Nesta abertura do mercado chegaram nove jogadores sauditas ao futebol espanhol. Mas há explicações para isso
Imagine um clube apresentar um novo reforço e na mensagem de boas-vindas misturar o nome do jogador com o nome do antigo clube do futebolista. Uma enorme argolada, não é? Pois. Mas foi mesmo isso que aconteceu, há cerca de uma semana, quando o Sporting Gijón apresentou o saudita Abdullah al-Hamdan chamando-lhe Alshabab Abdullah. É que o clube de onde provém o jovem jogador é o Al-Shabab, de Riade, Arábia Saudita. O clube da segunda liga espanhola meteu os pés pelas mãos e demonstrou pouco conhecer o reforço que apresentava.
? Momento en el que se oficializa la incorporación Alshabab Abdullah
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— Real Sporting (@RealSporting) 21 de janeiro de 2018
Disparate à parte. Nos dias que se seguiram à trapalhada do Gijón foram conhecidos mais oito jogadores sauditas que assinaram com clubes espanhóis, espalhados pelas três primeiras divisões do futebol espanhol. Coincidência? Nem por isso. A chegada dos jogadores sauditas a clubes como Villarreal CF, Levante UD e CD Leganés é parte de um acordo entre a Liga Espanhola, a Federação Árabe de Futebol e a Autoridade Geral dos Desportos da Arábia Saudita e na base destes acordos podem contar-se um par de razões.
Com o aproximar do Campeonato do Mundo na Rússia, os responsáveis pelo futebol saudita veem com alguma preocupação o facto de nenhum dos jogadores selecionáveis para o torneio, a realizar-se no verão, ter experiência internacional. O líder da Autoridade Geral dos Desportos saudita, Turki al-Alshaikh, disse, citado pelo “Guardian”, que o objetivo deste acordo é “dotar os jogadores sauditas com maior experiência colocando-os em contacto com ambientes altamente profissionalizados.”
Outro aspeto fundamental por trás destas movimentações de jogadores sauditas para o futebol espanhol é o interesse que a Liga Espanhola vai gerar entre as populações do Médio Oriente. Ou pelo menos é essa a motivação, que, apesar de tudo não agrada a todos. Muito pelo contrário. O sindicato dos jogadores espanhóis já veio a terreiro dizer que o “modelo projectado defende a vertente económico pondo em perigo os valores do desporto e o desenvolvimento de jovens jogadores espanhóis.”
As críticas a esta medida não são apenas espanholas. Pese embora o diretor técnico do Al-Shabab, Mike Newwll, tenha dito ao “Observer” “que há potencial nos jogadores sauditas”, o antigo jogador inglês admitiu que “será um grande choque para estes jovens que vão para Espanha”, estando em perigo a utilização destes jogadores nos clubes para que vão.
Resta perceber, nos próximos meses, qual será o impacto que terá esta mudança, quer nos jogadores que partem à procura do desconhecido, quer para os clubes espanhós que se veem responsáveis por estes jovens jogadores à procura de evoluir.