O paquistanês que já é dono do Fulham fez uma proposta de 920 milhões de euros à FA
As notícias sobre multimilionários interessados em comprar clubes já não nos abalam como abalavam há uma década. Mas há quem esteja sempre a pensar em formas de criar espanto nas almas mais calmas. Desta feita é Shahid Khan, o paquistanês, que chegou aos Estados Unidos com pouco mais de 400 euros e um emprego a lavar pratos, apresentou uma proposta de 920 milhões de euros para comprar o Estádio de Wembley, um dos símbolos do futebol mundial.
Se procura um exemplo para explicar o que é o “sonho americano”, pare, porque não encontrará um melhor do que este. Shahid Khan nasceu no Paquistão, na cidade de Lahore, em 1950, a mãe era professora de matemática e o pai era vendedor de equipamentos de levantamento de dados para a construção civil. Foi o lado de negociante do pai que influenciou o jovem Shahid a desenvolver um gosto especial pela negociação e gestão de dinheiro.
Um artigo publicado pelo “Daily Mail”, recorda os tempos em que Shahid Khan se ocupava, ainda muito jovem, a construir, consertar e vender equipamentos radiofónicos. Sempre com a vontade, transmitida pelo seu pai, de fazer crescer a margem de lucro. Conta a publicação inglesa, que o jovem Shahid até as bandas desenhadas alugava aos amigos. Não se podiam perder oportunidades para fazer algum dinheiro.
Mas o interesse pelo desporto sempre esteve presente na vida de Shahid Khan. O críquete – desporto mais praticado no Paquistão – foi a primeira grande paixão do jovem que não perdia uma oportunidade de se deslocar, sempre acompanhado pelo o seu pai, ao Estádio de Lahore, para dar uma vista de olhos aos desafios de críquete que por lá se jogavam.
Foi com apenas 16 anos que Shahid Khan decidiu dar o passo que iria revolucionar a sua vida. Com pouco mais do que 400 euros no bolso, o jovem partiu para os Estados Unidos da América onde se alistou na Universidade de Illinois para estudar engenharia mecânica. As primeira noites passou-as em albergarias o que lhe custava cerca de dois euros por noite, algo que o deixava muito preocupado.
Para resolver este seu problema, Shahid Khan decidiu ir procurar trabalho. O seu primeiro emprego em terras de tio Sam foi a lavar pratos e o seu primeiro salário tinha a figura de um euro por hora. Mas as coisas começaram a correr de feição alguns anos mais tarde, quando se mudou para a Flex-N-Gate, empresa que produzia parachoques para carros. 13 após a sua entrada na empresa, Shahid comprou-a por cerca de 660 mil euros.
A empresa prosperou nos anos 80 do século passado. Altura em que a marca japonesa Toyota passou a usar somente a empresa de Shahid Khan como fornecedora, graças aos seus parachoques de peça única. Em 2012, a Flex-N-Gate estava em dois-terços de todos os carros e camiões vendidos nos Estados Unidos. De acordo com a Forbes, a empresa tem, atualmente, mais de 24 mil trabalhadores.
Em 2010, Shahid Khan operou a sua primeira aproximação ao mundo do desporto, uma das suas paixões de criança. Tentou a compra de 60 por cento da equipa de futebol americano (NFL) St Louis Rams. Curiosamente, o acordo não foi conseguido devido a uma movimentação de bastidores do atual dono do Arsenal, Stan Kroenke. Foi preciso esperar mais dois anos para Khan voltar à carga. Desta feita o paquistanês adquiriu os Jacksonville Jaguars (NFL) por cerca de 630 milhões euros.
Mas como paquistanês, o sangue da Commonwealth corria-lhe nas veias e uma aproximação ao reino Unido seria o passo a seguir. Khan comprou o Fulham a Mohamed Al Fayed por um valor a rondar o 200 milhões de euros. Na altura o clube londrino disputava ainda a Premier League, mas uma época complicada, que viu três treinadores – Martin Jol, Rene Meulensteen e Felix Magath, acabou com a despromoção ao Championship.
Depois de duas época a tentar escapar a nova despromoção, o Fulham contratou Slavisa Jokanovic para liderar a equipa a uma sexta posição na tabela classificativa falhando apenas nos play-offs de acesso à Premier League, em 2017. Esta temporada, a equipa está na terceira posição ainda a lutar por um lugar de acesso direto ao escalão maior do futebol inglês, quando faltam quatro jornadas para acabar a fase regular.
A intenção da FA (Federação Inglesa de futebol) em vender o Estádio de Wembley está a gerar uma onda de reações em toda a Inglaterra. Um porta-voz da primeira ministra, Theresa May, já alertou para as possíveis consequências de tal venda: “Esta é uma decisão para a FA, mas Wembley é a casa histórica do futebol inglês e tem um lugar muito especial no coração de todos os fãs de norte a sul do país”.
Há alguma preocupação que Khan pretenda usar o Estádio de Wembley para a realização de jogos de futebol americano, ou até mesmo que o venda a uma equipa da NFL. Os ingleses recordam que foi em Wembley – embora no antigo – que a seleção inglesa arrecadou o seu único título mundial, em 1966. Resta esperar para perceber o desenvolvimento dos acontecimentos.