O antigo médio estava no quarto com o Fenómeno quando a tragédia aconteceu
Faça uma pesquisa na internet sobre o Mundial de 1998 e o que surge à cabeça é o triste episódio vivido pela seleção brasileira em vésperas de disputar a final com a anfitriã França. Ronaldo sofreu uma convulsão e César Sampaio estava no quarto e assistiu a tudo. O antigo médio relembrou o momento e falou ainda sobre os rumores que davam conta que Susana Werner, então namorada do “Fenómeno”, havia tido um caso, com o jornalista Pedro Bial, durante o torneio.
Ronaldo era, por aqueles dias, o Cristiano Ronaldo dos nossos. O avançado brasileiro estava no topo da cadeia alimentar dos futebolistas: todos queriam ser Ronaldo, todos queriam ter um bocado de Ronaldo. Futebolisticamente falando era um ponta-de-lança de qualidades raras. Fortíssimo no um-contra-um, muito veloz e com uma relação com o golo que o distinguia dos demais. Para um avançado tinha um defeito: o jogo aéreo. Mas nunca ninguém lhe levou a mal por isso.
Em entrevista à “UOL”, César Sampaio recordou a “agenda comercial pesada” de Ronaldo. As folgas dadas pelo selecionador Mário Zagallo aos jogadores da seleção canarinha eram preenchidas, pelo “Fenómeno”, com os múltiplos compromissos agendados com os patrocinadores. A pressão sobre Ronaldo, então um garoto de 22 anos, era tremenda e a enorme nação brasileira depositava todas as esperanças – da revalidação do título conquistado quatro anos antes – no craque dos dentes engraçados.
O caminho do Brasil até à final de 1998 foi feito com muito Ronaldo, e foi, curiosamente, também feito com muito César Sampaio, o médio defensivo surpreendeu tudo e todos com três golos na fase de grupos – um frente à Escócia e dois diante o Chile. Mas, infelizmente, não são os golos que perduram na memória de Sampaio, e sim a noite em que viu o melhor jogador do mundo a lutar pela vida como um humano. “Quando você vê o melhor jogador do mundo daquele jeito, o impacto é enorme”, disse.
“Eu estava no quarto dele com o Roberto Carlos e o Edmundo. Fui eu e o Edmundo que saltamos para cima dele e lhe abrimos a boca. Na ignorância, puxámos-lhe a língua. Vimos que ele estava com dificuldades para respirar. A cabeça dele estava roxa e os músculos todos travados. Parecia um bicho”, descreveu César Sampaio. “Todo o mundo pensou que o Ronaldo ia morrer”, desabafou.
A final do Mundial, em Paris, frente à França de Zidane, estava agendada para o dia seguinte. As imagens de Ronaldo a sofrer a convulsão não eram agradáveis e dificilmente se afastavam dos jogadores brasileiros que ficaram espantados ao ver Ronaldo entrar no balneário para se equipar para o jogo decisivo: “Quando ele chegou ao vestiário, antes da final, eu liguei para a minha esposa: ‘Perdemos o jogo’. O vestiário estava um velório”, recordou Sampaio.
Ronaldo foi mesmo a jogo – horas depois de ter sofrido uma convulsão que o deixara irreconhecível – e o Brasil acabou por perder 3-0. Zidane marcou dois golos de cabeça, na sequência de dois cantos, ainda antes do intervalo e Sampaio revelou que era para ser Ronaldo a marcar Zizou nos lances de bola parada. “Quem tinha de marcar o Zidane na bola parada era o Ronaldo, mas como era melhor evitar o choque aéreo, foi o Leonardo. No primeiro canto, o Zidane vai e pronto. Golo.”
Susana Werner e Ronaldo
Dunga era o capitão brasileiro e percebeu que a marcação de Leonardo não funcionou, aliás, como os milhões de brasileiros que assistiam ao jogo por todo o mundo: “O Dunga virou-se para o Leonardo e disse: ‘Pô, Leonardo! Marca o cara ou deixa que eu marco!’ Canto do outro lado, o Zidane atropelou o Dunga e golo”, explicou César Sampaio. O sonho brasileiro caía por terra, mas o medo maior que algo de muito sério acontecesse a Ronaldo era ainda uma realidade.
Mas houve mais com Ronaldo. O avançado que jogava no Inter Milão namorava com Susana Werner – sim, a esposa do antigo guarda-redes do Benfica Júlio César – e César Sampaio recorda que, a certa altura, um dos temas que corria no balneário brasileiro era que Susana se havia envolvido com o jornalista Pedro Bial. “Eu não acho que o Ronaldo tenha tido uma convulsão porque a Susana esteve com o Bial, mas me contaram que houve caso. Mas o Ronaldo também não era cego por ela. Eram ambos muito novos”, sublinhou o antigo jogador do Palmeiras.