Ryan Sessegnon tem 17 anos, está a ser uma das figuras da temporada em Inglaterra e pode mesmo vir a estar na Rússia.
Maio, 2016. Sven-Göran Eriksson surpreendeu a nação britânica e mesmo sem qualquer presença pela equipa do Arsenal em 2005/06, e poucas presenças registadas ao nível do futebol sénior, Theo Walcott foi um dos 23 jogadores eleitos pelo selecionador sueco para o Campeonato do Mundo 2006 disputado na Alemanha. Diz-se, frequentemente, que a história é cíclica e se alguma vez tal situação esteve perto de se repetir, nunca tal aconteceu com a possibilidade e probabilidade de agora. Em 2018, queira Gareth Southgate, e a história pode muito bem repetir-se com Ryan Sessegnon. Ao contrário do que sucedia com Walcott em 2006, um verdadeiro fenómeno e de experiência comprovada ao nível do futebol sénior. Um percurso de carreira que até já foi assemelhado à de Gareth Bale.
“Sinto atenção especial em vários jogos, de outros jogadores ou dos adeptos adversários, mas tento sempre jogar o que sei, manter-me concentrado e não deixar que qualquer distração me retire do rumo certo”. Tão entusiasmante quanto maduro apesar dos seus 17 anos, Ryan Sessegnon é o novo menino bonito do futebol inglês que, tão novo que é, tem como ídolo o também jovem Luke Shaw de quem José Mourinho não morre de amores. A explicação para o sucesso de Sessegnon e para a sua veia goleadora vem das suas próprias raízes: “Quando era mais novo jogava em posições mais ofensivas, como ponta de lança até, mas à medida que fui evoluindo e crescendo fui sendo recuado até à posição de lateral esquerdo. Penso que tenham tido em consideração e energia e capacidade física que tenho para subir e descer o corredor vezes sem conta ao longo de um jogo. Aproveitar mais a minha capacidade física que a forma como vejo e entendo o jogo”, explica Sessegnon ao Telegraph. Astuto, porém, Slavisa Jokanovic não enveredou pela mesma ideia e devolveu Sessegnon a posições mais ofensivas com os resultados que estão à vista de todos. A chegada de Matt Targett a Craven Cottage permitiu fixar, de vez, Ryan Sessegnon no extremo esquerdo ofensivo da equipa londrina colocando-o mais perto de ser o novo Bale, do que o novo Ashley Cole.
Ryan Sessegnon é um fenómeno e não parecem haver limites para as capacidades do miúdo formado no Fulham FC. Aos 17 anos, Ryan Sessegnon conta já 75 jogos como profissional, começa já a ser presença na equipa sub-21 inglesa e é uma das principais figuras do competitivo Championship há duas temporadas. Em 2017/18, em particular, Sessegnon tem sido um dos principais responsáveis pela campanha bem-sucedida do clube londrino, tanto, que o jovem ala, capaz de jogar em todas as posições no corredor esquerdo, foi titular em todos os jogos do Fulham esta temporada no Championship, já marcou 14 golos e registou até este fim de semana, seis assistências. Números arrasadores para alguém que conta somente 17 anos. Nunca o “caso Walcott” esteve tão perto de se repetir. Em 2016 tornou-se o primeiro jogador nascido em 2000 a marcar um golo numa competição profissional em Inglaterra e o mais jovem jogador de sempre a marcar um golo no Championship.
Se Ryan Sessegnon já tinha dado sinais de se estar a tornar um fenómeno na temporada passada quando começou a surgir na equipa principal do Fulham aos 16 anos e contou 30 presenças pela equipa londrina em 2015/16 (apontou sete golos na temporada de estreia), só o adepto mais atento podia estar preparado para o impacto de Sessegnon na presente temporada dos Cottagers. Sessegnon tem sido a principal figura da equipa e, mais do que isso, uma das figuras da liga esta época e comparações com Gareth Bale começam já a surgir. Tudo porque apesar de ter surgido como lateral esquerdo, tem sido a extremo esquerdo que Sessegnon se tem fixado e, mais do que isso, tem sido a extremo esquerdo que maior impacto tem tido nos jogos. Os 14 golos que marcou no Championship esta temporada surgiram em jogo nos quais Sessegnon jogou como extremo, um percurso de carreira em tudo semelhante ao de Gareth Bale no Southampton FC. Na temporada passada tanto a Gazzetta dello Sport como a Sports Illustrated consideraram Sessegnon um dos melhores jogadores sub-20 do Mundo.
O impacto de Sessegnon esta temporada não tem passado despercebido a praticamente ninguém – tendo já sido associado a qualquer um dos maiores clubes ingleses da atualidade, recusando várias propostas e assinando contrato com o Fulham devido às possibilidades de continuar a jogar futebol de forma regular. O ala inglês não só integrou a equipa do ano do Championship, como foi destacado para a shortlist de melhor jogador jovem da competição e, mesmo melhor jogador da competição ao lado de nomes como Tom Cairney, colega de equipa no Fulham e, claro, de Rúben Neves. Foi, porém, a nomeação para jogador jovem do ano para a PFA, o sindicato de jogadores de futebol inglês, que se tornou histórica para Sessegnon. Nunca um jogador de uma liga secundária em Inglaterra tinha integrado a lista para o prémio, algo que permite a Sessegnon sentar-se na mesma mesa de Harry Kane, Marcus Rashford, Raheem Sterling, Ederson e Leroy Sané.
Apesar de Stefan Johansen, colega de Sessegnon no Fulham, ter previsto que dentro de alguns anos o jovem inglês será seguramente um dos melhores laterais esquerdos do Mundo e apesar de publicações como a FourFourTwo assemelharem Sessegnon a nomes como Ashley Cole ou David Alaba, parece ser como extremo que Sessegnon mais desequilibra aproximando-o mais de Gareth Bale que de Ashley Cole. Aos 17 anos, Sessegnon integra este ano pela segunda vez a equipa do ano no Championship – em 2016/17 tornou-se o jogador mais jovem de sempre a merecer a distinção -, já depois de ter ajudado a seleção inglesa a vencer o título europeu sub-19 em 2017 competição em que se sagrou também o melhor marcador.
Sessegnon aprendeu na rua, a jogar em ringues, grande parte daquilo que sabe, mas é sobre os mais bonitos relvados de Inglaterra que vai arrasando o país de sua Majestade. O futuro só o tempo dirá, mas a maturidade com que o encara é tão surpreendente quanto a sua qualidade futebolística aos 17 anos. “É bom rodearmo-nos de boas pessoas. O meu círculo de amigos é pequeno, portanto não sou influenciado por terceiros facilmente. As pessoas à minha volta mantêm-me humilde e acho que sempre o fui. Se o Fulham não subir já este ano? Não sei. Estou somente focado no Fulham neste momento. Championship, Premier League… Eu quero ajudar a colocar-nos na Premier League. Tudo o que quero é continuar a evoluir”, admite.
Termine a temporada como terminar, com ou sem Fulham promovido à Premier League, uma coisa é certa: Ryan Sessegnon pode encarar o desfecho com o sentimento de missão cumprida. Aos 17 anos há poucos como ele, se houver, sequer, algum. É um fenómeno e não para de fazer história em Inglaterra.