistas neste século:
Marc-Vivian Foé – Caiu inanimado após cabecear uma bola no encontro entre Camarões e Colômbia na Taça das Confederações, a 26 de junho de 2003. Morreu aos 28 anos, com a autópsia a revelar uma anomalia cardíaca.
Miki Fehér – O jogo entre Benfica e Vitória de Guimarães estava perto do final quando o avançado húngaro caiu no relvado inanimado. Ainda foi levado para o hospital, mas o óbito seria confirmado pouco depois, devido a problemas cardíacos, a 25 de janeiro de 2004. Tinha 24 anos.
Serginho – A 27 de outubro de 2004 o defesa do São Caetano, que vivia os seus tempos áureos no futebol brasileiro, desmaiou durante um jogo contra o São Paulo FC. Viria a morrer alguns minutos depois, devido a paragem cardíaca. Tinha 30 anos.
David Di Tommaso – A 29 de novembro de 2005, o defesa francês sofreu um ataque cardíaco durante o sono, dois dias após enfrentar o Ajax ao serviço do FC Utrecht. Tinha 26 anos.
Antonio Puerta – Tinha apenas 22 anos quando morreu. O lateral do Sevilha FC desmaiou durante um jogo frente ao Getafe, 28 de agosto de 2007. Ainda recuperou a consciência e deixou o campo pelo próprio pé, mas viria a sofrer nova paragem cardíaca no balneário, morrendo.
Phil O’Donnell – O defesa do Motherwell tinha pedido para ser substituído, devido a cansaço, já perto do final de um encontro do campeonato escocês, a 29 de dezembro de 2007. Contudo, viria a desmaiar antes de sair de campo, falecendo pouco depois, com 35 anos.
Daniel Jarque – O defesa do Espanyol encontrava-se no quarto durante um estágio do clube catalão em Itália, tendo falecido, aos 26 anos, vítima de enfarte. A tragédia aconteceu a 8 de agosto de 2009.
Piermario Morosini – O médio italiano caiu inanimado no relvado, a 14 de abril de 2012, durante um encontro do Livorno na Serie B. A morte foi confirmada já no hospital. Tinha 25 anos.
Christian Benítez – O avançado equatoriano, de 27 anos, tinha acabado de assinar pelo El Jaish, do Qatar, a 29 de julho de 2013, quando sentiu dores abdominais, tendo de ser levado para o hospital. Acabaria por morrer devido a ataque cardíaco.
Patrick Ekeng-Ekeng – A 6 de maio de 2016, o médio camaronês, de 26 anos, acabou por cair inanimado assim que entrou em campo na partida entre o Dinamo Bucareste e o Viitorul, da Primeira Liga romena. Viria a falecer no hospital.
Cheick Tioté – O médio costa-marfinense, de 30 anos, encontrava-se a treinar, esta segunda-feira, pelo Beijing Enterprises quando caiu inanimado no relvado. Viria a falecer já no hospital, suspeitando-se de ataque cardíaco.