Grande Futebol
Ser mundialista é ser mais alto. É ser maior do que os homens
2018-07-21 17:00:00
Soube-se que quem foi mais longe no Mundial 2018 acabou, após a competição, por se mostrar alto, muito alto.

Já diziam Florbela Espanca e Luís Represas que “ser mundialista é ser mais alto. É ser maior do que os homens”. Não era bem isto que eles diziam, mas vamos fingir. É que, nos últimos dias, soube-se que quem foi mais longe no Mundial 2018 acabou, após a competição, por se mostrar alto, muito alto. E muito maior do que os homens.

A 15 de julho, França e Croácia estabeleceram, no Luzhniki, em Moscovo, que prémio ganharia cada uma pelo desempenho no Mundial 2018. “Premiozão” para os gauleses e “premiozinho” para os balcânicos. Tratou-se de uma pequena gratificação para quem já recebe milhões, mas de uma ajuda preciosa para quem conta euritos.

A seleção da Croácia recebeu cerca de 21 milhões de euros por ser vice-campeã do Mundo e decidiu doar essa receita para caridade. O dinheiro será canalizado para ajudar crianças com poucas posses, contribuindo até para levar algumas crianças a desfrutar das férias de verão. A informação chegou através de uma suposta carta aberta de Zlatko Dalic, que até tinha dado o exemplo de que algumas crianças “nunca viram o Mar Adriático”. A carta – na qual se podiam ler ainda duras críticas ao país e à luta contra a corrupção – foi, mais tarde, atribuída como falsa, mas a informação sobre os donativos não foi negada.

Esta ação já é um clássico, por exemplo, na seleção inglesa, mas algo mais raro na seleção de França. Os franceses não estipularam como uma obrigação a doação dos prémios dos jogadores, mas Kylian Mbappé, uma das principais estrelas da equipa, fê-lo de livre vontade.

A Sports Illustrated estima que Mbappé recebe cerca de 20 mil euros por jogo, com bónus. Estima-se ainda que o jovem avançado recebeu mais cerca de 300 mil euros por a França ter sido campeã do Mundo.

O jogador do PSG decidiu doar todo este valor para instituições de caridade, nomeadamente uma que providencia treinos desportivos a crianças com deficiências. A ação do craque francês está, claro, a gerar grandes ondas de elogios nas redes sociais.

Kalinic recusou receber a medalha

Noutro âmbito, mas ainda na esfera dos prémios do Mundial, há-que falar da decisão curiosa de Nikola Kalinic, avançado da Croácia. Bom, talvez seja estranho atribuirmos esta designação ao jogador. É que Kalinic foi aquele rapaz que se recusou a entrar no jogo frente à Nigéria e, por isso, foi expulso da seleção. Faltavam cerca de cinco minutos para o final da partida e, quando Dalic chamou o jogador, Kalinic alegou dores insuportáveis nas costas.

Segundo Dalic, não era a primeira vez. E acontecia sempre que o jogador era suplente, algo que se verificou em quatro jogos consecutivos da Croácia. Por isso, o selecionador decidiu dispensar o avançado em pleno Mundial, deixando o plantel mundialista da Croácia reduzida a 22 jogadores.

Acontece que, com o segundo lugar no Mundial, Kalinic teve direito a uma medalha. Algo que, em teoria, quereria guardar lá em casa para mostrar a filhos e netos. Citado pela imprensa croata, o jogador terá explicado que não se sente merecedor do prémio, por não ter chegado a atuar na prova russa. Não foi bem caridade, mas foi, ainda assim, o recusar de um prémio dado pela FIFA. Raro.

A propósito, o João Pedro Cordeiro já lhe explicou, no Bancada, o que tem sido a vida de Kalinic, nos últimos meses. Em queda livre.

Acabamos como começámos: em matéria de solidariedade, ser mundialista é ser mais alto. É ser maior do que os homens. Para os mais saudosistas – e que ficaram com vontade de ir ouvir a canção que nos deu este título –, fica aqui trabalhinho poupado. De nada.